ferias

Houve um tempo em que eu contava os dias para as férias.

Passava meus dias de trabalho desejando aquele período em que eu poderia acordar sem despertador, comer com tranquilidade, assistir aos filmes que eu quisesse, ler livros não técnicos e dormir sem culpa caso sentisse sono durante a leitura.

Me jogar no sofá e brincar com minhas gatas, ouvir música prestando atenção na letra, planejar uma viagem ~ e viajar! Me perder na internet e nas redes sociais, lendo coisas interessantes e outras nem tanto, conversar com amigos pelo bate-papo, encontrar amigos em cafés, restaurantes, baladinhas.

Minhas férias eram uma preciosidade. Mais ou menos como a cenoura na ponta da vara presa à cabeça do cavalo de corrida dos desenhos animados. Acho triste.

Eu hoje sou autônoma, ou, poderia dizer, empreendedora. Trabalho no consultório (atendendo meus clientes) e em casa, escrevendo, gerindo o site e as redes sociais dele, bolando maneiras de ajudar as pessoas com inspirações para uma vida melhor. E sou mãe ~ função que ocupa maior parte do meu tempo.

Vivo fazendo o que eu amo.

Ainda gosto de férias, mas aquela necessidade urgente que eu sentia já não existe.

Mas não se engane: esse não é um texto do tipo largue-tudo-e-vá-ser-nômade-digital.

Eu continuo morando na mesma cidade, no mesmo apartamento ~ agora talvez mais enraizada do que nunca ~ atendendo no mesmo consultório. Eu trabalho sim. E me canso sim. Por várias vezes eu termino meu dia pensando no quanto estou cansada e em como senti falta da minha cama, de um tempo maior para tomar um banho ou da possibilidade de assistir aquele filme que estreou na TV a cabo.

A diferença é que agora não me sinto mais roubada, explorada ou desvalorizada.

Agora eu tenho mais poder de decisão sobre como e em que utilizar meu tempo. Eu escolho doá-lo ou vendê-lo seguindo outro ritmo, e em atividades que são profundamente significativas para mim e para as outras pessoas envolvidas.

Por conta das minhas escolhas, cada minuto realizando essas atividades e as tarefas que as compõem compensa muito. Me cansa, mas me alimenta também. 

Eu quero férias. Quero ver o mar, sentir a brisa, ter uma agenda um pouco mais leve. Mas essa já não é uma necessidade, e isso faz toda a diferença…

E você, precisa de férias?

Imagem: Pexels

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