Calma. Não precisa fechar a página.

Se você é como a maioria dos seres humanos, sabe que a morte é um fato e uma certeza, mas evita falar ou mesmo pensar a respeito. Essa evitação é compreensível: viver a morte de alguém querido dói muito, e perceber-se mortal, também. Daí não querermos manter o assunto morte em nossas conversas ou pensamentos.

Por outro lado, para algumas pessoas a morte é uma alternativa aos sofrimentos da vida. Para essas pessoas a ideia de morrer ronda como um canto de sereia, prometendo o fim de uma dor que parece impossível de ser vencida. (Imagino quanto sofrimento uma pessoa deve vivenciar para chegar a pensar em não viver mais. Respeito isso e digo, categoricamente, que viver pode valer a pena e que as dores podem, sim, ser vencidas.)

Mas por que um blog que tem como tema central a felicidade e que propõe reflexões para que cada um viva com sentido abordaria a morte em um de seus posts?

Porque a dualidade vida-morte é um paradoxo que não pode ser resolvido. Não há vida sem morte, e nem há morte sem vida. E dessa forma não há outra maneira de viver (bem) senão admitindo que morreremos um dia (hoje? amanhã? daqui a 10 anos? 80 anos?).

Porque a maior parte das vezes que agi em direção ao meu propósito e ao que era de fato importante para mim foram vezes em que fui sacudida pela morte: a morte de alguém próximo, a ameaça à minha vida ou a de outras pessoas, o fim de um ciclo – que também é uma morte.

Imaginar a própria morte é um recurso utilizado para identificar valores, ou seja, identificar o que é importante de fato. Para além do carro novo, do salário alto, do cartão de crédito que te permite comprar tudo: o que realmente importa?

Quando identificamos esses valores e temos uma noção mais clara de que nosso tempo está acabando (desde que nascemos, aliás) temos mais condições de tomar nossa vida nas mãos e agir para que ela seja plena. Como Jean Kazez aponta em seu livro O peso das coisas (ed. Tinta Negra):

A morte é uma bênção porque nos traz a urgência de lidar com nossos planos e projetos.

Quais são seus planos e projetos maiores? Como eles se relacionam ao que importa para você? Que pequenas ações você pode fazer hoje, alinhadas a esses planos, projetos e valores?

As perguntas e provocações que deixo aqui podem gerar bastante angústia, e sugiro que você procure ajuda (de um amigo ou, melhor ainda, de um profissional) para se embrenhar nas reflexões evocadas, de forma que os efeitos a médio prazo sejam positivos. Mas, de verdade, eu não as evitaria.

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