O trabalho de um escritor consiste em gerar impacto no leitor. Fazer diferença na vida de quem cruza com suas palavras. Senão agora, depois, lançando sementes que, em terreno fértil, vão brotar e se transformar ~ transformando aquele que as acolheu.

É por acreditar nesse efeito esperado que costumo monitorar o acesso ao que publico no blog. Nada obsessivo nem com grandes expectativas [não escrevo para gerar tráfego], mas observando e refletindo sobre essa troca. De forma que pude verificar que o post Compreendendo as semelhanças e acolhendo as diferenças gerou poucas visitas e teve pouca repercussão, apesar de abordar um tema importante [ou talvez até por isso mesmo!].

Para além de buscar identificar características do texto que possam ter gerado pouco interesse no leitor [como o tamanho, a linguagem ou o momento do ano em que abordo o assunto ~ véspera de carnaval], talvez o mais importante seja observar o meu processo de escrita daquele texto. E é isso que quero compartilhar com você por acreditar que possa, este sim, gerar reflexões importantes tanto aqui como aí.

Eu queria muito escrever sobre o assunto das semelhanças e diferenças que nos perpassam, porque uma coisa que muito me incomoda é a facilidade que temos [eu inclusive] para julgar o que é diferente. Julgamos sem reconhecer que:

  1. não somos modelos de perfeição a partir dos quais o outro deva ser comparado e avaliado;
  2. o que me incomoda no outro muito provavelmente diz do que me incomoda em mim mesmo; e
  3. somos todos iguais em última instância.

Daí que reconhecer que não sou modelo de perfeição dói [apesar de estar careca de saber disso]. E o que eu queria com aquele texto era apontar: ei, você aí que julga! Olhe como sou perfeita em não julgar! Ah, ego! Como você é ardiloso, dissimulado e vaidoso…

Daí que sentir compaixão pelo oprimido é muito fácil. Mas se compadecer pelo opressor é um buraco muito mais embaixo… Já que a compaixão implica reconhecer que o outro se assemelha a mim em algum [ou alguns] aspecto, há algo de opressor e julgador em mim também.

Então aconteceu algo como “a volta dos que não foram”. Recorri, sem perceber, ao meu escudo velho de guerra: a erudição. Me vesti de cientista, tirei da gaveta os termos técnicos e rebuscados, e escrevi muito, muito… como se quisesse que ninguém mais lesse aquele texto. E que se lesse, não pudesse entrar em contato com quem eu sou. Escrevi para não comunicar. Ao contrário: escrevi para me esconder.

Não é isso que quero em minha vida mais. Ainda não consigo assumir uma postura de total vulnerabilidade ~ nem acho que isso seja realmente saudável ~ mas sei que posso e mereço expor mais quem eu sou de verdade. Sem tantos escudos. Só assim a comunicação se dará de fato, só assim os laços serão feitos, só assim a vida será plena. Tenho consciência de que a exposição não é fácil e nem confortável [muito pelo contrário!], mas é muito mais coerente com o que acredito, busco e prego.

Agora me diz de você: você sabe quais são os seus escudos? Está pronto para abandonar alguns deles? Se quiser apostar mesmo na estratégia da vulnerabilidade como agregadora, deixe seu comentário com essas reflexões. Lembre-se de ser corajosa e gentil consigo mesma!

2 comments on “Você está pronto para abandonar seus escudos?”

  1. É bizarro como você sempre escreve sobre algo similar ao tema que está martelando na minha cabeça. Sério, que prazer imenso ler você.

    Sobre os escudos, ainda estou identificando quais são os meus. Mas, uma coisa eu já consegui constatar e ainda não sei bem o que eu vou fazer com essa informação. Mas me importo (muito mais do que gostaria e acho que deveria) em ser aceita ou não pelas pessoas e as vezes isso faz com que eu construa escudos.

    Obrigada pelo texto, Vivis.
    Beijos

    • Bem vinda ao clube, Ka! Amar e ser amado é, não por acaso, uma das questões existenciais de todo ser humano. E cada um vive essa questão de uma maneira. Por isso se amar é tão importante, assim a gente consegue soltar alguns escudos e dar conta de não ser aceita por alguns, sabendo que somos plenamente aceitas (e amadas) por nós mesmas.
      Estamos juntas!
      Bjs

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