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Carta para 2018

Querido 2018, seja muito bem-vindo!

Que bom que você chegou. Estava mesmo precisando de ajuda, gratidão por se disponibilizar. Está tudo meio caótico por aqui, por favor não repare a bagunça. Alguns cômodos não consigo arrumar há um bom tempo. Você sabe: prioridades. Vou mexendo aos poucos à medida que o cuidado com os cômodos principais for ficando mais simples e rotineiro.

Aliás, simplificar pode ser uma boa proposta para sua hospedagem por aqui, o que acha? Reduzir as exigências, as complicações, as tralhas. Questionar menos, não no sentido de fechar os olhos, mas de dar menos ouvidos a vozes ultrapassadas de dúvida e pouco amor. Então se você traz dúvidas e inseguranças na sua bagagem, por favor, deixe-as bem ali na soleira da porta de entrada que logo as juntamos com as antigas que estou separando para jogar fora.

E eis então outra proposta: não me venha com pouco amor. (mais…)

O que aquece o corpo e o coração

As pessoas geralmente relacionam o tempo frio e chuvoso a oportunidades de introspecção. Talvez porque torna mais difícil a locomoção e gere aquela preguicinha de sair por aí expansivamente. Eu sinto vontade de ficar mais quieta, mais calada, lendo, tomando chá, comendo coisas quentes e confortáveis e dormindo tanto quanto possível enrolada num cobertor quentinho.

É primavera no hemisfério sul (estamos a menos de 1 mês do verão), mas uma frente fria atinge Belo Horizonte há quase uma semana, trazendo então esse climinha que mais parece de outono. A chuva e o frio trouxeram também memórias de outros momentos de conforto e aconchego, e assim me fizeram lembrar de cobertores que marcaram momentos ou relações importantes. E é sobre 5 cobertores especiais da minha vida que vou falar nesse post bem despretensioso! :) (mais…)

5 coisas simples para fazer no frio

Chá quentinho para curtir o frio!

Com a chegada do inverno temos a impressão de que nossas opções de lazer ficam mais restritas. Nem todo mundo se dispõe a sair na rua, frequentar bares, restaurantes, museus, espaços públicos em geral. Até programas entre amigos, na casa de um deles, é difícil de acontecer. Especialmente à noite, quando as temperaturas caem ainda mais!

Eu já fui uma pessoa que odiava o inverno. Ficava mal humorada, reclamona, com o corpo tenso todo o tempo. Mas felizmente nos últimos anos venho lindando melhor com o tempo frio, e aprendendo a encarar esses momentos como boas oportunidades de recolhimento e prazer.

Ao invés de ficar me queixando do inverno e das baixa temperaturas (algo que fazia a cada cinco minutos), dou um jeito de me aquecer de forma eficiente e lanço mão de algumas atividades simples, baratas e que eu possa fazer sozinha ou acompanhada. Veja então 5 coisas simples para fazer no frio: (mais…)

Nós acabamos de começar

Eventos corriqueiros do dia a dia marcam a nossa vida mais do que podemos imaginar enquanto estão acontecendo.

Hoje enquanto dirigia para o consultório ouvi no rádio um cover de We’ve only just begun, dos Carpenters. Bom cover, por sinal. Enquanto a música tocava senti meu coração bater diferente e me senti transportada no tempo, direto para as manhãs de domingo da minha infância.

Pude ver a luz do sol entrando pela janela da sala, que ainda não era tão grande. Pude sentir o cheiro do café fresco e do pão de milho grande e redondo pronto para receber a manteiga e o mel. Ouvi o chiado da leiteira anunciando que o leite estava fervido. Vi as cores fortes das flores, colhidas durante a corrida matinal do meu pai, enfeitando a mesa redonda. Ouvi o tilintar dos talheres e xícaras nos pratos duralex – perfeitos para uma casa com três crianças [a quarta ainda estava por vir]. Vi os brinquedos preparados para tomar café da manhã também.

A TV seria ligada daí a pouco, e passaria Globo Rural e, em seguida, Som Brasil. Minha cobertinha verde-água, sempre companheira, em cima da cadeira marcando o lugar onde eu me sentaria. Vi meus irmãos e eu brincando e conversando com nossos pais, e vi meus pais conversando entre eles.

Vi olhares ternos. Vi cuidado, carinho. Vi amor. (mais…)

Um café, por favor!

O café é uma paixão nacional, mas não é uma unanimidade. Há quem ame, há quem deteste e há quem o considere um mal necessário. Eu já passei por todas essas fases, e hoje posso dizer que amo um cafezinho, embora não possa tomar com a frequência que eu gostaria.

Pessoas tomam café por diferentes motivos, e eu estava refletindo sobre isso hoje [enquanto tomava um café!]. E que motivos seriam esses?

*Café para acordar de manhã. Há quem diga que seu dia só começa depois de uma xícara de café, e que antes disso é como se ainda estivesse dormindo, só que em pé. Você pode aproveitar esse café para se queixar do dia que está começando ou ~ muito melhor, na minha opinião ~ agradecer por mais um dia e estabelecer seus propósitos para as próximas horas! (mais…)

Aprendendo com a febre

A doença é um grande professor. Mas até mesmo diante de um grande professor o aluno pode escolher aprender ou não.

Não acredito muito que adoecemos “para” aprender algo, mas sim que podemos aprender muito quando adoecemos ~ e em qualquer outra oportunidade na vida, a propósito.

Esta foi uma semana de adoecimentos na Casinha. Bebê, vovó e marido doentes, e eu forte, tocando em frente, cuidando de tudo, dormindo às 2h e acordando às 6h, fora as mamadas de madrugada. Super mulher.

Ilusão! (mais…)

A menina dança

Lembranças de um tempo em que a simplicidade do viver tomava conta. Espontânea no olhar, nas brincadeiras, no dançar em qualquer lugar, ao som da música que tocasse em sua imaginação naquele momento. Relações tranquilas, transbordantes de amor e alegria. Desapego [ou a santa ignorância] a normas de estilo, adequação social, certo ou errado. Simplesmente é. Naturalmente é.

Sorri sem se preocupar com o que vão pensar sobre seu rosto, seus dentes, seu nariz. A crítica ainda não chegou. Ingênua, livre, feliz.

Quisera essa ingenuidade e essa abertura para a vida nunca tivessem passado. Seria muito mais fácil hoje manter a paz interior, ser luz, projetar luz. (mais…)

Escrever é respirar

Sempre tive um namoro com as palavras. De certa maneira escrevo desde que aprendi a juntar letras e transformá-las em significado, história, sentimento. Sou de uma feliz geração que ganhava diários de presente – e de fato os utilizava para registrar momentos e impressões, alegrias e angústias. Ainda faço diário e recomendo sempre que o assunto se faz pertinente.

Minha geração viu também o início dos blogs, que eram bem diferentes dos de hoje. Havia poesia, fantasia, rica troca entre autor e leitores, muita exposição pessoal, mas com um propósito que era outro, menos líquido. Não havia o termo “blogueiro”. A blogosfera era uma linda rede formada por pessoas que pouco a pouco se tornavam amigas!

Acho que estou nostálgica! :)

Eu penso que a escrita – seja num diário “analógico”, seja num blog – proporciona autoconhecimento, expansão, presença. Escrever é como respirar, ação composta de contenção e expansão, trazer para dentro, processar gerando vida e cura, e então soltar. (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

O que você vai fazer por si mesma amanhã?

Há alguns anos recebi no consultório uma cliente com diagnóstico de depressão. Recebo com frequência pessoas com esse diagnóstico, e adoro trabalhar com elas e vê-las desabrochar pouco a pouco e abrirem-se para a vida!

Essa cliente em questão tinha quase sessenta anos de idade, era casada, filhos adultos ainda morando em casa, dona de casa, boas condições sócio-econômicas. Era uma mulher batalhadora, companheira, dona de um senso de humor gostoso, que tornava muito agradável a tarefa de atendê-la e certamente facilitava sua convivência com os pequenos aversivos do cotidiano.

A despeito da minha pouca experiência na época, pude ver naquela mulher a quem todos diziam ~ter tudo~ e ~não ter motivo para estar deprimida~ um extremo cansaço. Cansaço da rotina de dona de casa, de esposa companheira, de mãe afetuosa e disponível – por décadas. Faltava-lhe brilho nos olhos. (mais…)