Tag: Sentido

Carta ao grande amor

Então você chegou, finalmente! Te esperei por anos, fantasiei sua vinda, sofri nos momentos em que percebi que não seria daquela vez e que teria de aguardar condições mais favoráveis para o nosso encontro. Minha maior tristeza era pensar que você poderia não vir nunca. Isso gerava em mim uma solidão intensa, profunda, existencial. Como se nada do que tivesse vivenciado ou construído fizesse algum sentido. Para que tudo, afinal, se nos derradeiros dias eu constatasse que você não teria passado de um desejo muito claro e puro?

Mas por uma daquelas mágicas do destino tudo se encaixou e você atendeu ao meu chamado de menina, de mulher e veio fazer parte da minha vida. Produziu em mim enormes transformações, me fazendo mais atenta ao agora, aos cheiros, aos sabores, às mais leves sensações. Libertou meus sonhos mais loucos, me fez encarar medos antigos e ancestrais. Me fez parar, me desligar da loucura cotidiana para viver única e exclusivamente a preparação subjetiva para a sua chegada.

E agora você está aqui. Seu cheiro me inebria e me faz querer viver nada mais que o contato com sua pele, ver nada mais que seus olhos fixos nos meus, ouvir unicamente sua voz e sua respiração.

Os de fora chamam-me doida, escrava de você. Insistem que eu tenha outras prioridades, outras atividades. Me forçam a olhar para os lados, a sair, a te dividir com outras pessoas. Mas não quero nada disso.

Quero você, nada mais.

E sei que por um tempo você também quererá somente a mim. E é isso que vou te dar, pois é o que nos preparará para seguir para o mundo mais tarde, certos de que vivemos plenamente o maior amor de todos e de que ele é a garantia suprema diante de um mundo de buracos e incertezas.

Prometo não te sufocar, mas, mais do que isso, prometo que suas dúvidas nunca durarão mais que uma fração de segundos.

Gratidão por você existir em minha vida, meu filho!

Imagem: arquivo pessoal

Você e o dinheiro: passado, presente e futuro

Sua vida financeira vai além do que dita o mercado ou a política econômica do país. Ela está diretamente ligada ao que você pensa sobre dinheiro e a como se comporta em relação a ele no passado, no presente e no futuro.

Passado

Suas histórias pessoais e familiares envolvendo dinheiro, prosperidade, privação e abundância construíram as regras ou crenças sobre quanto dinheiro ganhar e como, quanto gastar, com o que gastar e até se e como investir. Nosso país esteve por muitos anos numa grave crise financeira, e a hiperinflação nos anos 1980 fazia acreditar (porque era um fato) que o dinheiro não valia nada, já que se desvalorizava de um dia para o outro. Se você tem mais de 35 anos é possível que tenha esses sentimentos: de que seu dinheiro não será suficiente para suas necessidades e que se uma coisa está em liquidação agora é melhor comprar imediatamente antes que o preço aumente. Isso pode te deixar constantemente com a sensação de estar em dívida – ou até mesmo com dívidas reais por conta de compras desnecessárias.

A maneira como seus pais vivenciaram a prosperidade também influencia o que você sente e pensa sobre dinheiro. (mais…)

Você precisa de férias?

ferias

Houve um tempo em que eu contava os dias para as férias.

Passava meus dias de trabalho desejando aquele período em que eu poderia acordar sem despertador, comer com tranquilidade, assistir aos filmes que eu quisesse, ler livros não técnicos e dormir sem culpa caso sentisse sono durante a leitura.

Me jogar no sofá e brincar com minhas gatas, ouvir música prestando atenção na letra, planejar uma viagem ~ e viajar! Me perder na internet e nas redes sociais, lendo coisas interessantes e outras nem tanto, conversar com amigos pelo bate-papo, encontrar amigos em cafés, restaurantes, baladinhas.

Minhas férias eram uma preciosidade. Mais ou menos como a cenoura na ponta da vara presa à cabeça do cavalo de corrida dos desenhos animados. Acho triste. (mais…)

Precisamos de amizades do tipo chá-de-folhas-frescas!

Eu adoro tomar chá! Faz parte do meu dia-a-dia, ainda mais desde que diminuí muito o consumo de leite e de café. O chá aquece, conforta, participa muito bem de momentos de contemplação e de troca. Na casa da minha avó sempre havia chá de folhas frescas: pitanga, hortelã, erva doce, capim limão… Sabores deliciosos e cheios de prana [energia vital]! Já aqui em casa, na falta de um canteirinho para plantar essas ervas acabo tomando o velho e prático chá de saquinho.

Mas ontem à noite minha avó insistiu que eu trouxesse para casa algumas folhas de hortelã e fizesse um chá quente para regular minha temperatura corporal. Eu, claro, aceitei. Fiz o chá e me sentei para escrever sobre outro assunto completamente diferente, mas fui inundada por uma sensação tão incrível e um estalo: “precisamos de amizades do tipo chá-de-folhas-frescas!” Vou me explicar.

O ritmo em que a maioria de nós vivemos, sempre acelerado, “na correria”, plugados em aparelhos eletrônicos o tempo todo, tem nos levado a estabelecer e manter relações muito superficiais. (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

El presente es lo unico que tenemos!

Já fui muito apegada ao passado, ao que foi, às lembranças. Do tipo que guardava na agenda o papel da bala que chupei quando fui ao cinema com as amigas. [Quem nunca?] Momentos diversos, aos quais me agarrava como se fossem tesouros, preciosidades indispensáveis à vida.

Passava e repassava mentalmente o que havia dado certo, como havia dado certo, como eu poderia fazer para repetir e ter de novo aqueles momentos, aquelas pessoas. Ou, por outro lado, vivia remoendo e revivendo o passado numa autoflagelação pelo que não funcionou bem, pelas oportunidades perdidas, pelo que disse e, principalmente, pelo que não havia dito.

Da mesma maneira o futuro já fez parte das minhas pré-ocupações. O que quero viver? Quando? Onde? Com quem? Como? … Projetando cada detalhe, imaginando cenas, diálogos, sensações. Dispendia muito da minha energia controlando cada aspecto daquilo que eu gostaria de viver em alguns meses, anos, numa atitude para além de um planejamento saudável. Vivia sofrendo pela constante dúvida acerca da realização ou não de tantos planos e sonhos.

Hoje sei que eu era chamada algumas vezes a estar no presente. Mas talvez por inabilidade de quem convidava ou por pouca maturidade de minha parte para lidar com o incontrolável, eu recusava o chamado.

Estar no presente requer acolhimento, compaixão e coragem.  (mais…)

O que você faria se não tivesse medo?

O que você faria se não tivesse medo?

Li agora há pouco essa pergunta no livro da Oprah Winfrey – O que eu sei de verdade – que havia comprado há meses e que finalmente tirei da estante hoje. Livros são meu pecado consumista, e compro mais volumes do que consigo ler [ainda mais nesse momento da minha vida], esperando que um dia chegue o momento daquele livro em especial.

Não foi a primeira vez que entrei em contato com a pergunta, que é uma boa ferramenta para identificar valor. Mas é interessante que ela tenha se apresentado a mim neste momento, quando mais uma vez me deparo com a consciência de meu medo de ser julgada.

As pessoas tendem a me considerar corajosa, mas a grande verdade é que eu tenho inúmeros medos. (mais…)

Não lugar

Aquele momento em que você olha para si mesma e não se reconhece.

E sente que não sabe mais quem é você.

E se vê num não-lugar. Igual. Completamente diferente.

O que você quer fazer? Seu coração até tenta te dizer o que fazer, mas parece impossível ou inadequado. (mais…)

Como agir de acordo com meus valores?

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Para escrever este post me sentei num ambiente onde possivelmente eu seria distraída pela conversa das pessoas que estavam aqui. Quando isso acontece eu costumo colocar fones de ouvido e ligar alguma música que vá me permitir desligar-me do lado de fora e dar vazão aos meus pensamentos e ideias. É ótimo para manter minha concentração!

Escolhi para tocar um mantra que gosto muito por sua melodia suave e que toca meu coração de maneira muito especial.**

Mas por que estou falando sobre um mantra quando o tema deste post é ~como agir de acordo com meus valores~? Porque me ocorreu procurar o significado desse mantra, e descobri que é um “mantra para estar presente”. Estar presente é condição para descobrir os próprios valores e, consequentemente, para agir de acordo com esses valores. (mais…)

Como descobrir meus valores?

Muito do que se diz a respeito de felicidade e plenitude aborda a importância de se viver de acordo com seu propósito, de encontrar qual o sentido da vida, de fazer escolhas e seguir caminhos que sejam dotados de significado e alinhado com seus valores. E uma observação comum é a de que esses valores devem ser seus, e não de outra pessoa.

Quando comecei a me deparar com esse assunto foi inevitável a pergunta: ok, se para viver uma vida plena e feliz não posso (ou não deveria) viver de acordo com o que o outro dita, como descobrir meus valores então? (mais…)