Tag: Propósito

Carta ao grande amor

Então você chegou, finalmente! Te esperei por anos, fantasiei sua vinda, sofri nos momentos em que percebi que não seria daquela vez e que teria de aguardar condições mais favoráveis para o nosso encontro. Minha maior tristeza era pensar que você poderia não vir nunca. Isso gerava em mim uma solidão intensa, profunda, existencial. Como se nada do que tivesse vivenciado ou construído fizesse algum sentido. Para que tudo, afinal, se nos derradeiros dias eu constatasse que você não teria passado de um desejo muito claro e puro?

Mas por uma daquelas mágicas do destino tudo se encaixou e você atendeu ao meu chamado de menina, de mulher e veio fazer parte da minha vida. Produziu em mim enormes transformações, me fazendo mais atenta ao agora, aos cheiros, aos sabores, às mais leves sensações. Libertou meus sonhos mais loucos, me fez encarar medos antigos e ancestrais. Me fez parar, me desligar da loucura cotidiana para viver única e exclusivamente a preparação subjetiva para a sua chegada.

E agora você está aqui. Seu cheiro me inebria e me faz querer viver nada mais que o contato com sua pele, ver nada mais que seus olhos fixos nos meus, ouvir unicamente sua voz e sua respiração.

Os de fora chamam-me doida, escrava de você. Insistem que eu tenha outras prioridades, outras atividades. Me forçam a olhar para os lados, a sair, a te dividir com outras pessoas. Mas não quero nada disso.

Quero você, nada mais.

E sei que por um tempo você também quererá somente a mim. E é isso que vou te dar, pois é o que nos preparará para seguir para o mundo mais tarde, certos de que vivemos plenamente o maior amor de todos e de que ele é a garantia suprema diante de um mundo de buracos e incertezas.

Prometo não te sufocar, mas, mais do que isso, prometo que suas dúvidas nunca durarão mais que uma fração de segundos.

Gratidão por você existir em minha vida, meu filho!

Imagem: arquivo pessoal

Carta para 2018

Querido 2018, seja muito bem-vindo!

Que bom que você chegou. Estava mesmo precisando de ajuda, gratidão por se disponibilizar. Está tudo meio caótico por aqui, por favor não repare a bagunça. Alguns cômodos não consigo arrumar há um bom tempo. Você sabe: prioridades. Vou mexendo aos poucos à medida que o cuidado com os cômodos principais for ficando mais simples e rotineiro.

Aliás, simplificar pode ser uma boa proposta para sua hospedagem por aqui, o que acha? Reduzir as exigências, as complicações, as tralhas. Questionar menos, não no sentido de fechar os olhos, mas de dar menos ouvidos a vozes ultrapassadas de dúvida e pouco amor. Então se você traz dúvidas e inseguranças na sua bagagem, por favor, deixe-as bem ali na soleira da porta de entrada que logo as juntamos com as antigas que estou separando para jogar fora.

E eis então outra proposta: não me venha com pouco amor. (mais…)

Padrões comportamentais ligados a dinheiro (parte 2)

Nesta série de posts sobre vida financeira venho abordando aspectos que envolvem a relação pessoal com o dinheiro. Embora já tenha discutido sobre a questão da felicidade ser dependente do dinheiro, no último post trouxe a questão da vida financeira como uma metáfora, ou uma amostra dos padrões comportamentais como um todo. Aquele texto estava bem extenso mas ainda havia assunto para continuar, que é o que vou fazer agora então!

Como eu mencionei no post anterior, me envolver mais ativamente com os registros de gastos e rendimentos, e analisar minimamente o que estava fazendo com meu dinheiro me permitiu identificar uma série de padrões meus, alguns que até então nunca haviam sido muito claros para mim. O processo de identificá-los não foi nada agradável, mas extremamente útil, por isso compartilho aqui. Quem sabe gera alguns insights por aí também? (mais…)

Padrões comportamentais ligados ao dinheiro

O dinheiro não tem valor por si só. Assim como um movimento por organizar-se financeiramente também não faz sentido se for feito mecanicamente. Não se trata só de números. Sua relação com o dinheiro diz sobre sua relação com outras questões da sua própria vida.

Seu extrato bancário mostra se você tem autocontrole ou se age por impulso, se valoriza mais as coisas ou as experiências, se pratica atos de generosidade ou não, se sabe dizer não a propostas que te fazem, se consegue se situar entre seus compromissos e o calendário. E muitos outros padrões, que eu não consigo citar aqui mas que talvez você já esteja identificando só de ler esse trecho.

Analisar seu extrato bancário pode ser um exercício interessante, portanto, para conhecer seus próprios padrões e clarear seus sentimentos em relação a si mesmo. (mais…)

Você precisa de férias?

ferias

Houve um tempo em que eu contava os dias para as férias.

Passava meus dias de trabalho desejando aquele período em que eu poderia acordar sem despertador, comer com tranquilidade, assistir aos filmes que eu quisesse, ler livros não técnicos e dormir sem culpa caso sentisse sono durante a leitura.

Me jogar no sofá e brincar com minhas gatas, ouvir música prestando atenção na letra, planejar uma viagem ~ e viajar! Me perder na internet e nas redes sociais, lendo coisas interessantes e outras nem tanto, conversar com amigos pelo bate-papo, encontrar amigos em cafés, restaurantes, baladinhas.

Minhas férias eram uma preciosidade. Mais ou menos como a cenoura na ponta da vara presa à cabeça do cavalo de corrida dos desenhos animados. Acho triste. (mais…)

Carta ao medo

Medo, acredito que não preciso me apresentar a você, não é? Você me conhece e acompanha há tempos.

Sei que nossa relação não é constante. Desde criança sinto você às vezes mais perto, outras vezes mais longe de mim.

Já deixei de fazer muitas coisas porque você estava presente demais, sufocante até. Embora sufoque, sua ação é sutil, você sabe se disfarçar bem. Eu não sabia, mas esses anos de busca por mim mesma têm me mostrado que você se disfarça de rigor, perfeccionismo, bons comportamentos, educação, polidez, equilíbrio, escolhas pelo caminho mais seguro.

Na verdade foram poucas as vezes em que você foi descarado, se apresentando com seu jeito típico: coração acelerado, pernas bambas, vontade de chorar, gritar, fechar os olhos e tampar os ouvidos até que tudo passe.

Mas você deve se lembrar daquelas vezes em que, apesar de você, agi de maneira ousada e fui em busca do que acreditava ser o melhor para mim. Foram grandes ações, e algumas pessoas até me chamam de corajosa por conta delas. (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

Lembrete para os momentos de “não-consigo-mais”

Você é mais forte do que você imagina.

Você é mais forte do que imagina o seu opressor.

Você é mais forte do que sua dor. Seu cansaço. Sua desesperança. Suas intrigas mentais.

Você consegue ir mais um pouco além, e merece ir, desde você não confunda expansão com violência. (mais…)

Não lugar

Aquele momento em que você olha para si mesma e não se reconhece.

E sente que não sabe mais quem é você.

E se vê num não-lugar. Igual. Completamente diferente.

O que você quer fazer? Seu coração até tenta te dizer o que fazer, mas parece impossível ou inadequado. (mais…)

O que pintar paredes me ensinou sobre organização pessoal

Há alguns anos resolvi passar o carnaval pintando o apartamento onde morava. Estava muito cansada de badalação, sem ver muito sentido naquela alegria toda, e imersa num longo e profundo processo de transformação pessoal. Sentia que precisava daquele “retiro”, aquele tempo só meu, cuidando de mim mesma [indireta e metaforicamente] e resolvendo uma grande pendência que me acompanhava já havia bastante tempo.

Bastante. Aquilo que basta. Era hora de dar um basta naquelas paredes mal pintadas!

Como a grana não estava sobrando, decidi que eu mesma pintaria o apartamento, mesmo sem nunca ter pintado uma parede antes. Nada que o YouTube não pudesse me ensinar!

Foram 4 dias e meio de trabalho intenso, corpo dolorido, tinta, lona e jornal por todo lado, e enfim a Casinha estava nova de novo! E o melhor: resultado do meu esforço, da minha própria ação!

Durante aqueles dias refleti muito sobre o que estava fazendo, e hoje vejo que aprendi muito mais que pintar paredes. Aprendi sobre organização pessoal, sobre superar desafios, aprendi sobre agir na vida em função do que importa.

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O que pintar paredes me ensinou sobre Organização Pessoal: (mais…)