Tag: metáfora

Carta para 2018

Querido 2018, seja muito bem-vindo!

Que bom que você chegou. Estava mesmo precisando de ajuda, gratidão por se disponibilizar. Está tudo meio caótico por aqui, por favor não repare a bagunça. Alguns cômodos não consigo arrumar há um bom tempo. Você sabe: prioridades. Vou mexendo aos poucos à medida que o cuidado com os cômodos principais for ficando mais simples e rotineiro.

Aliás, simplificar pode ser uma boa proposta para sua hospedagem por aqui, o que acha? Reduzir as exigências, as complicações, as tralhas. Questionar menos, não no sentido de fechar os olhos, mas de dar menos ouvidos a vozes ultrapassadas de dúvida e pouco amor. Então se você traz dúvidas e inseguranças na sua bagagem, por favor, deixe-as bem ali na soleira da porta de entrada que logo as juntamos com as antigas que estou separando para jogar fora.

E eis então outra proposta: não me venha com pouco amor. (mais…)

Medo: ferramenta de proteção ou de privação?

Do que o medo nos protege? E do que ele nos priva?

Diante de uma situação de escolha, é comum que o medo influencie nossa decisão. E a lógica do medo é da proteção, da garantia e da sobrevivência, e não da ousadia e da expansão. Seria bom se fosse possível sempre identificar claramente o que há atrás de uma porta antes de dizer sim. Na falta de saber, muitos de nós dizemos não. E continuamos sem saber, já que o não mantém as portas fechadas.

Hoje no trânsito uma mulher me abordou pedindo carona. Eu estava indo na mesma direção que ela, pararia próximo ao local onde ela precisava estar, não estava morrendo de pressa e nem com o carro cheio. Estava sozinha. (mais…)

Padrões comportamentais ligados a dinheiro (parte 2)

Nesta série de posts sobre vida financeira venho abordando aspectos que envolvem a relação pessoal com o dinheiro. Embora já tenha discutido sobre a questão da felicidade ser dependente do dinheiro, no último post trouxe a questão da vida financeira como uma metáfora, ou uma amostra dos padrões comportamentais como um todo. Aquele texto estava bem extenso mas ainda havia assunto para continuar, que é o que vou fazer agora então!

Como eu mencionei no post anterior, me envolver mais ativamente com os registros de gastos e rendimentos, e analisar minimamente o que estava fazendo com meu dinheiro me permitiu identificar uma série de padrões meus, alguns que até então nunca haviam sido muito claros para mim. O processo de identificá-los não foi nada agradável, mas extremamente útil, por isso compartilho aqui. Quem sabe gera alguns insights por aí também? (mais…)

Padrões comportamentais ligados ao dinheiro

O dinheiro não tem valor por si só. Assim como um movimento por organizar-se financeiramente também não faz sentido se for feito mecanicamente. Não se trata só de números. Sua relação com o dinheiro diz sobre sua relação com outras questões da sua própria vida.

Seu extrato bancário mostra se você tem autocontrole ou se age por impulso, se valoriza mais as coisas ou as experiências, se pratica atos de generosidade ou não, se sabe dizer não a propostas que te fazem, se consegue se situar entre seus compromissos e o calendário. E muitos outros padrões, que eu não consigo citar aqui mas que talvez você já esteja identificando só de ler esse trecho.

Analisar seu extrato bancário pode ser um exercício interessante, portanto, para conhecer seus próprios padrões e clarear seus sentimentos em relação a si mesmo. (mais…)

Dizer o que penso versus ouvir o que você diz

A voz é algo que nos caracteriza, visto que é única. Não há voz igual à minha, nem igual à sua, nem de qualquer outra pessoa. Pode até haver voz parecida e há também as imitações, mas naturalmente iguais… não há. Junto com a voz há o tom, o ritmo com que se fala, as paradas que se dá ao falar, os sotaques e as expressões típicas não simplesmente de um lugar, mas daquela pessoa. A voz é influenciada pelo momento do dia, pela situação específica, pelo momento de vida. A voz expressa tanto a biologia como a história de vida da pessoa. Não é à toa que tanto se relaciona a voz à personalidade, porque é bem isso mesmo: sua voz é sua personalidade em forma de sons. (mais…)

Leveza no cotidiano

É a segunda borboleta que vejo hoje. Esta também num lugar inusitado. Nada de floresta, jardim ou campo florido. Esta, numa cafeteria. A outra (grande, azul, linda) em meio aos carros no trânsito congestionado da metrópole. Eu, que gosto tanto que metáforas, sou presenteada com elas sem que as esteja procurando. Sou grata!

As borboletas de hoje me dizem da leveza possível na aspereza do dia a dia ou em lugares e situações aparentemente inapropriadas ou pouco propícias para isso.

A leveza no cotidiano é algo que venho buscando ativamente há algum tempo (anos), conseguindo às vezes. Em outras vezes vejo minha leveza levantar voo e me deixar entre o peso das tarefas, frustrações e problemas. (mais…)

A felicidade está nos pequenos detalhes


Eu acredito que a felicidade está nos pequenos detalhes. E não, não estou falando de diamantes! :)

Os dias podem ser maçantes, com seus processos se repetindo sem parar, ou estressantes, com pressão vindo de todos os lados para que sejam gerados mais e melhores resultados. Rotina sem sentido ou a obrigatoriedade da alta performance. 

Penso que é urgente sairmos desse modelo, e até falei sobre isso recentemente em outro post. No entanto, enquanto não conseguimos romper com o modelo atual de produção, podemos trazer para o dia a dia pequenos momentos de alegria, leveza, sabor.

Em frente ao meu prédio há um pé de amora. Amora nunca foi minha fruta preferida, e para falar a verdade eu mal me lembrava da existência dela no maravilhoso mundo das frutas. Mas parece que agora é época de amoras, e a amoreira da minha rua está dando frutos! Não está carregada ~ há poucas frutas maduras disponíveis a cada dia. Mas é exatamente esse detalhe que traz leveza e divertimento aos meus dias. (mais…)

Precisamos de amizades do tipo chá-de-folhas-frescas!

Eu adoro tomar chá! Faz parte do meu dia-a-dia, ainda mais desde que diminuí muito o consumo de leite e de café. O chá aquece, conforta, participa muito bem de momentos de contemplação e de troca. Na casa da minha avó sempre havia chá de folhas frescas: pitanga, hortelã, erva doce, capim limão… Sabores deliciosos e cheios de prana [energia vital]! Já aqui em casa, na falta de um canteirinho para plantar essas ervas acabo tomando o velho e prático chá de saquinho.

Mas ontem à noite minha avó insistiu que eu trouxesse para casa algumas folhas de hortelã e fizesse um chá quente para regular minha temperatura corporal. Eu, claro, aceitei. Fiz o chá e me sentei para escrever sobre outro assunto completamente diferente, mas fui inundada por uma sensação tão incrível e um estalo: “precisamos de amizades do tipo chá-de-folhas-frescas!” Vou me explicar.

O ritmo em que a maioria de nós vivemos, sempre acelerado, “na correria”, plugados em aparelhos eletrônicos o tempo todo, tem nos levado a estabelecer e manter relações muito superficiais. (mais…)

Não apresse o rio: ele corre sozinho

Você é do tipo de pessoa que “faz a hora” ou que “espera acontecer”?

Eu era totalmente uma pessoa que faz a hora. Queria estar sempre no controle de tudo que acontecia ~ e aconteceria ~ na minha vida. Muitos planos, bem detalhados que era pra nada dar errado. Já falei sobre isso aqui. Poucos riscos ~ só os calculados ~, muitas regras. A flexibilidade de um cabo de vassoura. O bom disso? Me tornei uma boa previsora de comportamentos e uma pessoa com excelentes habilidades para realmente fazer acontecer muito do que eu queria ou do que me pediam ajuda para acontecer.

Funcionou por muito tempo, afinal se manteve por muitos anos em meu repertório.

Acontece que em determinado momento da minha vida aquele controle todo foi parando de funcionar. (mais…)

Escrever é respirar

Sempre tive um namoro com as palavras. De certa maneira escrevo desde que aprendi a juntar letras e transformá-las em significado, história, sentimento. Sou de uma feliz geração que ganhava diários de presente – e de fato os utilizava para registrar momentos e impressões, alegrias e angústias. Ainda faço diário e recomendo sempre que o assunto se faz pertinente.

Minha geração viu também o início dos blogs, que eram bem diferentes dos de hoje. Havia poesia, fantasia, rica troca entre autor e leitores, muita exposição pessoal, mas com um propósito que era outro, menos líquido. Não havia o termo “blogueiro”. A blogosfera era uma linda rede formada por pessoas que pouco a pouco se tornavam amigas!

Acho que estou nostálgica! :)

Eu penso que a escrita – seja num diário “analógico”, seja num blog – proporciona autoconhecimento, expansão, presença. Escrever é como respirar, ação composta de contenção e expansão, trazer para dentro, processar gerando vida e cura, e então soltar. (mais…)