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Acolhendo sua criança interior 

Visualize a cena: você e sua amiga na beira da piscina, contando até três para pularem juntas na água (que está gelada, a propósito). A contagem termina. Você pula. Ela não.

Vários sentimentos podem surgir. Desapontamento, decepção, raiva dela, tristeza, frustração, raiva de si mesma por ter confiado que vocês fariam aquilo juntas, vergonha por passar por isso no meio do clube com todo mundo olhando, raiva (de novo) de si mesma por estar agindo assim diante de uma brincadeira ou da escolha da sua amiga por não pular naquele momento. Medo de ser julgada, de ser taxada de chiliquenta, apelona, aquela que não sabe brincar ou que exagera em suas reações.

Você tem vontade de chorar, de mergulhar e sumir no fundo da piscina, de falar poucas e boas para a sua amiga, de xingar sua própria mãe por nunca ter te ensinado de verdade a dizer “não gostei” para aquele coleguinha que te bateu na escola. Como é difícil passar a vida oscilando entre aplicar o “deixa pra lá” ou o “bate nele também”. Você até já sabe dizer o que sentiu diante da ação do outro, mas como é difícil agir assim quando você percebe que sua criança interior foi ferida mais uma vez – e que essa certamente não será a última.

No fundo você sabe que foi uma brincadeira, mas não consegue negar que ela remonta a todas as vezes em que se sentiu sozinha e abandonada, traída por quem amava, exposta por quem havia recebido o que há de mais valioso em você: sua vulnerabilidade. Você está cansada de se sentir assim, de ter sempre a mesma sensação e a mesma queixa: “ninguém se importa comigo”.

Você respira fundo. Fecha seus olhos e ouve sua respiração, que pouco a pouco vai diminuindo o tom da lamentação que se repete em sua cabeça desde que se sentiu ferida mais uma vez. Você se lembra que tem recursos para dar conta de si mesma sem que a ajuda / presença / aprovação do outro seja algo fundamental. E por outro lado, que maravilha!, se lembra também que já consegue estabelecer relações com pessoas que honram sua vulnerabilidade e não vão te machucar – não propositalmente. E porque essas relações são muito importantes para você, ou sua ameaça não te fariam sofrer tanto, você, pessoa madura do presente, decide acolher sua criança amedrontada.

Você se abaixa no nível dos olhos da sua criança interior e diz a ela, num tom de voz baixo mas firme, de modo a passar ternura e confiança: “eu sei o que você está sentindo, e dói muito. Te peço que se lembre dessas palavras: relações são importantes, e você é importante. Em igual medida. Você é suficiente. Você é capaz de amar e ser amada de maneira extraordinária. Permita-se amar. Permita-se se amar. Conheça muito bem a si mesma: saiba o que te agrada, o que te importa, o que busca. Permita que o outro te conheça, e faça isso com gentileza, respeitando a si mesma, abrindo-se pouco a pouco. Viver é feito de exposição e resguardo, expansão e recolhimento, contato e distância. Deixe que esse movimento seja mais fluido e natural, e cada vez mais sutil. Você vai aprender, te garanto. Eu te amo com cada virtude e limitação, incondicionalmente.

Você abraça sua criança interior, num abraço daqueles apertados e demorados em que se consegue sentir a troca de energia entre os corações, dá um beijinho em sua bochecha e diz: agora vai brincar, que a vida te espera e ela é linda demais!

É o que eu desejo que você faça: vá viver a vida, levemente, usufruindo de toda a beleza que te espera! ❤️

Como ser forte o tempo todo

Ei, pare um pouco. Sente-se nessa cadeira onde estive por tanto tempo e me olhe nos olhos. Vou te dizer algumas coisas, quero que me ouça com atenção. Pode ser que doa, certamente não é o que você quer ouvir, mas vai ser melhor.

Você não é tão forte assim.
Você não precisa ser tão forte assim.
Você não precisa ser forte o tempo todo. Pode chorar. Suas lágrimas não vão fazer de você uma pessoa fracassada, nem menor, nem errada. Lágrimas têm o poder de nos humanizar.

Não, você não está louca: há momentos mais difíceis mesmo. Aquele esforço continuado, dia após dia, é como gota de água pingando na vasilha.
Uma hora enche. E transborda.
Permita-se transbordar. (mais…)

Perguntas antigas para questões atemporais

“Autoperguntas:

E a pergunta que não quer calar é: por que tudo tem de ser tão pesado? Ou talvez, recolocada: tudo tem de ser tão pesado?
Dentre as alternativas, também dúvida: aceitação ou questionamento? O que tornaria as coisas mais leves?
A resposta está aqui ou lá? Por que a busca é sempre lá, e quase nunca aqui?” (mais…)

Nada muito diferente do que deseja qualquer ser humano

Mais uma vez você se vê fora dos acontecimentos. As pessoas reúnem as mais íntimas e você não está entre elas. Não há constrangimento, mas é possível sentir o silêncio do não dito. Você se sente um pária, de novo. Sem turma, sem ter com quem contar, embora racionalmente saiba que isso não procede. Memórias dolorosas da infância giram em sua cabeça, massacrantes. Todas as vezes em que se sentiu só, excluída ou menos importante. Todas as vezes em que precisou agir por si mesma por perceber que seus interesses eram somente seus, e não das pessoas a quem você julgava amigas. Você se pergunta [mil vezes] o que há de errado consigo, se isso está mesmo acontecendo ou se você está exagerando. Não quer se sentir uma vítima, sabe como isso te faz mal. Tanta criar explicações que façam com que a situação não pareça tão feia e indelicada. Forja uma aceitação, repetindo para si mesma que as pessoas têm o direito de convidar quem quiserem para lhes fazerem companhia. Mas para cada repetição, sua criança interior pergunta, chorando: por que não me quiseram? O que há de errado comigo?

A experiência da rejeição pode ser devastadora. (mais…)

A menina dança

Lembranças de um tempo em que a simplicidade do viver tomava conta. Espontânea no olhar, nas brincadeiras, no dançar em qualquer lugar, ao som da música que tocasse em sua imaginação naquele momento. Relações tranquilas, transbordantes de amor e alegria. Desapego [ou a santa ignorância] a normas de estilo, adequação social, certo ou errado. Simplesmente é. Naturalmente é.

Sorri sem se preocupar com o que vão pensar sobre seu rosto, seus dentes, seu nariz. A crítica ainda não chegou. Ingênua, livre, feliz.

Quisera essa ingenuidade e essa abertura para a vida nunca tivessem passado. Seria muito mais fácil hoje manter a paz interior, ser luz, projetar luz. (mais…)

Escolhe o amor

Diante de cada acontecimento da vida as pessoas tendem a responder de acordo com suas próprias histórias: os eventos pelos quais passaram, as regras que aprenderam, as lições que tiraram após passar ou ver outra pessoa passar por alguma situação parecida. De maneira que quando uma pessoa comenta sobre dado evento ela está, talvez sem saber, comentando sobre si mesma.

Eu procuro me lembrar disso quando ouço pessoas negativas ou pessimistas, que contam sempre a pior parte do acontecimento ou que fazem as piores projeções sobre o que pode acontecer no futuro. “Pense no que essa pessoa pode ter passado, Vívian. Coloque-se no lugar dela” – diz meu grilo falante. Não é fácil. Mesmo. Isso é tão diferente da maneira como penso e busco enxergar a vida que acabo caindo no julgamento e na esquiva do contato com o “pessimista”. Minha vontade é de ficar a quilômetros de distância. (mais…)

Em caso de pane, máscaras irão cair

Estando você e outra pessoa em risco, de quem você deve cuidar primeiro?

A situação é delicada, e se torna ainda mais difícil se a outra pessoa for ou se mostrar incapaz de cuidar de si mesma sozinha.

As orientações dadas em voos comerciais são bem claras: em caso de pane, máscaras irão cair. Coloque uma máscara em si mesmo e somente depois ajude as pessoas que estiverem a sua volta. Eu costumava achar essa orientação tão egoísta! Tendia a pensar que se a pessoa está minimamente bem, ela precisa sim, cuidar do outro. O outro seria mais importante.

Mas será mesmo? (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

O que você vai fazer por si mesma amanhã?

Há alguns anos recebi no consultório uma cliente com diagnóstico de depressão. Recebo com frequência pessoas com esse diagnóstico, e adoro trabalhar com elas e vê-las desabrochar pouco a pouco e abrirem-se para a vida!

Essa cliente em questão tinha quase sessenta anos de idade, era casada, filhos adultos ainda morando em casa, dona de casa, boas condições sócio-econômicas. Era uma mulher batalhadora, companheira, dona de um senso de humor gostoso, que tornava muito agradável a tarefa de atendê-la e certamente facilitava sua convivência com os pequenos aversivos do cotidiano.

A despeito da minha pouca experiência na época, pude ver naquela mulher a quem todos diziam ~ter tudo~ e ~não ter motivo para estar deprimida~ um extremo cansaço. Cansaço da rotina de dona de casa, de esposa companheira, de mãe afetuosa e disponível – por décadas. Faltava-lhe brilho nos olhos. (mais…)

O amor não cabe em si!

Amar e ser amado são necessidades que fazem parte da existência humana. Estabelecer relações significativas preenche e dá sentido às nossas vidas, mesmo que não compreendamos muito claramente como ou por que isso se dá. Mas você já parou para observar a beleza que é a relação entre amar-se, amar e ser amado?

O sorriso não cabia no rosto!

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