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Carta ao medo

Medo, acredito que não preciso me apresentar a você, não é? Você me conhece e acompanha há tempos.

Sei que nossa relação não é constante. Desde criança sinto você às vezes mais perto, outras vezes mais longe de mim.

Já deixei de fazer muitas coisas porque você estava presente demais, sufocante até. Embora sufoque, sua ação é sutil, você sabe se disfarçar bem. Eu não sabia, mas esses anos de busca por mim mesma têm me mostrado que você se disfarça de rigor, perfeccionismo, bons comportamentos, educação, polidez, equilíbrio, escolhas pelo caminho mais seguro.

Na verdade foram poucas as vezes em que você foi descarado, se apresentando com seu jeito típico: coração acelerado, pernas bambas, vontade de chorar, gritar, fechar os olhos e tampar os ouvidos até que tudo passe.

Mas você deve se lembrar daquelas vezes em que, apesar de você, agi de maneira ousada e fui em busca do que acreditava ser o melhor para mim. Foram grandes ações, e algumas pessoas até me chamam de corajosa por conta delas. (mais…)

Nós acabamos de começar

Eventos corriqueiros do dia a dia marcam a nossa vida mais do que podemos imaginar enquanto estão acontecendo.

Hoje enquanto dirigia para o consultório ouvi no rádio um cover de We’ve only just begun, dos Carpenters. Bom cover, por sinal. Enquanto a música tocava senti meu coração bater diferente e me senti transportada no tempo, direto para as manhãs de domingo da minha infância.

Pude ver a luz do sol entrando pela janela da sala, que ainda não era tão grande. Pude sentir o cheiro do café fresco e do pão de milho grande e redondo pronto para receber a manteiga e o mel. Ouvi o chiado da leiteira anunciando que o leite estava fervido. Vi as cores fortes das flores, colhidas durante a corrida matinal do meu pai, enfeitando a mesa redonda. Ouvi o tilintar dos talheres e xícaras nos pratos duralex – perfeitos para uma casa com três crianças [a quarta ainda estava por vir]. Vi os brinquedos preparados para tomar café da manhã também.

A TV seria ligada daí a pouco, e passaria Globo Rural e, em seguida, Som Brasil. Minha cobertinha verde-água, sempre companheira, em cima da cadeira marcando o lugar onde eu me sentaria. Vi meus irmãos e eu brincando e conversando com nossos pais, e vi meus pais conversando entre eles.

Vi olhares ternos. Vi cuidado, carinho. Vi amor. (mais…)

Aprendendo com a febre

A doença é um grande professor. Mas até mesmo diante de um grande professor o aluno pode escolher aprender ou não.

Não acredito muito que adoecemos “para” aprender algo, mas sim que podemos aprender muito quando adoecemos ~ e em qualquer outra oportunidade na vida, a propósito.

Esta foi uma semana de adoecimentos na Casinha. Bebê, vovó e marido doentes, e eu forte, tocando em frente, cuidando de tudo, dormindo às 2h e acordando às 6h, fora as mamadas de madrugada. Super mulher.

Ilusão! (mais…)

Escolhe o amor

Diante de cada acontecimento da vida as pessoas tendem a responder de acordo com suas próprias histórias: os eventos pelos quais passaram, as regras que aprenderam, as lições que tiraram após passar ou ver outra pessoa passar por alguma situação parecida. De maneira que quando uma pessoa comenta sobre dado evento ela está, talvez sem saber, comentando sobre si mesma.

Eu procuro me lembrar disso quando ouço pessoas negativas ou pessimistas, que contam sempre a pior parte do acontecimento ou que fazem as piores projeções sobre o que pode acontecer no futuro. “Pense no que essa pessoa pode ter passado, Vívian. Coloque-se no lugar dela” – diz meu grilo falante. Não é fácil. Mesmo. Isso é tão diferente da maneira como penso e busco enxergar a vida que acabo caindo no julgamento e na esquiva do contato com o “pessimista”. Minha vontade é de ficar a quilômetros de distância. (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

O que você vai fazer por si mesma amanhã?

Há alguns anos recebi no consultório uma cliente com diagnóstico de depressão. Recebo com frequência pessoas com esse diagnóstico, e adoro trabalhar com elas e vê-las desabrochar pouco a pouco e abrirem-se para a vida!

Essa cliente em questão tinha quase sessenta anos de idade, era casada, filhos adultos ainda morando em casa, dona de casa, boas condições sócio-econômicas. Era uma mulher batalhadora, companheira, dona de um senso de humor gostoso, que tornava muito agradável a tarefa de atendê-la e certamente facilitava sua convivência com os pequenos aversivos do cotidiano.

A despeito da minha pouca experiência na época, pude ver naquela mulher a quem todos diziam ~ter tudo~ e ~não ter motivo para estar deprimida~ um extremo cansaço. Cansaço da rotina de dona de casa, de esposa companheira, de mãe afetuosa e disponível – por décadas. Faltava-lhe brilho nos olhos. (mais…)

Lembrete para os momentos de “não-consigo-mais”

Você é mais forte do que você imagina.

Você é mais forte do que imagina o seu opressor.

Você é mais forte do que sua dor. Seu cansaço. Sua desesperança. Suas intrigas mentais.

Você consegue ir mais um pouco além, e merece ir, desde você não confunda expansão com violência. (mais…)

O que você faria se não tivesse medo?

O que você faria se não tivesse medo?

Li agora há pouco essa pergunta no livro da Oprah Winfrey – O que eu sei de verdade – que havia comprado há meses e que finalmente tirei da estante hoje. Livros são meu pecado consumista, e compro mais volumes do que consigo ler [ainda mais nesse momento da minha vida], esperando que um dia chegue o momento daquele livro em especial.

Não foi a primeira vez que entrei em contato com a pergunta, que é uma boa ferramenta para identificar valor. Mas é interessante que ela tenha se apresentado a mim neste momento, quando mais uma vez me deparo com a consciência de meu medo de ser julgada.

As pessoas tendem a me considerar corajosa, mas a grande verdade é que eu tenho inúmeros medos. (mais…)

A alegria para além do jogo do contente

Você tem consciência de quais são suas alegrias? E como elas se relacionam com seus valores?

Em fevereiro propus (e me propus) a aguçar o olhar sobre as pequenas alegrias que permeiam nossos dias. Eu acredito que cada dia nos brinda com no mínimo um evento, pessoa ou coisa que nos gere uma sensação de estar vivendo exatamente aquilo que merecemos viver. Basta que estejamos atentos a esses presentes. Ao presente!

butterfly

Ao longo do mês acompanhei as postagens de algumas pessoas que aderiram ao Movimento Pequenas Alegrias, e me senti muito feliz ao vê-las valorizarem os pequenos eventos, os afetos, as atitudes (próprias ou dos outros para com elas). Mais ainda, me alegrou ao ler os depoimentos delas sobre como atentar às pequenas alegrias diárias alterou seus dias positivamente e as ajudou a passar por situações difíceis. Isso vai muito mais além do que simplesmente fazer o jogo do contente, pois não fecha os olhos para os problemas, mas sim encontra neles um sentido dentro de um contexto que é mais amplo e diverso. Muda a perspectiva. (mais…)

Como sair do estado de dormência?

dormência

Eu acredito que é possível aprender sobre si mesmo todos os dias, nas mais diversas situações. Basta estar atento a eventos que apresentam a mesma função de determinadas questões que nos acometem intimamente. Por isso costumo chamar esses eventos de metáforas.

Uma metáfora tem gritado em meus ouvidos desde o dia de ontem: SAIA DESTE LUGAR!

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