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Carta ao grande amor

Então você chegou, finalmente! Te esperei por anos, fantasiei sua vinda, sofri nos momentos em que percebi que não seria daquela vez e que teria de aguardar condições mais favoráveis para o nosso encontro. Minha maior tristeza era pensar que você poderia não vir nunca. Isso gerava em mim uma solidão intensa, profunda, existencial. Como se nada do que tivesse vivenciado ou construído fizesse algum sentido. Para que tudo, afinal, se nos derradeiros dias eu constatasse que você não teria passado de um desejo muito claro e puro?

Mas por uma daquelas mágicas do destino tudo se encaixou e você atendeu ao meu chamado de menina, de mulher e veio fazer parte da minha vida. Produziu em mim enormes transformações, me fazendo mais atenta ao agora, aos cheiros, aos sabores, às mais leves sensações. Libertou meus sonhos mais loucos, me fez encarar medos antigos e ancestrais. Me fez parar, me desligar da loucura cotidiana para viver única e exclusivamente a preparação subjetiva para a sua chegada.

E agora você está aqui. Seu cheiro me inebria e me faz querer viver nada mais que o contato com sua pele, ver nada mais que seus olhos fixos nos meus, ouvir unicamente sua voz e sua respiração.

Os de fora chamam-me doida, escrava de você. Insistem que eu tenha outras prioridades, outras atividades. Me forçam a olhar para os lados, a sair, a te dividir com outras pessoas. Mas não quero nada disso.

Quero você, nada mais.

E sei que por um tempo você também quererá somente a mim. E é isso que vou te dar, pois é o que nos preparará para seguir para o mundo mais tarde, certos de que vivemos plenamente o maior amor de todos e de que ele é a garantia suprema diante de um mundo de buracos e incertezas.

Prometo não te sufocar, mas, mais do que isso, prometo que suas dúvidas nunca durarão mais que uma fração de segundos.

Gratidão por você existir em minha vida, meu filho!

Imagem: arquivo pessoal

Estou alienada

Há algum tempo não acompanho as notícias nos meios de comunicação. Fico sabendo dos acontecimentos políticos, econômicos e tudo mais que a mídia divulga apenas quando alguém comenta perto de mim ou quando calha de eu estar perto de uma TV ligada em noticiários. Não vou negar: estou alienada. Ou seja, esses eventos são vividos por mim como alheios, pertencentes a outras pessoas, não a mim.

Não considero esta a melhor postura que um cidadão deve adotar. Afinal, a falta de informação sempre foi uma excelente ferramenta nas mãos daqueles que oprimem. Além disso, estou na vida. Mesmo sem tomar conhecimento do que acontece ao meu redor, não deixo de ser afetada por suas consequências. Mas realmente ainda não encontrei um meio termo, uma postura de serenidade diante das atrocidades que cometem diariamente nas mais diversas esferas. Quando me envolvo com as notícias tendo a sofrer demais e a experimentar um sentimento de impotência que também não ajuda. Você sente isso também?

Então escolhi não acompanhar. Em parte porque me faz mal, em parte porque acredito que os meios de comunicação estão viciados e só mostram aquela pequena parte de tragédias que acometem o mundo diariamente, sem dar visibilidade às coisas boas que também acontecem. Essa postura viciada gera em nós (em mim) a falsa noção de que isso é tudo, e que estamos todos perdidos nesse caos chamado planeta Terra.

Impotência, medo, fatalismo. São sentimentos de vibração baixa demais, que atrasam ou impedem nosso desenvolvimento, a busca por soluções criativas e voltadas para o todo. Que nos colocam no modo de sobrevivência, não no modo de criação, expansão, crescimento.

Ao invés disso eu escolhi sentir gratidão, alegria, esperança, amor. E foram esses sentimentos que resolvi espalhar também. Quero muito viver esses sentimentos com clareza, sem estar cega para os problemas que existem (porque eles existem, sim), mas tendo forças para agir no sentido da melhora, da solução. Só não sei como.

Como você se abastece de notícias boas? E quais são os recursos que utiliza para lidar efetivamente com os problemas que te afetam?

Imagem: Pexels

O limite entre o desafio ao crescimento e a agressão aos valores pessoais num relacionamento

Relacionamentos afetivos são desafios, oportunidades para aprendermos sobre nós mesmos e para nos desenvolvermos pessoalmente. Mas é preciso diferenciar desafio de agressão.

A convivência nos desafia nas atitudes de compreensão, tolerância, compaixão, como também autoconhecimento, assertividade e flexibilidade. A partir das semelhanças com o parceiro podemos consolidar comportamentos, assim como as diferenças nos chamam a ampliar nosso olhar e nosso repertório. Para além dos comportamentos, um relacionamento afetivo consciente nos leva a ter mais consciência dos nossos valores.

Valores são diretrizes: dão direção aos nossos comportamentos, ao nosso olhar para o mundo. Embora sejam construídos culturalmente (eles variam de acordo com a sociedade na qual o indivíduo está inserido), valores são também individuais, muito dependentes da história de vida de cada pessoa.

O caráter individual dos valores implica, num relacionamento, haver pessoas com valores que podem ser diferentes. Eu poderia dizer que o ideal seria que nos relacionamentos as pessoas compartilhassem dos mesmos valores, mas sabemos que isso não é uma realidade. E talvez nem atendesse à função “aprendizado” de um relacionamento, pois conviver com uma pessoa de valores diferentes é bastante desafiador e enriquecedor. Mas só é enriquecedor se houver a atitude de respeito mútuo aos valores do outro.

No entanto o que recebo com muita frequência no consultório são histórias de pessoas que vivem relacionamentos em que valores são desrespeitados. Homens e mulheres que chegam em sofrimento porque amam uma pessoa que lhes pede que sejam fundamentalmente diferentes. Não diferentes no corte de cabelo, no tipo de roupa que vestem ou no modelo de óculos que usam (já seria uma intromissão, vamos combinar), mas no tipo de coisas que consideram fundamentais para a própria felicidade. Presença da família, contato frequente com amigos, vivência religiosa, ser pai ou mãe, não ser pai ou mãe, tipo de relação com o próprio corpo, monogamia, amor livre, etc.

Pedir – ou exigir, como acontece muitas vezes – que a pessoa amada aja em discordância com os próprios valores é algo muito cruel e que não é coerente com o sentimento que se diz ter por ela. Nem digo que o parceiro exigente não ame, mas talvez seja um amor pela metade. Um amor que não ultrapassa o próprio umbigo, a própria retina e que não leva em consideração a outra pessoa. Amar exigindo a mudança do outro é, talvez, amar somente a idealização do outro. Amar o que se projeta de si, e não o que o outro apresenta, o que o outro é.

Talvez o parceiro exigente nunca tenha aprendido a lidar com o que é diferente dele mesmo, com o que o frustra, o que não o atende plenamente. Talvez ele espere tanto que se cumpra a promessa de que o amor preencherá sua vida que não admite viver com uma pessoa que não dá conta disso. Alguém daria conta?

Acho triste demais. Triste que uma pessoa manipule a outra em nome do que chama de amor. Acho triste que se condicione amor (ou perdão, ou respeito, ou qualquer outra coisa) a qualquer ato que fira a dignidade do outro. Porque exigir que alguém passe por cima de seus valores pessoais é ferir sua dignidade.

Por outro lado, é triste também que haja pessoas tão necessitadas de amor que permitam ser atropelados pelo caminhão do desrespeito. Pessoas ausentes de si mesmas, que deixam que o outro seja aquilo que elas mesmas deveriam ser: a pessoa mais importante de suas vidas. Por tanta ausência, permitem, muitas vezes sem nem se dar conta, que o medo predomine. Medo de ficar sozinha (o), de não ser feliz, de não ser amada (o). Permitem que o medo se vista de amor e se fazem acreditar que serão felizes daquela maneira, mesmo tendo lá no fundo a impressão de estarem sendo enganadas. Falta autoamor, e a pessoa exigida sabe disso.

Bancar os próprios valores, lutar para que sejam respeitados e para que se possa vivê-los plenamente não é nada fácil. Especialmente num relacionamento, que está tão atrelado a essa condição existencial de necessitar amar e ser amado. O desafio leva tempo para ser vencido, pode implicar lágrimas e feridas emocionais. Mas será que elas não valem se o resultado for uma vida mais significativa, mais coerente e, quem sabe, acompanhada de quem nos aceita integralmente?

Você se sente respeitada (o) em seus valores no seu relacionamento afetivo?

Photo by freestocks.org from Pexels 

O que aquece o corpo e o coração

As pessoas geralmente relacionam o tempo frio e chuvoso a oportunidades de introspecção. Talvez porque torna mais difícil a locomoção e gere aquela preguicinha de sair por aí expansivamente. Eu sinto vontade de ficar mais quieta, mais calada, lendo, tomando chá, comendo coisas quentes e confortáveis e dormindo tanto quanto possível enrolada num cobertor quentinho.

É primavera no hemisfério sul (estamos a menos de 1 mês do verão), mas uma frente fria atinge Belo Horizonte há quase uma semana, trazendo então esse climinha que mais parece de outono. A chuva e o frio trouxeram também memórias de outros momentos de conforto e aconchego, e assim me fizeram lembrar de cobertores que marcaram momentos ou relações importantes. E é sobre 5 cobertores especiais da minha vida que vou falar nesse post bem despretensioso! :) (mais…)

Falando de amor

Falar de amor e agir com amor deveria ser algo natural. Ou talvez até seja, pois se a gente observar não há ser mais amoroso que um bebê recém nascido. A maneira como o bebê olha para sua mãe, como ouve sua voz, como toca e se permite ser tocado… é o amor encarnado, independente da situação em que foi concebido, gestado ou parido.

Mas parece que a gente vai perdendo essa naturalidade ao longo da vida, com as quedas e feridas que vamos sofrendo. Diante das agressões de toda ordem impostas nas interações com o mundo (recusas, ausências, privações, palavras, olhares ou contatos físicos violentos), grande parte de nós se retrai. E retração não combina com amor, pois amor é expansão, abertura, braços abertos e mãos estendidas. Então, retraídos, deixamos de falar de amor e de agir com amor.

E as relações se tornam superficiais, entremeadas por barreiras de defesa contra novas agressões. Passamos a viver munidos de espinhos e farpas e venenos, prontos para dispará-los ao menor sinal de perigo (leia-se: falta de amor). (mais…)

Nada muito diferente do que deseja qualquer ser humano

Mais uma vez você se vê fora dos acontecimentos. As pessoas reúnem as mais íntimas e você não está entre elas. Não há constrangimento, mas é possível sentir o silêncio do não dito. Você se sente um pária, de novo. Sem turma, sem ter com quem contar, embora racionalmente saiba que isso não procede. Memórias dolorosas da infância giram em sua cabeça, massacrantes. Todas as vezes em que se sentiu só, excluída ou menos importante. Todas as vezes em que precisou agir por si mesma por perceber que seus interesses eram somente seus, e não das pessoas a quem você julgava amigas. Você se pergunta [mil vezes] o que há de errado consigo, se isso está mesmo acontecendo ou se você está exagerando. Não quer se sentir uma vítima, sabe como isso te faz mal. Tanta criar explicações que façam com que a situação não pareça tão feia e indelicada. Forja uma aceitação, repetindo para si mesma que as pessoas têm o direito de convidar quem quiserem para lhes fazerem companhia. Mas para cada repetição, sua criança interior pergunta, chorando: por que não me quiseram? O que há de errado comigo?

A experiência da rejeição pode ser devastadora. (mais…)

A menina dança

Lembranças de um tempo em que a simplicidade do viver tomava conta. Espontânea no olhar, nas brincadeiras, no dançar em qualquer lugar, ao som da música que tocasse em sua imaginação naquele momento. Relações tranquilas, transbordantes de amor e alegria. Desapego [ou a santa ignorância] a normas de estilo, adequação social, certo ou errado. Simplesmente é. Naturalmente é.

Sorri sem se preocupar com o que vão pensar sobre seu rosto, seus dentes, seu nariz. A crítica ainda não chegou. Ingênua, livre, feliz.

Quisera essa ingenuidade e essa abertura para a vida nunca tivessem passado. Seria muito mais fácil hoje manter a paz interior, ser luz, projetar luz. (mais…)

Escolhe o amor

Diante de cada acontecimento da vida as pessoas tendem a responder de acordo com suas próprias histórias: os eventos pelos quais passaram, as regras que aprenderam, as lições que tiraram após passar ou ver outra pessoa passar por alguma situação parecida. De maneira que quando uma pessoa comenta sobre dado evento ela está, talvez sem saber, comentando sobre si mesma.

Eu procuro me lembrar disso quando ouço pessoas negativas ou pessimistas, que contam sempre a pior parte do acontecimento ou que fazem as piores projeções sobre o que pode acontecer no futuro. “Pense no que essa pessoa pode ter passado, Vívian. Coloque-se no lugar dela” – diz meu grilo falante. Não é fácil. Mesmo. Isso é tão diferente da maneira como penso e busco enxergar a vida que acabo caindo no julgamento e na esquiva do contato com o “pessimista”. Minha vontade é de ficar a quilômetros de distância. (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

O amor não cabe em si!

Amar e ser amado são necessidades que fazem parte da existência humana. Estabelecer relações significativas preenche e dá sentido às nossas vidas, mesmo que não compreendamos muito claramente como ou por que isso se dá. Mas você já parou para observar a beleza que é a relação entre amar-se, amar e ser amado?

O sorriso não cabia no rosto!

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