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Eu não sei pedir ajuda

Pedir ajuda é um ato que para algumas pessoas é bastante natural e corriqueiro, mas que para outras pode ser de uma enorme dificuldade.

Pode ser uma informação quando se está perdido no trânsito, uma mão extra quando se tem muitos objetos para carregar, ou até algo maior como uma ajuda quando não se sabe como sair de um dos muitos labirintos dessa vida. Ajuda de amigo, ajuda profissional. Perdido, sobrecarregado, sem conseguir enxergar a saída. Pedir ajuda é admitir seus limites, sua falta de controle, sua incompetência. É admitir para si mesmo e para o outro (o que será pior?) que não se pode tudo. Não neste momento, não com esses recursos.

Aquele que não pede ajuda age assim porque tende a se fundir com a ideia da incompetência. Aquela inabilidade momentânea para lidar com um evento específico é generalizada e transformada na sua própria identidade:

“eu sou incompetente”; “eu sou falho”; “eu sou um fracasso”; “eu não sou digno de amor”.

Ver-se assim e sentir-se assim dói no que há de mais profundo em si. E a certeza que se tem é de que essa dor precisa ser evitada. A qualquer custo.

Ao custo da manutenção da desorientação, da sobrecarga, da visão limitada sobre os caminhos possíveis. Ao custo de uma imagem de pessoa inabalável, que consegue tudo, que não precisa de nada. Ao custo da constante sensação de não ser amado.

Quanta ilusão! Quanta solidão isso gera. Quanta desconexão…

Somente a entrega pode curar essa dor. Agir exatamente na direção do que amedronta e dói. Aceitar que se tem limites sim, e que isso não te faz menor, nem pior, nem não merecedor do amor de quem te importa. Coragem para estar na arena da vida e pedir ajuda quando se percebe incapaz naquele momento.

Dói. Pode acreditar, eu sei o quanto dói não saber pedir ajuda. Eu sei o quanto buscar pelo outro pode doer. Mas é o que cura, pois diminui as resistências, abre portas, possibilita a troca, humaniza. Você não é mais o super herói inatingível. É apenas um rico e complexo ser humano (que ainda é forte, além de frágil).

Peça ajuda. A pequena ajuda, a grande ajuda. Aquela que você der conta. Vá aos poucos. Veja onde está e o que já consegue pedir ou aceitar e vá aumentando o desafio. Só não fique nesse lugar, pois você já sabe que não está gostoso assim.

E se você faz parte do felizardo grupo que pede ajuda com facilidade, por favor: acolha o pedido daquele que não sabe pedir ajuda. Esse pedido pode vir torto, pela metade, nas entrelinhas. Óbvio que era melhor que viesse de forma clara, mas é o que ele consegue fazer no momento. Acolha, ajude, não julgue. Honre esse pedido que demandou um esforço que você nunca vai conseguir mensurar. E se posso te pedir mais uma coisa eu diria: ofereça ajuda. Ofereça seu olhar, seus ouvidos, suas mãos, um pouco do seu tempo. O que vai ser recebido pelo outro será amor. E é isso que ele mais precisa.

E daqui eu pergunto a você que precisa mas não sabe pedir ajuda: posso te ajudar?

5 razões para não fazer terapia

Procurar um psicólogo para fazer terapia é uma atitude que envolve a decisão de cuidar de si mesmo a partir de agora. Mas sabemos que tomadas de decisão nem sempre são simples, especialmente se tais decisões levarão a mudanças importantes. Mesmo que essas mudanças sejam para melhor, é comum passar por um período em que se pondera a respeito de agir ou não, quando se levantam várias objeções numa tentativa de se evitar decisões ruins.

É possível que você esteja vivendo este momento: olhou bem para sua vida, já compreendeu que precisa mudar e até entende que precisa de terapia, mas ainda não se decidiu por procurar ajuda profissional de um psicólogo agora. Neste post vou levantar 5 razões para não fazer terapia (é possível que você já tenha pensado nelas), e vou mostrar porque suas razões podem estar enganadas. (mais…)

Eu preciso de terapia?

A questão sobre procurar ou não a ajuda de um profissional de psicologia para lidar com seus problemas pode envolver dúvidas, conflitos e até preconceito.

Por muito tempo, fazer terapia era considerado como “coisa de gente doida”, e muitas pessoas já deixaram de ser ajudadas porque não queriam ser vistas pelos familiares e amigos como malucos. O preconceito e a ignorância fazendo seus estragos, mais uma vez. :(

Mesmo que você não tenha esse preconceito, é possível que já tenha se perguntado se precisa mesmo fazer terapia ou se conversar com sua melhor amiga ou amigo seria suficiente. Será?

A decisão por procurar um psicoterapeuta é muito pessoal, mas vou listar algumas circunstâncias que podem te levar a pensar melhor a respeito e até marcar uma sessão para decidir junto com o psicólogo. Posso te garantir que um bom profissional não te induzirá a iniciar um processo psicoterapêutico se não houver indicação para isso! Vejamos: (mais…)

Quais são as escolhas que te fazem viver com sentido?

Me perguntaram, dia desses, o que eu deixo de fazer para escrever. Imediatamente respondi que não deixava de fazer nada, pois nada era passível de ser deixado para lá. Desfiei mentalmente meu rosário de queixas sobre minha falta de tempo e o quanto estou exausta e tudo sobra para mim e etc, mimimi, etc, mimimi… Foi então que parei para ouvir essa pergunta verdadeiramente, sem defesas, e fui analisar meu dia. Vou te contar o que identifiquei e acabei descobrindo e vai muito além da escrita na minha vida (que talvez não seja novidade para mim nem para você, mas acendeu uma luzinha aqui).

Eu sei que deixar de assistir a filmes ou séries com meu marido é complicado, pois é o momento que temos para nós dois. Deixar de preparar nossas refeições (algo que também me toma tempo) implica comer alimentos de qualidade duvidosa e não é isso que quero para a minha família. E deixar de cuidar do meu filho não é algo possível agora, que ele é um bebê, e nem é algo condizente com o que considero ser uma boa maternagem.

Perceba que até aqui descrevi escolhas que são pautadas por valores meus, valores que orientam relações e hábitos que considero importantes e dos quais não quero abrir mão. No entanto me peguei checando as redes sociais pela milésima vez no dia, antes de colocar o cronômetro para rodar e começar a escrever (uma das estratégias de organização e produtividade que utilizo e descrevo aqui). Ou seja: estou deixando de escrever – que eu amo, é importante para mim e geral valor para outras pessoas – para checar redes sociais e acompanhar conversas que, em sua maioria, me acrescentam muito pouco! (mais…)

Carta ao medo

Medo, acredito que não preciso me apresentar a você, não é? Você me conhece e acompanha há tempos.

Sei que nossa relação não é constante. Desde criança sinto você às vezes mais perto, outras vezes mais longe de mim.

Já deixei de fazer muitas coisas porque você estava presente demais, sufocante até. Embora sufoque, sua ação é sutil, você sabe se disfarçar bem. Eu não sabia, mas esses anos de busca por mim mesma têm me mostrado que você se disfarça de rigor, perfeccionismo, bons comportamentos, educação, polidez, equilíbrio, escolhas pelo caminho mais seguro.

Na verdade foram poucas as vezes em que você foi descarado, se apresentando com seu jeito típico: coração acelerado, pernas bambas, vontade de chorar, gritar, fechar os olhos e tampar os ouvidos até que tudo passe.

Mas você deve se lembrar daquelas vezes em que, apesar de você, agi de maneira ousada e fui em busca do que acreditava ser o melhor para mim. Foram grandes ações, e algumas pessoas até me chamam de corajosa por conta delas. (mais…)

A felicidade está nos pequenos detalhes


Eu acredito que a felicidade está nos pequenos detalhes. E não, não estou falando de diamantes! :)

Os dias podem ser maçantes, com seus processos se repetindo sem parar, ou estressantes, com pressão vindo de todos os lados para que sejam gerados mais e melhores resultados. Rotina sem sentido ou a obrigatoriedade da alta performance. 

Penso que é urgente sairmos desse modelo, e até falei sobre isso recentemente em outro post. No entanto, enquanto não conseguimos romper com o modelo atual de produção, podemos trazer para o dia a dia pequenos momentos de alegria, leveza, sabor.

Em frente ao meu prédio há um pé de amora. Amora nunca foi minha fruta preferida, e para falar a verdade eu mal me lembrava da existência dela no maravilhoso mundo das frutas. Mas parece que agora é época de amoras, e a amoreira da minha rua está dando frutos! Não está carregada ~ há poucas frutas maduras disponíveis a cada dia. Mas é exatamente esse detalhe que traz leveza e divertimento aos meus dias. (mais…)

Não apresse o rio: ele corre sozinho

Você é do tipo de pessoa que “faz a hora” ou que “espera acontecer”?

Eu era totalmente uma pessoa que faz a hora. Queria estar sempre no controle de tudo que acontecia ~ e aconteceria ~ na minha vida. Muitos planos, bem detalhados que era pra nada dar errado. Já falei sobre isso aqui. Poucos riscos ~ só os calculados ~, muitas regras. A flexibilidade de um cabo de vassoura. O bom disso? Me tornei uma boa previsora de comportamentos e uma pessoa com excelentes habilidades para realmente fazer acontecer muito do que eu queria ou do que me pediam ajuda para acontecer.

Funcionou por muito tempo, afinal se manteve por muitos anos em meu repertório.

Acontece que em determinado momento da minha vida aquele controle todo foi parando de funcionar. (mais…)

Escolhe o amor

Diante de cada acontecimento da vida as pessoas tendem a responder de acordo com suas próprias histórias: os eventos pelos quais passaram, as regras que aprenderam, as lições que tiraram após passar ou ver outra pessoa passar por alguma situação parecida. De maneira que quando uma pessoa comenta sobre dado evento ela está, talvez sem saber, comentando sobre si mesma.

Eu procuro me lembrar disso quando ouço pessoas negativas ou pessimistas, que contam sempre a pior parte do acontecimento ou que fazem as piores projeções sobre o que pode acontecer no futuro. “Pense no que essa pessoa pode ter passado, Vívian. Coloque-se no lugar dela” – diz meu grilo falante. Não é fácil. Mesmo. Isso é tão diferente da maneira como penso e busco enxergar a vida que acabo caindo no julgamento e na esquiva do contato com o “pessimista”. Minha vontade é de ficar a quilômetros de distância. (mais…)

Você tem tido tempo para viver?

Eu faço grandes críticas ao volume excessivo de trabalho ao qual somos submetidos atualmente. A maior parte das ocupações exige dedicação de no mínimo 40 horas semanais, e tecnologias como internet de amplo acesso e smartphone sempre na mão ampliam ainda mais o alcance do trabalho sobre nossas vidas. É possível trabalhar o tempo todo se não impusermos alguns limites.

Eu amo meu trabalho. Mas eu não sou só uma trabalhadora.

Todas as vezes que permiti que o trabalho ocupasse tempo demais acabei por sentir que me faltava vida. Para mim não havia nada pior que chegar do trabalho, comer, tomar banho e dormir, pois eu sabia que no dia seguinte ia começar a trabalhar logo cedo de novo e sentia que todo o meu tempo estava sendo entregue ao meu empregador. Pensar que milhares de pessoas passam por isso todos os dias me corta o coração e me faz entender um pouco mais porque tantos se envolvem com substâncias psicoativas e comportamentos compulsivos. É a esquiva de uma vida limitada. (mais…)

Em caso de pane, máscaras irão cair

Estando você e outra pessoa em risco, de quem você deve cuidar primeiro?

A situação é delicada, e se torna ainda mais difícil se a outra pessoa for ou se mostrar incapaz de cuidar de si mesma sozinha.

As orientações dadas em voos comerciais são bem claras: em caso de pane, máscaras irão cair. Coloque uma máscara em si mesmo e somente depois ajude as pessoas que estiverem a sua volta. Eu costumava achar essa orientação tão egoísta! Tendia a pensar que se a pessoa está minimamente bem, ela precisa sim, cuidar do outro. O outro seria mais importante.

Mas será mesmo? (mais…)