Me perguntaram, dia desses, o que eu deixo de fazer para escrever. Imediatamente respondi que não deixava de fazer nada, pois nada era passível de ser deixado para lá. Desfiei mentalmente meu rosário de queixas sobre minha falta de tempo e o quanto estou exausta e tudo sobra para mim e etc, mimimi, etc, mimimi… Foi então que parei para ouvir essa pergunta verdadeiramente, sem defesas, e fui analisar meu dia. Vou te contar o que identifiquei e acabei descobrindo e vai muito além da escrita na minha vida (que talvez não seja novidade para mim nem para você, mas acendeu uma luzinha aqui).

Eu sei que deixar de assistir a filmes ou séries com meu marido é complicado, pois é o momento que temos para nós dois. Deixar de preparar nossas refeições (algo que também me toma tempo) implica comer alimentos de qualidade duvidosa e não é isso que quero para a minha família. E deixar de cuidar do meu filho não é algo possível agora, que ele é um bebê, e nem é algo condizente com o que considero ser uma boa maternagem.

Perceba que até aqui descrevi escolhas que são pautadas por valores meus, valores que orientam relações e hábitos que considero importantes e dos quais não quero abrir mão. No entanto me peguei checando as redes sociais pela milésima vez no dia, antes de colocar o cronômetro para rodar e começar a escrever (uma das estratégias de organização e produtividade que utilizo e descrevo aqui). Ou seja: estou deixando de escrever – que eu amo, é importante para mim e geral valor para outras pessoas – para checar redes sociais e acompanhar conversas que, em sua maioria, me acrescentam muito pouco!

Não é absurdo [e ao mesmo tempo tão comum]? Qual é a dificuldade em abrir mão de algo de pouco valor em troca de momentos de grande importância para mim?

E eu sei, pelo que as pessoas comentam aqui e ali, que esse não é um problema apenas meu. Parece que estamos naquele jogo em que o apresentador nos pergunta: “você quer trocar esse alfinete por uma viagem ao Caribe com tudo pago?”. E nós, fechados numa cabine à prova de som e usando fones de ouvido, gritamos com convicção: “Não!!!”

Sim, temos feito escolhas ruins na medida em que vivemos na inconsciência. Ter clareza dos nossos valores é como tirar o fone de ouvido no jogo de perguntas. Nos ajuda a ouvir o que o mundo nos oferece e a identificar e escolher o que é mais coerente com quem somos e o que queremos dessa vida. Ter clareza dos nossos valores é, portanto, requisito para a felicidade.

Concorda?

Agradeço ao Tales Gubes, do Ninho de Escritores, pela pergunta sobre a escrita. Me deu uma chacoalhada! E aqui te deixo outras: o que você deixa de fazer para se dedicar ao que realmente importa? Quais são as escolhas que te fazem viver com sentido? Se você se sentir à vontade, compartilhe aqui nos comentários e vamos chacoalhar uns aos outros. Ou me conta no email: vivian.marchezini@vivacomsentido.com.br

2 comments on “Quais são as escolhas que te fazem viver com sentido?”

  1. Durmo menos para dar conta de tudo que eu tenho que fazer ou deixo de visitar algumas pessoas devido a falta de tempo ou por priorizar outros temas da minha vida. É engraçada a sincronicidade do universo já que hoje eu cronometrei que eu “perdi” uma hora da minha manhã em redes sociais. E me dei a desculpa de estar atendendo uma cliente (durou 15 min esse atendimento) e lendo as notícias. Mas na verdade, o custo benefício de ficar nessas redes tem sido muito mais ruim do que bom. É ótimo poder prospectar meus produtos, estudar por artigos e ver o jornal de fato. Também é maravilhoso atender os clientes por inbox e ver notícias de pessoas queridas e tal. Mas perco um enorme tempo vendo debates que só me deixam menos crente na humanidade e até me desanimam as vezes. Foi bom ler seu post de hoje pois percebo que deixo de fazer coisas mais urgentes como dormir ou sair para dar conta das prioridades quando na verdade eu poderia otimizar meu tempo. Boa reflexão Vivis.

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