Comprei o livro “Por que você não se casou… ainda” há alguns anos quando, descrente da possibilidade de viver um grande amor ainda nesta encarnação, entrei numa livraria à procura de ajuda. Sim, eu sempre acho que livros vão me ajudar a solucionar meus problemas, o que é um pensamento bem Era de Peixes, mas tudo bem. Eles me ajudam muito mesmo! rs

Então fui passear na sessão de autoajuda, que pode ter obras bastante equivocadas, mas outras bem interessantes se estivermos abertos a essa possibilidade. Estava ali rodeada por títulos como Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus; Porque homens preferem garotas inteligentes (ou qualquer coisa parecida com isso) e tantos outros que dão dicas de como se comportar de forma a ser mais interessante aos olhos masculinos. Nunca gostei desse tipo de livro, mas confesso que estava a um passo de ceder e comprar. “Devem servir para alguma coisa”, pensei.

Foi quando olhei para aquela capa azul turquesa com o intrigante título. Aquela era a pergunta que eu me fazia todos os dias. Por que eu não tinha ainda encontrado alguém bacana e que me amasse e que quisesse ter um relacionamento sério comigo e que eu também amasse? Esses quatro aspectos eram requisitos para mim, mas as coisas vinham sempre aos pedaços: ou não é bacana e me ama, ou me ama mas não quer casar comigo ou me ama mas eu não amo. Por quê?

Eu já tinha passado dos trinta anos, me via prestes a descer a montanha da vida afetiva e não tinha a menor perspectiva de descer essa montanha acompanhada. Então agarrei aquele livro como quem agarra o buquê da noiva! :)

Na minha opinião, o que difere “Por que você não se casou… ainda” dos outros livros sobre relacionamentos é o fato de ser voltado para a mulher. Em cada um dos dez capítulos a autora nos faz refletir sobre nosso próprio comportamento em relação ao outro e, principalmente, em relação a nós mesmas. E faz isso sem culpabilizar a mulher, mas sinalizando um caminho de conciliação com a própria história, a retomada de um autocuidado, a reflexão sobre ações alinhadas com valores pessoais. Tudo isso com pitadas de humor e de auto-revelação que fazem a gente até sentir que tem uma vida afetiva razoável!

Cada capítulo aborda um padrão comportamental que pode estar dificultando, entre outras coisas, que a mulher estabeleça um relacionamento afetivo de qualidade. São eles:

  1. Você é uma megera – sobre raiva e medo;
  2. Você é superficial – sobre exigências demais;
  3. Você é uma piranha – sobre sexo casual;
  4. Você é louca – sobre descontrole emocional;
  5. Você é egoísta – sobre esperar somente receber;
  6. Você é caótica – sobre desorganização da vida;
  7. Você se odeia – sobre a falta de autoamor;
  8. Você é mentirosa – sobre iludir-se;
  9. Você é um cara – sobre estar distante de sua feminilidade;
  10. Você não tem um deus – sobre confiar exclusivamente em si mesma.

Eu não me vi em todos os capítulos, mas em cada um aprendi algo que poderia inserir na minha vida (e realmente inseri). Mas o capítulo que mais me tocou foi o décimo, por me levar a questionar a necessidade de controle, um dos meus calos.

Até a época em que li esse livro era alguém do tipo que “faz acontecer” o que deseja, mas obviamente não estava funcionando para conseguir um namorado. E Tracy McMillan explica porque: segundo ela, no campo dos relacionamentos devemos estar abertas para as possibilidades, confiando em algo para além de nós mesmas. Ou seja: um bom relacionamento não é algo que você faça, mas algo que você atrai. E essa atração se dá a partir do momento em que você se cuida mais, que pratica o amor por si mesma, a atenção aos sinais da vida e a entrega ao presente.

A autora sugere a escolha de um deus, alguma força ou valor que não seja o eu ou o ego. Algo para quem confiar nossas angústias e medos, para que possamos seguir leves pela vida. E ela alerta: seu deus não deve ser um homem. E nem precisa ser um deus de qualquer religião (embora possa ser, se essa for a sua crença).

Eu conheci meu marido alguns meses após ler esse livro, depois de passar a praticar alguns de seus ensinamentos. Me amar, me aceitar como sou, viver uma vida mais leve, abrir mão do controle sobre tudo e me dedicar à minha espiritualidade foram atitudes fundamentais para que eu estivesse aberta a um relacionamento tão diferente dos anteriores. De forma que eu estreio a tag de resenhas do blog recomendando fortemente que você leia “Por que você não se casou… ainda”. Inclusive se você já se casou mas ainda se questiona se vive a relação que merece.

Você vive o relacionamento que merece?

PS: Comprando o livro pelo link você me ajuda a manter o blog. Gratidão!

Imagem: L&PM Editores

4 comments on “Por que você não se casou… ainda, Tracy McMillan”

  1. Umas das coisas que me faz adorar os seus textos é que você faz de uma forma que a sensação de estar te ouvindo, é tudo tão próximo, simples e verdadeiro.
    Parabéns e obrigada por compartilhar conosco.

    • Nossa, Edil, é tão importante para mim saber que minha voz está sendo ouvida! Significa que estou conseguindo ser coerente: escrever o que realmente penso, colocar em palavras o que sai daqui do meu coração! <3
      Obrigada por comentar! Beijos!

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