Black Friday, Cyber Monday, Black November… E agora vai ser piscar e o Natal chegou. Oportunidades para comprar aquilo que a gente precisa, mas também o que não precisa por um preço que não é promocional. E como é difícil não cair nessa cilada!

Eu não sou uma pessoa consumista, definitivamente. Antes que a tendência do minimalismo se popularizasse eu já conseguia ver em meu comportamento os traços da priorização e do consumo consciente. Cometo meus deslizes (livros e cursos são meus pontos fracos), mas na maior parte do tempo sou bastante comedida no que se refere a consumo.

Apesar desse meu jeito low profile de consumir, nesta Black Friday me vi muito tentada a comprar, o que gerou em mim a pergunta “por que eu compro?”.

Não comprei tudo que queria, mas também não passei de liso: comprei livros (que novidade!), um bullet journal para 2018 (outro pecado consumista: itens de papelaria), alimentos funcionais e um esmalte. Evitei a compra de um Kindle. Claro, de inúmeras outras coisas também, mas essa que marcou mais.

A partir do que comprei (ou não) vou refletir aqui sobre o motivo da compra. Quem sabe você se identifica?

  • Livros – Os livros que comprei foram digitais (A arte de pedir e Essencialismo: a disciplinada busca por menos) e estavam realmente com desconto. Sei disso porque estava acompanhando os preços há bastante tempo. Este é um hábito que a maioria das pessoas não têm e que possibilitam golpes de falsas promoções nessas épocas de alta no comércio. Então, apesar de estar com a estante e o tablet abarrotados de livros que ainda não li, comprei mais dois. Só não me sinto mal porque estavam realmente mais baratos (e baratos) e são assuntos que me interessam demais. Vão provavelmente me acrescentar de verdade. Motivo da compra: são livros crescimento pessoal.
  •  Bullet journal – O bujo, como é carinhosamente chamado o diário em tópicos, é uma espécie de agenda/diário/livro de anotações/caderno de inspirações/espaço de expressão criativa (etc., etc.) que se tornou tendência nos últimos anos por ser simples e bastante efetivo para organização pessoal e produtividade com propósito. Este é meu segundo ano de bullet journal, e sou simplesmente apaixonada pelo método! Eu realmente me sinto mais organizada e produtiva, tendo uma visão geral do meu mês, semana, dia e ainda espaço para ser criativa e usar todas as minhas canetas coloridas e lápis de cor! Rs. Daí que a Priscila Valentino, da Negócio de Mulher, lançou recentemente a edição 2018, revista e ampliada (olha que lindo!), e eu, que tenho a edição 2017, simplesmente não resisti. Devidamente encomendado! É barato? Não. Eu poderia fazer o diário em tópicos num caderno qualquer. Mas eu sei que com meu nível de perfeccionismo e meu tempo quase nulo, a tarefa de criar eu mesma um bujo do zero acabaria me levando a largar pra lá, por mais amor que haja envolvido. Então preferi investir em algo pré-formatado mas com espaço para criar e ir trabalhando nessa questão do perfeccionismo até que eu tenha condições de simplesmente comprar um caderno pontilhado e ser feliz. Assim, o valor investido me parece bastante justo. Motivo da compra: simplicidade e praticidade para manter a organização pessoal.
  • Alimentos funcionais – confesso: um mercado com alimentos funcionais, que me permitam uma alimentação rica e saborosa, me tira do sério! Castanhas, grãos integrais, leguminosas, sementes, pastas que eu possa usar em substituição à manteiga, óleos vegetais de boa qualidade… É como se eu fosse criança e estivesse em frente a uma imensa prateleira de brinquedos, cada um mais incrível que o outro. É muito difícil me conter, especialmente se eu vejo que os preços estão melhores. Acabo comprando demais. E olha que desta vez eu não comprei tudo que queria! Consegui parar, pensar um pouco e concluir que eu não usaria tudo aquilo e que eu poderia voltar outro dia se fosse o caso. Não era uma questão de vida ou morte! Agora eu posso ser bastante criativa na cozinha, sabendo que tenho bons ingredientes para uma alimentação bem saudável. Motivo da compra: possibilitar sabor e bons nutrientes para minha alimentação.
  • Esmalte – Eu quase não compro cosméticos. Aliás, eu pouco uso cosméticos! Tenho cada vez menos ânimo para ocupar meu tempo usando esses produtos, muito embora eu goste de como me sinto quando me maquio, e principalmente quando estou de unhas feitas. Desde que desenvolvi uma espécie de alergia nas unhas me desfiz de todos os meus esmaltes para não ter a tentação de usar em casa. Mas já algum tempo tenho vontade de ter ao menos um, de cor discreta, que pudesse me salvar numa “emergência”. Soma-se a isso o preço absurdamente baixo do esmalte hipoalergênico (R$1,99, preço de mais de uma década atrás, quando eu era voraz consumidora de esmaltes). Não deu outra. Comprei. Motivo da compra (mesmo): estava barato.

Não sou a favor de comprar “porque tá barato” se eu não for usar, e muito. Compras assim sempre me levam ao arrependimento. Então, já que comprei o esmalte por isso, agora tenho que usar, né? O mesmo vale para os outros itens comprados.

E o Kindle eu NÃO comprei porque, apesar de estar com desconto, não é uma necessidade neste momento. O que eu faria com ele (ler e-books) eu faço com o tablet ou o computador e pra mim ok. O argumento de que é leve e portátil foi rebatido pelo fato de que eu não tenho, infelizmente, tempo para ficar andando com o kindle na bolsa e ler a qualquer oportunidade. Estou cheia de livros que posso ler nessas ocasiões, e há mil outras coisas a fazer nesses breves intervalos (quando aparecem). Para o meu dia a dia e minhas necessidades, a compra do Kindle só se justificaria se estivesse muito mais barato e eu não tivesse alternativas. Motivo de não comprar: não preciso agora. Aliás, quase tudo que não compro é porque cai nessa categoria: “não preciso agora”. Para isso, a pergunta “será que eu preciso disso?” deve ser feita sempre!

A decisão de não comprar o Kindle eu tomei com a ajuda de amigas que me contaram suas experiências tendo e não tendo um dispositivo de leitura. Então, fica a dica: na dúvida, peça ajuda para pensar. Ou simplesmente não compre.

Comprar sem consciência é desvalorizar seu próprio dinheiro, e assim desvalorizar seu próprio tempo. Sim, o tempo investido para ganhar esse dinheiro. Eu me sinto muito mal quando faço uma compra não consciente. Quero, cada vez mais, diminuir os eventos que me fazem sentir assim e ter uma relação de clareza e tranquilidade com o dinheiro e o que ele pode proporcionar.

Você tem consciência dos motivos pelos quais comprou o que comprou nos últimos dias?

Photo by Porapak Apichodilok from Pexels

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