mergulhar

Há dias (meses?) venho me batendo com o incômodo de ver meu site parado. Meus projetos estão parados, e a cada momento eu dou uma explicação a mim mesma para que eles estejam parados. Bebê. Gravidez. Casamento. Muito trabalho. Pouco conhecimento. Pouco dinheiro. Indefinição. Etc. Etc. Etc.

Talvez você já tenha se sentido assim. Estagnado. Como um cachorro girando em volta do próprio rabo. Muito movimento – especialmente interno – muitos planos, mas sem sair do lugar efetivamente.

Minha mais nova justificativa é a reviravolta interna produzida pela maternidade. Nada mais faz o mesmo sentido. Não quero nada do que queria antes [será?], mas não sei o que quero. Não me lembro mais porque comecei tudo isso, não sei porque continuar. Você, inclusive, poderia me lembrar: por que o que escrevo aqui se conecta com você? Por favor [gentileza, caridade! rs] escreva nos comentários. Eu dizia isso hoje num #cafécomairmã.

Mas daí por aquelas sincronicidades maravilhosas da vida abri o email que a Marie Forleo enviou hoje, com uma entrevista com Seth Godin [obrigada, Marie!!!]. Há tempos ouço falar desse escritor e empreendedor, mas ainda não tinha entrado em contato com suas ideias. E o que ele dizia na entrevista me impactou demais, em diversos pontos. Vou compartilhar alguns, ainda sem muito refinamento pois acabei de assistir à entrevista.

Aliás, esse é um dos pontos: não espere pelo momento certo. Não existe o momento certo, porque todo momento é o certo. E eu sou a Sra. Momento Certo, muito prazer! Tudo que faço precisa ter uma aura de perfeição, de originalidade, de excelência. Você tem noção do quanto isso pode atrapalhar uma pessoa? Imagino que sim. A vida passando e eu aqui dentro da minha cabeça buscando a melhor forma ou a melhor hora de dizer ou fazer o que acredito.

Outro ponto interessante é quando Seth Godin diz que o sucesso é um processo de longo prazo, e não algo imediato. São muitos os passos que constituem uma carreira ou negócio de sucesso, e eles precisam ser dados continuamente, diariamente. É uma ilusão achar que algo incrível vai viralizar de uma hora para a outra. Existe trabalho, dedicação, ação.

E o que mais me impactou: pessoas deixam de agir por medo do julgamento. Fato. Não sei aí, mas aqui… completamente fato. Tenho tanto medo de ser julgada que deixo inúmeras ideias pra lá. Escrevo, apago. Mal tenho coragem de escrever num lugar qualquer o que passa pela minha cabeça. Desperdiço meu tempo. Passo horas escrevendo um simples post. Perco oportunidades de ouvir e ser ouvida. Perco oportunidades de me conectar com o outro. Perco.

No momento em que escrevo este post meu coração está acelerado, minha boca seca e a cada segundo penso: não vou publicar, não vou publicar, não vou publicar. É exposição demais. Vai parecer autopiedade, pedido por elogio. É fraco. Não tá bonito. O que as pessoas têm com isso? Ninguém vem aqui pra ler sobre mim. Não há como ajudar o outro com um texto desse. Etc. Etc. Etc.

Fecho os olhos, dou um grito e salto na água gelada. Bora ver se com o tempo fica mesmo bom.

PS: Estou publicando sem muitas edições, exatamente para exercitar o “feito é melhor que perfeito”. Já escrevi mil pedidos de desculpas ao longo do post e apaguei todos, pra tentar fazer uma coisa mais corajosa, quebrando meus padrões. Mas vai lá, pelo menos um: desculpe os possíveis erros, o tom, a pressa. Vai ficar tudo bem. Não vai?
Imagem: Pexels

 

21 comments on “Pensar menos, agir mais”

  1. Vívian,

    Continue publicando. Você é amor e luz para quem te conhece.
    Para mim uma referência de psicóloga, exemplo a ser seguido desde que lhe conheci.
    Fique firme querida!!!
    No final tudo dá certo.
    Beijos e saudades

  2. O que me faz ler seus posts é que eu gosto de conhecer o outro, sou curiosa mesmo, e te conhecer pelo que você se define é diferente pelo que eu cresci conhecendo. Cada café que eu deixo você falar (foi mal, sou de gêmeos mesmo!) mais sobre você e que me permito apenas ser ouvinte é como ler esse blog: me identifico. Daí posso contar minhas experiências, beeem diferentes das suas, e te ajudar também, como na maioria das vezes você faz, com cafés e posts. O que você precisa saber, assim… acho que já sabe, mas é lembrar de novo… é que a vida é feita de ciclos e esse cachorro mordendo o rabo uma hora percebe que não adianta e sai andando. Mas em determinado momento o rabo vai coçar de novo, mas por outro motivo, a pulga agora é outra, e ele vai rodar de novo atrás do próprio rabo… e assim vai. Importante é isso, fazer o que você tá fazendo, deixando a pulga pular do seu corpo colocando ele em movimento. :)

    • :) Deoris, tá vendo o que rende um café em que você me deixa falar e eu me deixo falar? hehehe! Troca, transformação, identificação (dos dois lados) e uma metáfora bonita assim como essa que você fez agora e que me deixou até emocionada. Obrigada por ser minha irmã e por fazer questão dos nossos cafés!

  3. Vivi não deixe de escrever mesmo em meio a nova rotina da maternagemXvidapessoal, pra além do ato de escrever vc sabe q é muito simbólico se não importante p quem lê e pra quem escreve vamos dizer “terapêutico”. Eu aprecio tanton escrever para o outro, pra mim mesma, mas há quantobtempo não consigo fazer isso, sinto saudades. Agora com a gravidez sinto que tudo que eu havia projetado para minha vidinha perdeu o sentido, estou tendo que reorganizar as coisas e redescobrindo novos gostos, desconstruindo algumas crenças. Tudo isso é confuso de mais ou trás uma insegurança, mas é a vida, não se esta pronto pra tudo e não se há certeza de nada.

    • Oi, Jéssica! Estou tentando escrever sim, e a cada dia que consigo sinto que era mesmo algo necessário. Escrever me alimenta, mas eu estava me esquecendo disso. É muito louco mesmo… a gravidez já nos “treina”, inserindo em nossas vidas mudanças que não podemos controlar. Talvez para que a gente vá se acostumando com a falta de controle e a mudança de perspectiva que a maternidade produz. A cada dia um novo aprendizado, uma surpresa. E a gente vai seguindo, né? Se precisar e quiser trocar umas figurinhas podemos conversar! :) Um beijo!

    • Que ótimo Vivi o que ando mais gostando de fazer ultimamente é conversar sobre o processo da maternidade, gosto muito de ouvir tmb, quem sabe te inspira para escrever mais sobre.
      Bjs.

    • Vai ser ótimo! :) Converse bastante mesmo, leia muito, vá a rodas de conversa. É tudo muito importante. Acho que me economizou metade dos grilos que uma mãe de primeira viagem normalmente tem! Bjs

  4. Ano passado, aos 21 anos descobri que tinha câncer. Um tipo qque demanda isolamento para tratamento. Eu trabalhava 12 hhoras por dia, falo muito e morava em um republica lotada de gente que falava mais ainda rs. Ou seja, eu tava totalmente acaacostumada ao barulho, agito e correria. Pensei: como eu vou ter sanidade isolada? Sem ver o sol e sem resolver 100 pepinos por dia? Nessa época eu virei frequentadora do seu espaço pelo título “viva a vida com sentido”. Eu pensei: é isso! A vida tá me dando a chance de pensar “será que eu vivo com sentido? Era essa a vida que eu ia me orgulhar de ter se eu morresse hoje? E dia após dia eu acompanhava as suas reflexões, ora tão iguais as minhas, ora tão diferentes e pensando” não sou a única que tá questionando o mundo,uffa!” e por muitas vezes vc foi um “incentivo”. Eu pensava quem foi a Vivi que eu conheci e quem era a escritora do blog. São pessoas bem diferentes. Uma era lagartinha no casulo e a outra é uma borboleta incrível. E me dava força pensar que a metamorfose é possível e que eu ia sair mais forte daquela situação. Gratidão e continue, seu propósito é enorme e vc tem uma torcida aqui

    • Oi, Ka! Dentro dessa menina de 23 anos mora uma anciã de 93! Você é de uma sabedoria cativante, viu? Eu fico muito feliz por ter tido essa função na sua vida e no seu tratamento por meio das minhas palavras. Saber disso me mostra que estou no caminho e me dá mais força para seguir. E muita gratidão pela metáfora linda! Realmente quando nos conhecemos eu era lagarta no casulo – em plena transformação, fechada em mim mesma. Agradeço pela sua companhia e respeito a esse momento. Eu SUPER acredito que a metamorfose é possível! A vida é constante metamorfose. Um beijo, com saudade de sentar com você e bater um longo papo sobre a vida!

  5. Oi professora querida.
    Não costumo deixar minha opinião, mas costumo ler tudo que publica.
    Não deixe de escrever, apesar de colocar nas palavras o que só você esta sentindo, você consegue sim se conectar e muito com as pessoas e entrar na vida delas e provocar mudanças.
    Seus textos são ótimos e muito reflexivos.
    Beijo grande!!!

  6. Todas as vezes que leio seus textos, eles parecem ser escritos para mim. Não há sensação melhor que escutar aquilo que preciso no momento que mais necessito. Enquanto lia o de hoje, pensava o quanto você escreve bem. O quanto a forma que você escreve transmite uma sensação de possibilidade. Possibilidade de agir, possibilidade de mudar, possibilidade de ser. Assim, só queria deixar meu muito obrigada pelo blog. Espero que você continue nos ajudando com suas palavras.

    • Luisa, muito muito obrigada! Eu vou continuar escrevendo sim, preciso disso. Só não estava muito claro o porquê ou pra quê, e seu comentário ajuda a clarear. Obrigada mesmo! Volta sempre, tá? Um beijo

  7. Vivi, ótimo post! Porém não cobre de você ações muito concretas nesse momento! A maternidade nos revira mesmo! Vc chegou a ler o livro “A maternidade e o encontro com a própria sombra”?
    Bjão!

    • Oi, Andrea! Obrigada! Sei que as ações concretas possíveis no momento são pequenas, estou tentando essas. Li o livro! Adorei e já recomendei pra um monte de gente. A Laura Gutman tem toda razão: a maternidade nos mostra todos os dias nosso lado mais sombrio, aquele sobre o qual evitamos pôr luz. De certa maneira, quando exponho aqui meu medo de julgamento estou fazendo isso: admitindo minha sombra. Sei que faz parte e que devo ter paciência com esse processo. Tentando! Obrigada pela ajuda de sempre! Bjs

  8. Acredite em você, mulher! Seu tempo, sua hora, é você quem faz! Nunca coloque o outro como o motivo da parada no seu trabalho. Você decidiu parar! Por um ou vários motivos, mas não foi o outro que te fez ou que pediu que parasse ! Foi tudo você! Viva sua vida, viva seus momentos! Seja a esposa, a mãe , a pessoa que desejar ser! Porque você quer ser e porque você decidiu ser!

    • Oi, Sheila! Sim, é verdade: a decisão é minha. Saber disso incomoda também, já que eu me dou diversas justificativas para empacar mas a mais verdadeira de todas é o tal medo do julgamento. E é esse medo que estou buscando encarar. Beijos!

  9. Ola Vivian ,! Como vai?
    Conheci você só agora , e seus posts tem me ajudado muito.
    Pois estou num momento da minha vida que tenho conhecimento do que fazer, porém meio estaguinada. E tudo o que acabou de dizer me vi aí.
    Obrigada por compartilhar seus conhecimentos. Beijos.

    • Oi, Michele! É muito bom saber que consegui me conectar com alguém, mesmo que seja por meio dos meus padrões “imperfeitos”. Estamos juntas! Vamos sair desse lugar e agir para o que importa, né? Um abraço forte!

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