Aprendendo com a febre

A doença é um grande professor. Mas até mesmo diante de um grande professor o aluno pode escolher aprender ou não.

Não acredito muito que adoecemos “para” aprender algo, mas sim que podemos aprender muito quando adoecemos ~ e em qualquer outra oportunidade na vida, a propósito.

Esta foi uma semana de adoecimentos na Casinha. Bebê, vovó e marido doentes, e eu forte, tocando em frente, cuidando de tudo, dormindo às 2h e acordando às 6h, fora as mamadas de madrugada. Super mulher.

Ilusão! (mais…)

A menina dança

Lembranças de um tempo em que a simplicidade do viver tomava conta. Espontânea no olhar, nas brincadeiras, no dançar em qualquer lugar, ao som da música que tocasse em sua imaginação naquele momento. Relações tranquilas, transbordantes de amor e alegria. Desapego [ou a santa ignorância] a normas de estilo, adequação social, certo ou errado. Simplesmente é. Naturalmente é.

Sorri sem se preocupar com o que vão pensar sobre seu rosto, seus dentes, seu nariz. A crítica ainda não chegou. Ingênua, livre, feliz.

Quisera essa ingenuidade e essa abertura para a vida nunca tivessem passado. Seria muito mais fácil hoje manter a paz interior, ser luz, projetar luz. (mais…)

Escolhe o amor

Diante de cada acontecimento da vida as pessoas tendem a responder de acordo com suas próprias histórias: os eventos pelos quais passaram, as regras que aprenderam, as lições que tiraram após passar ou ver outra pessoa passar por alguma situação parecida. De maneira que quando uma pessoa comenta sobre dado evento ela está, talvez sem saber, comentando sobre si mesma.

Eu procuro me lembrar disso quando ouço pessoas negativas ou pessimistas, que contam sempre a pior parte do acontecimento ou que fazem as piores projeções sobre o que pode acontecer no futuro. “Pense no que essa pessoa pode ter passado, Vívian. Coloque-se no lugar dela” – diz meu grilo falante. Não é fácil. Mesmo. Isso é tão diferente da maneira como penso e busco enxergar a vida que acabo caindo no julgamento e na esquiva do contato com o “pessimista”. Minha vontade é de ficar a quilômetros de distância. (mais…)

Você tem tido tempo para viver?

Eu faço grandes críticas ao volume excessivo de trabalho ao qual somos submetidos atualmente. A maior parte das ocupações exige dedicação de no mínimo 40 horas semanais, e tecnologias como internet de amplo acesso e smartphone sempre na mão ampliam ainda mais o alcance do trabalho sobre nossas vidas. É possível trabalhar o tempo todo se não impusermos alguns limites.

Eu amo meu trabalho. Mas eu não sou só uma trabalhadora.

Todas as vezes que permiti que o trabalho ocupasse tempo demais acabei por sentir que me faltava vida. Para mim não havia nada pior que chegar do trabalho, comer, tomar banho e dormir, pois eu sabia que no dia seguinte ia começar a trabalhar logo cedo de novo e sentia que todo o meu tempo estava sendo entregue ao meu empregador. Pensar que milhares de pessoas passam por isso todos os dias me corta o coração e me faz entender um pouco mais porque tantos se envolvem com substâncias psicoativas e comportamentos compulsivos. É a esquiva de uma vida limitada. (mais…)

Em caso de pane, máscaras irão cair

Estando você e outra pessoa em risco, de quem você deve cuidar primeiro?

A situação é delicada, e se torna ainda mais difícil se a outra pessoa for ou se mostrar incapaz de cuidar de si mesma sozinha.

As orientações dadas em voos comerciais são bem claras: em caso de pane, máscaras irão cair. Coloque uma máscara em si mesmo e somente depois ajude as pessoas que estiverem a sua volta. Eu costumava achar essa orientação tão egoísta! Tendia a pensar que se a pessoa está minimamente bem, ela precisa sim, cuidar do outro. O outro seria mais importante.

Mas será mesmo? (mais…)

Escrever é respirar

Sempre tive um namoro com as palavras. De certa maneira escrevo desde que aprendi a juntar letras e transformá-las em significado, história, sentimento. Sou de uma feliz geração que ganhava diários de presente – e de fato os utilizava para registrar momentos e impressões, alegrias e angústias. Ainda faço diário e recomendo sempre que o assunto se faz pertinente.

Minha geração viu também o início dos blogs, que eram bem diferentes dos de hoje. Havia poesia, fantasia, rica troca entre autor e leitores, muita exposição pessoal, mas com um propósito que era outro, menos líquido. Não havia o termo “blogueiro”. A blogosfera era uma linda rede formada por pessoas que pouco a pouco se tornavam amigas!

Acho que estou nostálgica! :)

Eu penso que a escrita – seja num diário “analógico”, seja num blog – proporciona autoconhecimento, expansão, presença. Escrever é como respirar, ação composta de contenção e expansão, trazer para dentro, processar gerando vida e cura, e então soltar. (mais…)

Toda forma de amor

O amor sem palavras no sorriso banguela daquele que aprende pouco a pouco que quando você diz que vai voltar você volta mesmo.

O amor na doação do seu tempo, do seu dinheiro, do seu trabalho, do seu talento, da sua atenção, da sua intenção [tudo junto ou só um deles] a alguém que se vê privado do básico para se ter alguma paz interior.

O amor puro e fraterno dito décadas depois, mas ainda atual, emocionando a quem diz, quem ouve e quem fica sabendo da história.

O amor em pelos, olhos grandes, ronronar baixinho e aconchego, dado por nada, só porque você existe. (mais…)

O que você vai fazer por si mesma amanhã?

Há alguns anos recebi no consultório uma cliente com diagnóstico de depressão. Recebo com frequência pessoas com esse diagnóstico, e adoro trabalhar com elas e vê-las desabrochar pouco a pouco e abrirem-se para a vida!

Essa cliente em questão tinha quase sessenta anos de idade, era casada, filhos adultos ainda morando em casa, dona de casa, boas condições sócio-econômicas. Era uma mulher batalhadora, companheira, dona de um senso de humor gostoso, que tornava muito agradável a tarefa de atendê-la e certamente facilitava sua convivência com os pequenos aversivos do cotidiano.

A despeito da minha pouca experiência na época, pude ver naquela mulher a quem todos diziam ~ter tudo~ e ~não ter motivo para estar deprimida~ um extremo cansaço. Cansaço da rotina de dona de casa, de esposa companheira, de mãe afetuosa e disponível – por décadas. Faltava-lhe brilho nos olhos. (mais…)

El presente es lo unico que tenemos!

Já fui muito apegada ao passado, ao que foi, às lembranças. Do tipo que guardava na agenda o papel da bala que chupei quando fui ao cinema com as amigas. [Quem nunca?] Momentos diversos, aos quais me agarrava como se fossem tesouros, preciosidades indispensáveis à vida.

Passava e repassava mentalmente o que havia dado certo, como havia dado certo, como eu poderia fazer para repetir e ter de novo aqueles momentos, aquelas pessoas. Ou, por outro lado, vivia remoendo e revivendo o passado numa autoflagelação pelo que não funcionou bem, pelas oportunidades perdidas, pelo que disse e, principalmente, pelo que não havia dito.

Da mesma maneira o futuro já fez parte das minhas pré-ocupações. O que quero viver? Quando? Onde? Com quem? Como? … Projetando cada detalhe, imaginando cenas, diálogos, sensações. Dispendia muito da minha energia controlando cada aspecto daquilo que eu gostaria de viver em alguns meses, anos, numa atitude para além de um planejamento saudável. Vivia sofrendo pela constante dúvida acerca da realização ou não de tantos planos e sonhos.

Hoje sei que eu era chamada algumas vezes a estar no presente. Mas talvez por inabilidade de quem convidava ou por pouca maturidade de minha parte para lidar com o incontrolável, eu recusava o chamado.

Estar no presente requer acolhimento, compaixão e coragem.  (mais…)

Lembrete para os momentos de “não-consigo-mais”

Você é mais forte do que você imagina.

Você é mais forte do que imagina o seu opressor.

Você é mais forte do que sua dor. Seu cansaço. Sua desesperança. Suas intrigas mentais.

Você consegue ir mais um pouco além, e merece ir, desde você não confunda expansão com violência. (mais…)