O dinheiro não tem valor por si só. Assim como um movimento por organizar-se financeiramente também não faz sentido se for feito mecanicamente. Não se trata só de números. Sua relação com o dinheiro diz sobre sua relação com outras questões da sua própria vida.

Seu extrato bancário mostra se você tem autocontrole ou se age por impulso, se valoriza mais as coisas ou as experiências, se pratica atos de generosidade ou não, se sabe dizer não a propostas que te fazem, se consegue se situar entre seus compromissos e o calendário. E muitos outros padrões, que eu não consigo citar aqui mas que talvez você já esteja identificando só de ler esse trecho.

Analisar seu extrato bancário pode ser um exercício interessante, portanto, para conhecer seus próprios padrões e clarear seus sentimentos em relação a si mesmo. Durante o preparo de uma Mentoria de Vida Financeira com Propósito me envolvi muito mais com a minha própria vida financeira e pude experimentar essa clareza.

Faço meu controle financeiro todos os meses, registrando dia a dia os gastos e as entradas de dinheiro. Utilizo tanto um aplicativo como uma planilha simples (à mão) no meu bullet journal. O aplicativo tem a facilidade de ser alimentado automaticamente com os dados bancários e de cartão de crédito, então não preciso me preocupar pois as informações estarão lá.

E esse foi o problema: eu estava fazendo o registro das minhas finanças de cada mês, mas quase sem entrar em contato com elas. Como quando se segue a vida fazendo tudo, mas sem se ter uma visão do todo, sem se situar exatamente onde está e porque está nesse lugar.

Daí que, inspirada pelos estudos para a Mentoria, resolvi criar com meu marido uma planilha dos gastos do casal e realmente me envolver no preenchimento e análise das informações registradas lá. Até então fazíamos tudo separado, e queremos agora ter uma visão de como é nossa vida financeira. Isso é importante quando se quer estabelecer metas, por exemplo. Saber onde está sempre ajuda na definição de aonde ir.

O maior envolvimento com as planilhas – sozinha e com meu marido – me permitiu identificar uma série de padrões meus, alguns que até então nunca haviam sido muito claros para mim. O processo de identificá-los não foi nada agradável, mas extremamente útil, por isso compartilho aqui. Quem sabe gera alguns insights por aí também?

Padrão 1: Dificuldade de ser vulnerável diante de uma pessoa próxima.

Eu sei que, por diversas razões, minha vida financeira atualmente não é como eu gostaria que fosse. Eu não estou feliz com o fluxo de entradas e saídas de dinheiro. E me sentir assim me faz me sentir muito vulnerável porque toca em um valor muito importante para mim, que é a autossuficiência. Eu até consigo lidar razoavelmente bem com essa vulnerabilidade enquanto somos só eu e ela… afinal são anos de luta para se sentir suficiente na vida. Mas é muito complexo deixar que outra pessoa, especialmente muito íntima como meu marido, veja a minha insuficiência expressa em números. O que eu sinto e que talvez você sinta também é que o risco envolvido na exposição das minhas falhas é diretamente proporcional à importância que a pessoa tem na minha vida. Caso ela desista de mim ao conhecer minhas limitações a perda será grande demais, e isso é insuportável e precisa ser evitado.

Padrão 2: Persistência diante do que não vai bem.

Esse poderia ser um bom padrão, se não fosse exagerado. Não desistir quando algo vai mal é bastante importante, já que há mesmo um ciclo natural na vida em que ora as coisas estão muito bem, ora há problemas. Persistir nos possibilita passar pela fase ruim e alcançar a fase boa. A minha tendência é tentar mais um pouquinho, mudar só um pouco a estratégia, forçar um pouco mais… até que o limite chega e a situação fica insustentável. Refleti, a partir dos meus dados da planilha, que é preciso saber abrir mão das estratégias que não estão funcionando. É preciso saber deixar ir situações ou pessoas que não estão contribuindo mais para nosso bem estar geral, antes que fique tudo péssimo e insuperável.

Padrão 3: Pensamento excessivo nas necessidades do outro.

Esse padrão é o que está por trás da minha falta de ação quando o que está em jogo afeta negativamente outra pessoa. Em diversas situações, das mais simples às mais complexas, sustentei uma condição ruim para mim em nome do bem estar do outro. Isso poderia ser louvável, e penso que precisamos de mais pessoas no mundo que pensam no outro antes de tomar decisões ou atitudes. Mas na prática não é, porque passa dos limites da dignidade, do amor próprio, do respeito por mim mesma. Há aquele ditado que diz para enchermos nosso próprio copo de água antes de dar ao outro, e assim nunca nos faltará água, nem ao outro. Venho percebendo (já não era sem tempo) que me ocupo mais em encher o copo alheio que o meu, e isso não está legal.

Bem, foram muitos padrões identificados e esse post já está bastante extenso. Os outros padrões serão abordados em outro texto, ok? De qualquer maneira, espero que o que compartilhei aqui já esteja te ajudando a olhar para a situação financeira como uma metáfora do seu relacionamento com o mundo, as outras pessoas e você mesma. Confesso que admitir esses padrões não foi fácil e que pensei mil vezes antes de escrever e publicar esse post, então te entendo bem se estiver aí morrendo de vontade de mudar de assunto e pensar em outra coisa mais agradável!

Continuar refletindo a respeito, e principalmente, buscar maneiras de alterar esses padrões para um jeito mais funcional de se relacionar com a vida é o nosso desafio. Vamos lá?

No dia 31 de outubro vou fazer uma Live no Facebook para conversarmos a respeito de dinheiro, felicidade, propósito e maneiras de gerar mais prosperidade. Curta a fanpage do Viva Com Sentido e ative as notificações para ser avisado sobre o horário e outros detalhes! Te aguardo!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *