A abertura ao outro é necessária para perceber que a diversidade dos universos complexos que são os outros (ou que somos todos) é intrigante e inspiradora.

Não sei se estou muito sensível, chata, se é a lua ou os astros, ou até mesmo se estou responsabilizando a insensibilidade alheia para me manter numa “zona de conforto”. Mas vivenciando e observando as relações por aí, a pergunta se faz a todo momento: onde está a empatia?

Onde está a capacidade de se colocar no lugar do outro, de imaginar o que o outro possa estar sentindo em determinada situação? Onde está a interação sem julgamento?

Percebo a maior parte das pessoas tão voltadas para seus próprios problemas que não consideram que outras possam estar buscando meios de se resolver também e que gostariam de receber ajuda. Às vezes até pedem, mas há “surdos” demais à sua volta.

Ou pessoas que não têm grandes problemas e se guardam no mundo cor-de-rosa. E que a partir desse mundo rosa nem ao menos conseguem considerar que a realidade do outro exista sim, e que dar um nome a essa realidade é um jeito de torná-la mais visível e algo a ser combatido. Não se trata de exagero, ou de utilizar certas palavras para classificar situações “porque está na moda” ou “porque agora tudo é isso”. Vou dar uma dica: não é porque nunca aconteceu com você que tal situação não exista.

Pessoas que ditam normas, regras, emitem julgamentos ou mesmo descrevem a sua própria realidade como um modelo a ser seguido, se esquecendo completamente que a realidade do outro possa ser diferente e que possam ser necessárias estratégias diferentes para implementar qualquer mudança. Regras e metas muito fora do possível podem (e frequentemente são) opressoras e produtoras de fracasso e desistência.

Pessoas que se esquecem da delicadeza no trato com o outro e dizem verdades já duras de um jeito tão pouco cuidadoso que só tendem a produzir mais dor e mais inação.

É preciso olhar o outro. Olhar em seus olhos, de forma a estabelecer conexão de verdade. Se colocar no lugar dele e buscar imaginar ou identificar quais são suas dores, suas dificuldades e também seus recursos. Muitas vezes, perceber-se compreendido já é por si só um importante recurso rumo à mudança.

Para olhar o outro é preciso parar de olhar exclusivamente para o próprio umbigo. Pode incomodar, pois o mundo não é só beleza e semelhança. Então é preciso coragem. Mas há beleza na diferença, há pontos comuns na diversidade. E adentrar no universo alheio é uma das coisas mais enriquecedoras que um ser humano pode fazer por si mesmo pelo outro.

Você exerce a empatia nas suas relações?

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