Há algo de muito sagrado na maternidade. Mas nós mães não somos santas. E não sei sobre as outras mães, mas eu não quero ser santa. Ou melhor dizendo: eu não quero ser só santa.

A sacralidade da maternidade está nesse mistério enorme de gerar uma vida dentro de si. Ter seu corpo todo voltado para a criação dessa pessoa, tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Para além do biológico (e talvez com a participação dele), a conexão psicológica que vai se formando à medida que as semanas vão se passando e que se intensifica depois de ter o filho nos braços. É sagrado porque nos transcende, porque o filho sou eu e é além de mim. Muito além.

Se nosso objetivo nessa Terra é experimentar uma vida material e nos conectarmos com o todo, poucas circunstâncias na vida nos colocam tanto na realidade ao mesmo tempo em que geram tanta união e expansão.

O sagrado está também na capacidade de amar uma pessoinha mesmo que não tenha sido gerada em nosso corpo, mas escolhida pelo coração, pela vida, pelas circunstâncias. Amar alguém por escolha e prática diária é ainda mais misterioso e bonito.

Mas santas não somos. Puras, também não. Não somos santas nem só puras. Continuamos sendo as mesmas mulheres de antes, no sentido de sermos imperfeitas, incompletas, cheias de crenças, neuras e padrões. A maternidade não apaga nossos defeitos, como um photoshop comportamental que ilumina e dá um blur em cada ação que fazemos.

Temos desejos. Algumas mais, outras menos. Algumas logo, outras depois de um longo tempo. Temos sonhos, necessidades, medos e mágoas. E apesar de sermos as mesmas, somos outras.

Talvez um dos fatores que geram tanta confusão para a mulher recém mãe seja essa prática de nos rotular, de separar as coisas. A necessidade de nos dividir entre santas e não santas. Ou a mulher se volta completamente para seu filho e é uma boa mãe ou continua tendo interesses em outros aspectos da vida e é uma mãe ruim. E aí se esquece de si mesma, deixa o autocuidado para depois e é julgada por não ser mais atraente sexualmente como era antes.

Essas questões ainda são um tanto confusas para mim, já que estou bem no meio delas. Para maior compreensão sinto que é necessário um certo distanciamento. Mas sinto que precisamos desromantizar a maternidade, desidealizar o papel da mãe. Tanto ideal e romantismo nos separa da complexidade que somos, e nos faz buscar uma experiência que não é verdadeira e não vai acontecer nunca.

Qual é a sua visão sobre a maternidade?

Obs.: Escrevi esse post a partir de uma sugestão da Kamilla, amiga querida e leitora assídua desse espaço. Obrigada pela sugestão, Ka! Sinto que ainda posso desenvolver mais o tema, mas para isso preciso refletir mais sobre ele também. Quem sabe gera outros posts? :)

Se você tem sugestão de temas para nossos posts, deixe nos comentários ou envie um email para vivian.marchezini@vivacomsentido.com.br Vou adorar atender!

 

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