De todas as ferramentas de autoconhecimento e transformação a que tive acesso nos últimos anos, o kundalini yoga foi a mais significativa e efetiva para mim. O dia em que conheci o kundalini yoga me marcou profundamente. Foi como se minha alma tivesse finalmente encontrado seu caminho. Era setembro de 2010 e por acaso (?) recebi de um amigo a divulgação do Yoga Para Todos. Esse evento era comemorativo ao Dia Nacional do Yoga e aconteceria no Parque Ecológico da Pampulha. O parque havia sido inaugurado há pouco tempo, eu estava doida para conhecer lá e muito necessitada de alguma paz.

Eu já vinha tentando praticar yoga em casa, a partir das poses publicadas numa revista. Me sentia bem praticando, pelo alongamento promovido e pela concentração que requeriam. Me lembro bem da pose da árvore, que só conseguia manter se não pensasse em absolutamente mais nada além daquele ponto no horizonte para onde precisava olhar. Em meio a dias de pensamento muito acelerado, não pensar em nada por alguns segundos era como desligar um aparelho barulhento e finalmente ouvir o silêncio.

Então resolvi ir até o parque naquele sábado. Quando cheguei as pessoas já estavam todas sentadas em seus tapetinhos (e eu não tinha levado um, apesar do aviso no folder). Meio constrangida, tirei meus sapatos e fui me assentando no chão, mas uma senhora ofereceu espaço no tapete dela e me sentei lá.

A aula já havia começado, mas ainda estava no que, depois fui aprender, eram os mantras de abertura. Eles são entoados para nos conectar com a sabedoria universal e ancestral, que reside em nós, e então promover projeção e proteção. Me ajeitei e ouvi a professora dizer que colocaria o mantra e quem soubesse poderia entoar junto. E então começou a tocar o mantra Mangala Charan.

Eu me arrepiei inteira e comecei a chorar. Lágrimas gordas brotando dos meus olhos, numa emoção boa de sentir. Por um instante me perguntei o que estava acontecendo comigo e que emoção seria aquela, mas logo concluí que não interessava o que estava acontecendo. Eu estava emocionada, e, se fosse para chorar, então eu choraria. A emoção foi diminuindo e ficou a sensação gostosa no coração. Eu nunca tinha ouvido aquele mantra e não tinha a menor condição de saber o que ele significava, pois o idioma era completamente desconhecido para mim, impossibilitando qualquer tradução ou entendimento. Mas ele me tocou.

Em seguida a professora começou a ensinar a pose, que era bem diferente do que eu esperava encontrar numa aula de yoga. Vigorosa, como movimentos fortes de bater os cotovelos contra as costelas. Achei estranho, mas fiz. Aquilo durou talvez uns dois minutos, ou três. Então ela deu o comando para parar o movimento, inspirar, expirar, relaxar a pose. Nunca me esqueci das palavras da professora: “Mantenha seus olhos fechados por uns instantes e fique com você“.

Ficar comigo mesma era tudo que eu precisava naquela época mas não conseguia fazer em paz. E ouvir aquele comando foi como se tivessem iluminado uma saída para o labirinto emocional que eu percorria nos últimos meses (ou anos). A saída era ficar comigo mesma! Era tão simples, tão acessível. E eu senti um contentamento, por estar comigo mesma, por sentir meu corpo diferente, por sentir minha respiração, por saber que me era permitido fechar um pouco os olhos e contemplar.

Existe uma lenda no kundalini yoga que diz que a alma só aceitou vir para a Terra e experimentar a vida material depois que Deus garantiu que ela encontraria na Terra um professor que a ajudaria a se lembrar de sua verdadeira identidade e a se conectar com ela. Naquele sábado de sol minha alma vibrou em minhas células porque reconheceu seu professor e o caminho de casa.

Eu sou muito grata por ter recebido aquele convite, por ter ido até lá ao invés de ficar dormindo em casa, por ter me aberto para a experiência e por ter sido sensível aos sinais que meu corpo deu de que aquele som falava comigo de maneira profunda e de que ali era meu lugar. Eu me encontrei, enfim!

Você já se encontrou por aí? Consegue identificar o momento em que isso aconteceu?

Mensalmente vou escrever aqui sobre minha relação com o Kundalini Yoga. Reflexões, experiências, aprendizados. Se você tem sugestões para o conteúdo, deixe nos comentários! Vou adorar saber e atender no que for possível! Sat Nam!

Imagens: (1) Loe Moshkovska de Pexels (2) Arte sobre imagem de Pexels

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