Eu acredito que o processo de crescimento pessoal deva envolver um delicado equilíbrio entre o esforço e o conforto.

Entendo que para crescer (em qualquer aspecto) devemos nos esforçar para agir de maneira diferente da que estamos habituados. Fazer mais, ou mais forte, ou por mais tempo, ou numa nova situação, ou utilizando um recurso diferente. É como diz aquela frase cuja autoria eu não sei (atribuem a tanta gente), mas que é bem lógica: “se você quer resultados diferentes, precisa ter ações diferentes”.

A zona de conforto é esse lugar onde sabemos o que fazer e como, onde nos sentimos confortáveis pelo pouco esforço que despendemos, mas que também não nos acrescenta muita coisa em termos de desenvolvimento. Na zona de conforto agimos sempre do mesmo jeito, e temos sempre os mesmos resultados.

Então crescer implica sair da zona de conforto. E implica, portanto, desconforto e dor.

O equilíbrio que acredito ser necessário num processo de crescimento viria exatamente na tentativa de agir diferentemente sem, no entanto, gerar dor demais. Digo isso porque muitas vezes nos colocamos em situações desafiadoras que estão bem além de nossas capacidades atuais, produzindo não só a dor envolvida no fazer mas também a frustração por não ter conseguido.

Continuar estacionado na zona de conforto não nos permite crescer. Mas por outro lado o esforço excessivo suga nossas forças, dificultando a caminhada rumo ao que podemos ser de melhor. Como resolver então?

Tenho um palpite, baseado no que venho experimentando em meu próprio processo de crescimento e em minha experiência como psicóloga. Aliás, são dois: gentileza e propósito.

Ser gentil consigo mesmo quando se está numa situação desafiadora consiste em saber reconhecer quando o esforço está demais e dar-se um tempo.

Um tempo de descanso, de retomada do fôlego, de reavaliação da estratégia. E ser gentil consiste também em exigir de si aquilo que se sabe ser capaz de fazer com os recursos pessoais que dispõe: nem demais, nem de menos.

E o propósito – que é aquele valor maior pelo qual você age – ajuda nos momentos em que você pensa em desistir por estar difícil demais, demorado demais, chato demais.

Pensar no seu propósito e em como essa ação te conecta a ele é um combustível poderoso para seguir em frente.

Essas estratégias – gentileza e propósito – são aplicáveis a inúmeras situações. Eu mesma procuro aplicá-las tanto no trabalho como na atividade física, passando por relações interpessoais e até mesmo minha relação comigo mesma. Lembrar dessas estratégias não é automático, nem fácil. Como quase tudo na vida que nos leva a um lugar melhor, requer prática. Mas tem valido a pena.

Você se depara com os conflitos entre esforço e conforto no seu crescimento pessoal? Como você os resolve?

Photo by Tobi from Pexels

3 comments on “O delicado equilíbrio entre o esforço e o conforto”

  1. O equilibrio e o desejo de fazer diferente: Vc tenta, tenta, tenta mais um tiquinho, pois acha que será realmente “aquele último fôlego” que vai te levar ao sucesso. As vezes insistimos tanto em uma situação, que nem percebemos que foi resolvida… e ai o prazer da vida se foi naquele “”último tiquinho” Perdemos grandes oportunidades perecendo na zona de conforto. Invente, tente, faça diferente”

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