Você é do tipo de pessoa que “faz a hora” ou que “espera acontecer”?

Eu era totalmente uma pessoa que faz a hora. Queria estar sempre no controle de tudo que acontecia ~ e aconteceria ~ na minha vida. Muitos planos, bem detalhados que era pra nada dar errado. Já falei sobre isso aqui. Poucos riscos ~ só os calculados ~, muitas regras. A flexibilidade de um cabo de vassoura. O bom disso? Me tornei uma boa previsora de comportamentos e uma pessoa com excelentes habilidades para realmente fazer acontecer muito do que eu queria ou do que me pediam ajuda para acontecer.

Funcionou por muito tempo, afinal se manteve por muitos anos em meu repertório.

Acontece que em determinado momento da minha vida aquele controle todo foi parando de funcionar. As consequências que eu produzia por meio do meu comportamento de controlar ou já não me satisfaziam ou me machucavam muito. Comecei a encontrar muita resistência das pessoas, que não queriam ser controladas por mim ou entrar nessa vibe de saber tudo sobre como será amanhã. E com um pequeno problema: entre as minhas regras todas não havia nenhuma que dizia o que fazer quando não se pode mudar a situação ao redor. Ou até havia: tenha paciência. E embora eu fosse reconhecida como alguém muito calmo e paciente, paciência estava frequentemente em falta no meu estoque de habilidades.

Foi quando eu entrei num longo processo {de anos} de aprendizado de abrir mão do controle e passar a viver um dia de cada vez. Aceitando o que dava certo e o que não dava certo {no longo prazo a gente vê que tudo deu certo}, cuidando para estar mais em mim do que no outro, mais no presente do que no passado ou no futuro. A yoga e a meditação foram ferramentas poderosíssimas para o meu aprendizado, e posso dizer que passei por uma enorme transformação pessoal. Quem me conhece há cinco ou dez anos pode comprovar.

Eu vivi essa transformação vagarosamente, passo a passo. A yoga catalisa muita coisa, mas não posso dizer que tenha sido ~ empurrada ~ para a mudança. Ninguém me forçou a nada. Simplesmente o jeito anterior parou de fazer sentido, e eu precisei ir construindo um novo, com muita gentileza para com essa nova pessoa. Ir construindo, no gerúndio mesmo, porque, como já disse, foi um longo processo.

Desde então eu percebo que algumas mudanças na minha vida acontecem muito rapidamente. Outras levam mais tempo para se concretizarem. E está bom assim, sabe? Está natural, fluido. Não me violenta. E de tempos em tempos, se eu sinto que é hora de dar um gás, é isso que busco fazer.

Então isso tudo casa muito bem com uma frase que ouvi outro dia de um pediatra na tv: “Apressar a mudança provoca muito mais danos do que deixar com que ela aconteça, mesmo que pareça um atraso“. Ele falava sobre o desfralde, mas isso cabe para um milhão de contextos, não só relacionados a crianças.

Assim, se posso te dar um conselho, eu diria: apure bastante seu autoconhecimento, porque assim você será a melhor {ou a única} pessoa com autoridade para te dizer quando é momento de se apressar e quando é momento de deixar o rio correr.

Imagem: Pexels

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