É sempre assim: entra o mês de outubro e inevitavelmente somos inundados por alusões ao dia das crianças. Diante das vitrines cheias de brinquedos e da timeline das redes sociais repletas de fotos de crianças (é até difícil identificar os amigos com aquelas bochechas rechonchudas, janelinhas e marias chiquinhas!) algumas pessoas se lamentam pelo ano que ~já chegou ao fim~ e pelos projetos não realizados, enquanto outras se inspiram com o modo infantil de ver a vida e se abrem para novas oportunidades. De que lado você está?

Editorial de Outubro/2015

Um aspecto importante que diferencia adultos e crianças é a ingenuidade. Por ingenuidade não quero dizer falta de esperteza, ou incapacidade de estar no mundo de modo eficiente. ~É isso que, nós adultos, costumamos evitar ao recusar firmemente o título de ingênuos~.

A ingenuidade que as crianças têm e que muitos de nós adultos perdemos é a habilidade de olhar para o mundo como se o víssemos pela primeira vez. 

Você já observou uma criança entrando num lugar novo? Ela olha para todos os lados, observa cada canto, cada detalhe, se maravilhando com tudo aquilo que é diferente do que ela conhece, mas também com tudo aquilo que é parecido com o que ela conhece. “Olha, pai, igual o lá de casa!” A mesma coisa com pessoas, animais, sabores, cheiros. Tudo é novo, tudo é incrível, empolgante e intrigante!

Não por acaso, o mundo de uma criança é, geralmente, bem mais interessante que o mundo de um adulto. Este já fechou seus olhos (e todos os outros órgãos de sentido) para as pequenas variações entre os dias, entre as pessoas, entre suas próprias experiências. A vida é morna, ou meticulosamente controlada para ter sempre a mesma temperatura, o mesmo sabor, a mesma cor. E se estiver diferente demais, entorpecentes são bem vindos (álcool, drogas, fármacos, relações insignificantes, internet, tv…).

Neste mês de Outubro quero te convidar a repensar seu modo ~todo dia ela faz tudo sempre igual~ de ver e viver a vida. Quero te convidar a experimentar olhos infantis novamente, e se permitir vivenciar o encantamento com os eventos cotidianos, ver a beleza que se esconde por trás das lentes embaçadas da vida adulta e experimentar de novo aquele brilho nos olhos que você perdeu com o passar dos anos.

Você vem comigo?

Um forte abraço, com amor,

Vívian

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