Ser mãe transformou e tem transformado a minha vida de diversas maneiras. A dedicação que um bebê exige e que eu me propus a oferecer faz um enorme sentido numa perspectiva mais ampla, mas também me sufoca muitas vezes e me faz enxergar nada mais que o cansaço expresso nas minhas olheiras.

Me vejo entre as demandas da maternidade e faço um movimento de ajuste de foco. Focalizo nas mães à minha volta e sinto gratidão profunda por, por exemplo, nunca ter precisado enfrentar uma doença séria com meu filho. Daí mudo o foco para o meu dia a dia e sinto enorme incômodo pelas noites em que ele me demanda mais e eu não posso descansar bem, só para citar um.

Sei que a perspectiva é importante para me situar e não sucumbir com os problemas cotidianos. Acho que posso enlouquecer se eu não me lembrar do porquê escolhi viver uma maternidade ativa e consciente, criar meu filho com apego e abrir mão de algumas facilidades. Posso me afogar em poça d`água se não levar em consideração as enormes dificuldades de diversas ordens que outras mães passam e eu não.

Mas também não quero desqualificar o que sinto todos os dias e o que outras mães sentem. Por isso não posso deixar de olhar aqui bem perto, debaixo do meu nariz. Cada experiência nessa vida importa, por nos afetar de alguma maneira. Uma doença grave ou a milésima vez que o filho se recusa a descer do armário da cozinha são experiências que nos desafiam, sim.

O que talvez eu precise me lembrar é que as coisas têm o peso delas mesmas e recebem ainda o peso que damos a elas. Isso é o que diferencia a dor do sofrimento. Se a cada vez que peço ao meu filho para descer do armário eu me lembrar de que ele está aprendendo a explorar os ambientes, os riscos, os limites e que eu mesma já subi onde não deveria inúmeras vezes, ainda assim será chato, mas será só isso. Dor. Por outro lado, se eu encarar a situação como uma prova inequívoca de que eu não tenho moral nenhuma com meu filho de 1 ano e meio, que ele está me testando e que eu não tenho capacidade para ser mãe, vai ser difícil seguir o dia e menos ainda cuidar dele até os 18 anos (porque virão mais um zilhão de situações como essa). Sofrimento.

Considerando que a todo momento vai haver ao menos um desafio para enfrentar, se a carga da maternidade parece pesada demais, talvez seja momento de avaliar meus recursos para suportar tal peso. Será que preciso me fortalecer? (Sim!) Descansar? (Sim!) Dividir o peso com alguém? (Siiiiim!) Concentrar em algo que me ajude a sustentar? Será que é uma situação (exigência / regra) que precise mesmo ser mantida, ou posso simplesmente abandoná-la? O que me mantém aqui nessa situação (ou: que consequências eu produzo quando ajo como estou agindo)?

Talvez a maternidade possa ser vivida sem tantos questionamentos e sem esse exercício de perspectiva. Talvez seja mais leve sem eles. Mas eu não consigo me desvencilhar da ideia de que a experiência de ser mãe me foi dada como uma oportunidade para o meu crescimento. Como mãe eu sou desafiada diariamente a olhar para mim mesma e me melhorar. E eu não quero perder essa chance tão preciosa. Não é sempre que lembro de parar e me questionar, ou de olhar mais amplamente, mas quase sempre os momentos em que me sinto perdida são aqueles em que não faço isso.

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A maternidade tem sido algo que perpassa quase tudo o que faço, vejo ou penso desde que soube que estava grávida. E bem mais fortemente desde que meu filho nasceu. Percebi que não fazia sentido que aqui no blog eu falasse tão pouco sobre isso. Eu penso muito sobre a maternidade, mas ainda não havia escrito sobre ela, então peço seu perdão se os textos ficarem confusos no início. Não pretendo transformá-lo em um blog sobre maternidade (quero pensar e produzir outras coisas também!), mas vou passar a abordar o assunto quinzenalmente a partir de agora.

O que você gostaria que eu abordasse com relação à maternidade?

 

Photo by Josh Willink from Pexels 

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