Falar de amor e agir com amor deveria ser algo natural. Ou talvez até seja, pois se a gente observar não há ser mais amoroso que um bebê recém nascido. A maneira como o bebê olha para sua mãe, como ouve sua voz, como toca e se permite ser tocado… é o amor encarnado, independente da situação em que foi concebido, gestado ou parido.

Mas parece que a gente vai perdendo essa naturalidade ao longo da vida, com as quedas e feridas que vamos sofrendo. Diante das agressões de toda ordem impostas nas interações com o mundo (recusas, ausências, privações, palavras, olhares ou contatos físicos violentos), grande parte de nós se retrai. E retração não combina com amor, pois amor é expansão, abertura, braços abertos e mãos estendidas. Então, retraídos, deixamos de falar de amor e de agir com amor.

E as relações se tornam superficiais, entremeadas por barreiras de defesa contra novas agressões. Passamos a viver munidos de espinhos e farpas e venenos, prontos para dispará-los ao menor sinal de perigo (leia-se: falta de amor).

Falar de amor e agir com amor tem sido um desafio para mim, por esses motivos mencionados acima. Não consigo identificar muito bem quando, mas sinto que minha espontaneidade e minha expressão de amor foram sendo tolhidas, acompanhadas de vergonha, e então aos poucos fui reduzindo, reduzindo… até passar a falar bem pouco, e o pouco dito ser sobre outros assuntos, sob filtros e máscaras e escudos. Talvez você viva isso também: pensar uma tonelada e dizer meio quilo. O anonimato da internet me ajuda a liberar um pouco mais meus pensamentos – não à toa mantenho blogs há mais de quinze anos. Mas agora me proponho a, com muita gentileza e autoamor, me colocar mais num blog que tem mais visibilidade e que é atrelado ao meu papel profissional.

Eu acredito no amor. Acredito que quando o amor e a compaixão permeiam nossas ações, muito pouca coisa pode dar errado, mesmo quando não saem exatamente como a gente planejou. Então quando escrevo aqui procuro colocar o meu amor em cada frase. Correndo o risco de parecer piegas, pouco profissional, informal demais… E apesar do risco, o que venho sentindo é que os textos que escrevo com mais amor, mais abertura, mais verdade (a minha verdade), são aqueles em que há maior conexão com você que me lê.

A beleza de se escrever com amor está exatamente na conexão que o amor promove. Está em me conectar com o seu amor – e com a sua dor, está em me conectar com o amor de outras pessoas que também escrevem assim internet afora nos blogs da vida (a chamada blogosfera). E graças ao Universo, escrever assim e ler quem escreve assim me distancia das agressões que infelizmente existem pela internet. Quero crer também que além de me distanciar do que não me acrescenta ou aquece o coração, também tem um efeito de amenizar ou neutralizar a vibração pesada que tanta agressão gera.

Vamos nos conectar pelo amor? Nas palavras, nas ações, nos olhares, na escuta, no cuidado. Com o outro, com a gente mesma, com o mundo que nos cerca. Não há de ser a coisa mais fácil do mundo, mas com certeza vale a pena!

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Este post faz parte da blogagem coletiva Amorzices, que é um projeto mensal criado pelo trio Sernaiotto Serendipity Desancorando e que terá um tema de base: amor. O tema de novembro é amor na blogosfera.

Photo by Samer Daboul from Pexels

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