E devo confessar que preciso me lembrar todos os dias de que a minha história é só minha. Que não há mais ninguém no mundo como eu – nem melhor, nem pior. Que me comparar com os outros, seja me colocando acima deles, seja me diminuindo, não me ajuda em absolutamente nada.

Futebol é, para muitas pessoas, puro entretenimento. Eu gosto de assistir às transmissões, embora não assista com muita frequência. Durante a Copa do Mundo, por exemplo, assisti a poucos jogos, e fiz algumas reflexões que gostaria de compartilhar com você. Vem comigo?

A copa do mundo de futebol é um dos maiores eventos esportivos do mundo, mexendo com as paixões de inúmeras pessoas. Por ser muito popular no Brasil, é comum vermos o futebol ser utilizado como metáfora ou idealização da vida fora dos campos. Fiquei pensando nessa questão após a final do campeonato, disputada entre Alemanha e Argentina. O semblante dos jogadores argentinos, especialmente de Lionel Messi, eleito pelo menos três vezes como melhor jogador do mundo, era de absoluta tristeza e decepção com o segundo lugar. Nem o troféu de melhor jogador da copa conseguiu colocar um sorriso no rosto do jogador.

Houve também a derrota da seleção brasileira no jogo de semifinal, tornando-a apta a disputar o terceiro lugar do campeonato (também perdido), que aponta para aspectos interessantes sobre a maneira como lidamos com vitórias e derrotas. “Terceiro lugar? Quem se lembra do terceiro lugar de um campeonato? Só o ouro importa! Melhor nem disputar…” Essas foram algumas frases que ouvi e que me fizeram parar e refletir, não sobre futebol ou campeonatos milionários, mas sobre a competição da vida “real”.

De uma maneira cada vez mais generalizada, somos convencidos de que precisamos nos destacar dentre as outras pessoas, sendo a criança mais esperta, o melhor aluno, a menina mais popular, o primeiro lugar no vestibular, a mulher do corpo mais perfeito (e magro) ou o dono do carro mais caro, o melhor profissional da empresa, etc., etc., etc. … A lista de competições nas quais entramos e/ou somos colocados é gigante e não para de crescer!

Mas o problema da competição da vida real é que nela, ao contrário do que ocorre nas competições esportivas, ninguém ganha!

Você já parou para pensar sobre isso? Vejamos: o “perdedor” perde por passar a vida se comparando com o outro, tentando ser alguém que não é, ter bens dos quais não precisa, vivendo uma vida que não condiz com o que acredita. Ele deixa de valorizar o que efetivamente tem e é, e ajusta seu foco naquilo que não tem ou não é. É uma vida de frustração.

E o vencedor, também perde? Sim, pois acredita que só terá algum valor, só será amado, se vencer e enquanto vencer. E então fracassar tem, para ele, uma implicação enorme, gerando perfeccionismo, procrastinação, pouca autonomia e, quem diria, baixa autoestima. É uma vida de medo.

É possível que você já tenha ocupado esses lugares algumas vezes na vida. Como desempenhamos vários papéis, não é incomum que em algumas áreas da vida ou em alguns momentos sejamos os “vencedores” e em outros sejamos “perdedores” ou meramente “quase” vencedores. Dessa forma é possível que você já tenha também vivenciado os sentimentos que acompanham essas posições, e tenha se perguntado sobre a origem da sua constante sensação de não ser suficiente.

Eu já. Muito. Profundamente.

E devo confessar que preciso me lembrar todos os dias de que a minha história é só minha. Que não há mais ninguém no mundo como eu – nem melhor, nem pior. Que me comparar com os outros, seja me colocando acima deles, seja me diminuindo, não me ajuda em absolutamente nada. Pelo contrário, só me atrapalha a utilizar plenamente meus recursos, a aprender com minhas limitações, a me abrir para as possibilidades.

Preciso diariamente me lembrar que meu valor está em ser quem eu sou, e não nos sucessos ou fracassos que coleciono.

A competição, que se baseia na comparação, é um grande equívoco! Para ser feliz e viver uma vida com sentido, será mais útil deixar os pódios de lado e viver o SEU melhor. Ouse errar, acolha seus erros, aprenda com suas dores, celebre as conquistas!

Quando você sabe o que é importante para você, ou seja, quais são seus valores, estes passam a nortear suas ações e dão sentido aos erros e acertos.

Você sabe o que é importante para você? Como você lida com a competição e a comparação? Escreva nos comentários!

2 comments on “Em que lugar do pódio você está?”

  1. Adorei “em que lugar do pódio você está” e tenho uma encomenda: o que você tem a dizer sobre a vaidade? Ela está ao lado da competição? É realmente o pecado que o diabo mais gosta? Se quiser e quando puder! Beijo grande.

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