Já fui muito apegada ao passado, ao que foi, às lembranças. Do tipo que guardava na agenda o papel da bala que chupei quando fui ao cinema com as amigas. [Quem nunca?] Momentos diversos, aos quais me agarrava como se fossem tesouros, preciosidades indispensáveis à vida.

Passava e repassava mentalmente o que havia dado certo, como havia dado certo, como eu poderia fazer para repetir e ter de novo aqueles momentos, aquelas pessoas. Ou, por outro lado, vivia remoendo e revivendo o passado numa autoflagelação pelo que não funcionou bem, pelas oportunidades perdidas, pelo que disse e, principalmente, pelo que não havia dito.

Da mesma maneira o futuro já fez parte das minhas pré-ocupações. O que quero viver? Quando? Onde? Com quem? Como? … Projetando cada detalhe, imaginando cenas, diálogos, sensações. Dispendia muito da minha energia controlando cada aspecto daquilo que eu gostaria de viver em alguns meses, anos, numa atitude para além de um planejamento saudável. Vivia sofrendo pela constante dúvida acerca da realização ou não de tantos planos e sonhos.

Hoje sei que eu era chamada algumas vezes a estar no presente. Mas talvez por inabilidade de quem convidava ou por pouca maturidade de minha parte para lidar com o incontrolável, eu recusava o chamado.

Estar no presente requer acolhimento, compaixão e coragem. 

Acolhimento da própria história, do próprio passado e dos frutos dele [eu mesma como sou agora].

Compaixão para compreender a mim mesma como alguém complexo, cheia de falhas e incompletudes, desejos que podem nunca vir a se realizar, dores, sonhos, medos.

Coragem para seguir caminhando, um passo de cada vez, sem saber exatamente para onde esses passos vão me levar, mas com a confiança de que será um lugar no qual saberei o que fazer, como agir e como pedir ajuda caso me veja despreparada.

Somente a partir do momento em que assumi que ~o presente é o único que temos~, e que passei a encará-lo sistematicamente por meio da meditação e das práticas formais e informais de atenção plena, foi que minha vida ficou mais leve e meu caminhar me levou a lugares inesperados e maravilhosos.

Claro que frequentemente escorrego nesse caminhar, gastando mais tempo do que devia nas lembranças ou nas projeções – ou pior ainda, nos questionamentos de como teria sido se… E quando me dou conta do escorregão, gentilmente estendo a mão para mim mesma, me levanto, aprumo meu corpo e volto pro agora.

E como alguém que já esteve no passado, no presente e no futuro, posso dizer: estar no presente é um desafio constante, mas vale cada segundo.

PS: Escolhi a imagem que retrata a postura da árvore, ou Vriksasana, por ser uma postura que exige que se permaneça muito concentrado no presente. Se o pensamento vagueia um pouco, perde-se o equilíbrio. Foi uma das primeiras posturas de yoga que tentei fazer na vida. [Tudo se encaixa, né?]

Imagem: Pexels

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