Para a maioria das pessoas, passar por mudanças não é lá muito fácil. Essa dificuldade pode se mostrar desde situações que requerem uma mudança no visual, até mudanças de endereço, de trabalho, de profissão, de cidade, passando por mudanças de atitudes.

Eu sou uma pessoa que acredita na mudança, e um dos motivos mais fortes que me mantêm trabalhando como psicoterapeuta é a mudança (às vezes pequenina e gradual, às vezes enorme e avassaladora) que eu acompanho e ajudo a produzir em meus clientes. Costumo brincar inclusive que se eu não acreditasse na mudança poderia fechar meu consultório, tirar meu blog do ar e ir vender sanduíche na praia! (Hum… ver o mar todos os dias não seria nada mal! rs Mas acho que não valeria passar por isso se esse meu valor tão importante – produzir mudança – não estivesse presente).

Mesmo acreditando na mudança e trabalhando diariamente para ajudar pessoas a produzirem mudanças significativas em suas vidas, eventualmente eu também tenho minhas dificuldades para passar por elas. Um exemplo foi minha mudança de consultório em 2013. Eu realizava minhas atividades de psicoterapeuta no consultório anterior havia quatro anos. Junto com minha sócia, decorei a sala de maneira a torna-la bonita, aconchegante, um lugar que convidasse nossos clientes a falarem abertamente sobre suas alegrias e tristezas mais profundas, um lugar gostoso de trabalhar nele. Mas em dado momento minha sócia decidiu por seguir outros projetos que a deixariam mais feliz que a clínica e precisei buscar uma sala cujo valor de aluguel fosse mais viável para mim.

E como eu sofri! Não queria deixar o prédio, onde conhecia todos e com quem me sentia bem, a localização, num dos pontos da cidade que eu mais gosto (a Praça da Liberdade!), a sala propriamente, de que gostava tanto. Eu poderia ter ficado na sala, mas a situação não era favorável e decidi sair mesmo. Em meio ao sofrimento, rapidamente encontrei uma sala um pouco menor, numa localização não tão nobre, mas viável financeiramente e com outras vantagens relativas à localização e acesso. Reformei, decorei e passei a atender na sala nova, sob a aprovação de meus clientes, que disseram ter gostado muito da mudança.

Você pode estar se perguntando: por que me interessa saber sobre o sofrimento dela diante de algo nem tão grande e de fácil solução? Se estiver, acho muito justo seu questionamento. O ponto que considero bastante importante de compartilhar com você não é tanto o tamanho do meu sofrimento com essa mudança, mas o que fiz para passar por ela e como me sinto hoje, mais de um ano depois.

  1. Encarei a mudança: após avaliar a situação e ver que mudar seria o mais viável, agi para concretizar a mudança rapidamente. Admiti que estava sofrendo com a situação, mas não permiti que o sofrimento me paralisasse e fui fazer o que era importante. Tanto que consegui fechar o contrato da sala (com a burocracia toda envolvida) em dois dias!
  2. Pedi ajuda: falei com amigos que estava procurando uma sala nova, pedindo dicas e indicações de salas para alugar perto de seus consultórios; recorri a familiares para conseguir avalista e documentação antes da outra pessoa interessada na sala; pedi ajuda à minha mãe, que fez o projeto de decoração da sala. Esses três pontos fizeram toda a diferença para que eu saísse da sala antiga para um lugar bacana.
  3. Transformei a crise em oportunidade: havia tempos eu queria fazer uma sala de espera no consultório, de modo a proporcionar mais conforto aos meus clientes e eventuais acompanhantes, mas uma série de situações impedia ou dificultava a obra. Com a mudança de sala, pedi à minha mãe que fizesse o projeto de decoração incluindo uma sala de espera com sistema de som ambiente. Ela não só fez o projeto como acompanhou a instalação da parede e dos equipamentos necessários, pintura, etc. (O que foi uma baita ajuda!! Obrigada, mãe!)
  4. Me envolvi: para além da ajuda da minha mãe, fiz questão de escolher o layout, as cores, os móveis novos. Faxinei a sala após a pintura (deu um trabalhão!) e passei a ir ao consultório mesmo quando não havia atendimento marcado, para estudar, fazer meus registros e também começar a mostrar meu rosto para os novos vizinhos.
  5. Dei tempo ao tempo: Sofri com a mudança, mas sabia – a partir de meus conhecimentos sobre processos de mudança e também sobre mim mesma nessas situações – que o sofrimento não duraria para sempre. O resultado é que hoje sou muito feliz trabalhando nesse consultório, que é produto da minha escolha em cada detalhe e por isso mesmo tem a minha cara, o meu jeito.

Dessa forma, aprendi que

Pode ser mais fácil passar por uma mudança se a encararmos como uma oportunidade de crescimento, nos envolvermos ativamente com a transformação tendo ao nosso lado pessoas que se importam e que ajudam e, ainda, se esperarmos (com alguma paciência e tolerância aos sentimentos dolorosos) os efeitos das nossas ações acontecerem.

Penso que isso vale para mudanças de todos os tamanhos e complexidades, e é o que tenho tentado aplicar em outras situações de mudança em minha vida.

E você, como se sai em situações de mudança? Utiliza alguma estratégia diferente das que listei?

Imagem: Pexels

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