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Muito do que se diz a respeito de felicidade e plenitude aborda a importância de se viver de acordo com seu propósito, de encontrar qual o sentido da vida, de fazer escolhas e seguir caminhos que sejam dotados de significado e alinhado com seus valores. E uma observação comum é a de que esses valores devem ser seus, e não de outra pessoa.

Quando comecei a me deparar com esse assunto foi inevitável a pergunta: ok, se para viver uma vida plena e feliz não posso (ou não deveria) viver de acordo com o que o outro dita, como descobrir meus valores então?

A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: por meio do autoconhecimento.

O autoconhecimento advém de um processo longo e cumulativo, em que vamos desvendando nossas próprias características, nossos pensamentos, nossos sentimentos, nossos padrões comportamentais, sonhos, desejos, temores, frustrações… Tudo aquilo que nos compõe.

O processo de autoconhecimento pode ser bastante doloroso, não vou negar. Em diversos momentos da minha vida quis fechar os olhos para as verdades sobre mim mesma com as quais ia me deparando. Mas se continuamos firmes ali, olhos bem abertos, conseguimos abstrair e concluir quais são nossos valores.

É possível descobrir seus valores a partir dos seus desejos: se eu desejo ter minha própria casa, com meu espaço, meus horários, minhas regras, o valor que está na base é a autonomia.

Também é possível descobrir seus valores a partir das suas queixas: se reclamo muito da ausência dos meus amigos no cotidiano, se vivo dizendo que meus pais não se importam em saber como estou, se tenho medo de ficar sozinha para sempre, um valor que é possível identificar é o de laços afetivos.

A sensação de perda de tempo com determinadas atividades também sinaliza que dado valor não está presente ali, e que talvez eu possa estar realizando tarefas, atividades, funções sob controle do que é importante para outras pessoas, mas não para mim.

Quer tentar identificar seus valores? Pegue papel e caneta e responda às perguntas propostas por Russ Harris:

1. Se houvesse um milagre e você automaticamente contasse com a total aprovação de todos aqueles que lhe são queridos e, portanto, não estivesse tentando agradar ou impressionar ninguém, o que faria e que tipo de pessoa tentaria ser?

2. Se não fosse guiado por julgamentos e opiniões alheias, o que faria de diferente?

Seja bastante sincero consigo mesmo e reflita sobre o que surgir a partir das perguntas.

Guarde suas anotações, pois no próximo artigo discutiremos sobre ~como agir de acordo com meus valores~

Imagem: pexels.com

4 comments on “Como descobrir meus valores?”

  1. Oi, Vívian. Curiosamente, li ontem um artigo de um biólogo neurocientista argentino. O artigo tinha uma relação com o que você diz. Abordava (entre muitas outras coisas) a dificuldade em identificar o que, de fato, queremos e gostamos. Ele citava o próprio exemplo. Tinha uma carreira muito bem sucedida em biologia e não percebia que aquela carreira era desejo dos pais dele. Ele, ao longo de décadas, tinha assumido aquilo como se fosse desejo dele mesmo. Só se deu conta do engano quando teve uma proposta de trabalho sensacional, com a qual que todos ficaram muito contentes… exceto ele próprio. E acho que isso pode acontecer com qualquer pessoa, comigo também. (No meu caso, eu sempre quis fazer o contrário do que os outros queriam. Mas aprisiona da mesma forma. Rss). O nome do biólogo do artigo é Estanislao Bachrach. Ele ainda fala de plasticidade cerebral e outras coisas.

    • Virgínia, que história interessante! De fato a gente fica tão imerso no ambiente social (por motivos óbvios) que não consegue se diferenciar muito bem dele. Esses momentos críticos nos mostram bem o que realmente importa para gente… Mas é preciso estar atento a nossas sensações e sentimentos, ou corremos o risco de não identificar nossos valores nem mesmo nesses momentos, não acha? Bjs

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