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5 coisas simples para fazer no frio

Chá quentinho para curtir o frio!

Com a chegada do inverno temos a impressão de que nossas opções de lazer ficam mais restritas. Nem todo mundo se dispõe a sair na rua, frequentar bares, restaurantes, museus, espaços públicos em geral. Até programas entre amigos, na casa de um deles, é difícil de acontecer. Especialmente à noite, quando as temperaturas caem ainda mais!

Eu já fui uma pessoa que odiava o inverno. Ficava mal humorada, reclamona, com o corpo tenso todo o tempo. Mas felizmente nos últimos anos venho lindando melhor com o tempo frio, e aprendendo a encarar esses momentos como boas oportunidades de recolhimento e prazer.

Ao invés de ficar me queixando do inverno e das baixa temperaturas (algo que fazia a cada cinco minutos), dou um jeito de me aquecer de forma eficiente e lanço mão de algumas atividades simples, baratas e que eu possa fazer sozinha ou acompanhada. Veja então 5 coisas simples para fazer no frio:

  • Ler um bom livro, aquecida por um chá quente e uma manta aconchegante.

Sabe aquele livro que estava abandonado porque com o calor você não se concentrava ou tinha atividades concorrentes demais? É a hora dele! Um chá quentinho de ervas e especiarias, que aceleram o metabolismo e ajudam a espantar o frio de dentro para fora, é uma excelente companhia (ou um café!). A manta aconchegante completa o kit meu-momento-perfeito, que pode ficar ainda mais perfeito se tiver o ronronar de um felino bem pertinho ou os pés do amado aquecendo os meus.

  • Liberar sua criatividade

O momento de recolhimento proporcionado pelo frio é ideal para o exercício da criatividade. Está tudo mais calmo, externa como internamente, não há tantas distrações te atrapalhando a dar vazão às suas ideias. Pode desenhar, colorir, bordar, tricotar, fazer crochê, pintar, escrever… Você pode simplesmente entrar em fluxo e fazer, fazer, fazer… Com o adicional de ser muito bacana desfilar por aí (quando tiver a coragem de enfrentar o frio na rua, rs) aquecida com aquele cachecol único, que você mesma teceu, ou presentear alguém com o produto do seu momento criativo! <3

  • Assistir àqueles filmes da sua lista do Netflix, ou fazer uma maratona de uma série nova.

Hora de atualizar a lista do Netflix! Afinal, dá um arrepio na espinha só de pensar no ar condicionado das salas de cinema e no estado formigueiro-em-festa que ficam os shoppings nessa época de frio + férias escolares! Em vez disso, se permita a brilhante combinação do sofá todo pra você + pipoca a um preço decente e um enorme acervo de filmes e séries! Difícil é escolher: uma comédia leve, um drama para se derreter, aquele documentário que te recomendaram há tempos ou aquela série viciante que você estava evitando… Vai lá, dá o play! (e me conta nos comentários o que você tem assistido ou indica!)

  • Mexer seu corpo com yoga, alongamento ou dança

Você pode espantar o frio movimentando seu corpo sem nem precisar sair de casa. Uma boa série de alongamento vai acordar seu corpo gentilmente e evitar que suas articulações congelem! :) Uma sequência de posturas de yoga também pode gerar calor de dentro para fora, acredite! Seja fazendo mais rapidamente a transição entre as poses, seja fazendo sequências que acionem mais o plexo solar gerando vigor e disposição. O YouTube pode te ajudar nessa parte! Dançar (como se ninguém estivesse vendo!) também aquece e é muito divertido! Não se esqueça da meia com antiderrapante para evitar acidentes! :) E claro, pega leve pra não ter nenhuma distensão!

  • Cozinhar algo bem aconchegante

Existe até nome para isso: comida confortável, ou comfort food. Uma sopinha, uma salada morna, uma massa ou mesmo um bolo ou pão, podem aquecer seu corpo, sua cozinha (viva o fogo e o forno aceso!) e seu coração! Ver os ingredientes se transformando em algo novo e único, exalando o aroma gostoso que recria momentos de afeto, é pura magia. Cozinhar é um ato de amor, incluindo o autoamor! <3 Se você tiver com quem compartilhar o que cozinha, melhor ainda. Vale o tempo despendido e o trabalho investido!

Uma última dica (bônus): se estiver de dia, aproveite um tempinho para se sentar ou caminhar ao sol (dez minutos que seja). O sol é excelente antídoto para tristeza, desânimo e baixo astral, que são muito frequentes no inverno. Se permita ser recarregada com a energia maravilhosa do astro rei!

E então, o que achou dessas sugestões de coisas simples para fazer no frio? Ajude a ampliar nosso leque de possibilidades deixando nos comentários a sua sugestão! Conta lá: quais são suas atividades preferidas em dias frios?

Acolhendo sua criança interior 

Visualize a cena: você e sua amiga na beira da piscina, contando até três para pularem juntas na água (que está gelada, a propósito). A contagem termina. Você pula. Ela não.

Vários sentimentos podem surgir. Desapontamento, decepção, raiva dela, tristeza, frustração, raiva de si mesma por ter confiado que vocês fariam aquilo juntas, vergonha por passar por isso no meio do clube com todo mundo olhando, raiva (de novo) de si mesma por estar agindo assim diante de uma brincadeira ou da escolha da sua amiga por não pular naquele momento. Medo de ser julgada, de ser taxada de chiliquenta, apelona, aquela que não sabe brincar ou que exagera em suas reações.

Você tem vontade de chorar, de mergulhar e sumir no fundo da piscina, de falar poucas e boas para a sua amiga, de xingar sua própria mãe por nunca ter te ensinado de verdade a dizer “não gostei” para aquele coleguinha que te bateu na escola. Como é difícil passar a vida oscilando entre aplicar o “deixa pra lá” ou o “bate nele também”. Você até já sabe dizer o que sentiu diante da ação do outro, mas como é difícil agir assim quando você percebe que sua criança interior foi ferida mais uma vez – e que essa certamente não será a última.

No fundo você sabe que foi uma brincadeira, mas não consegue negar que ela remonta a todas as vezes em que se sentiu sozinha e abandonada, traída por quem amava, exposta por quem havia recebido o que há de mais valioso em você: sua vulnerabilidade. Você está cansada de se sentir assim, de ter sempre a mesma sensação e a mesma queixa: “ninguém se importa comigo”.

Você respira fundo. Fecha seus olhos e ouve sua respiração, que pouco a pouco vai diminuindo o tom da lamentação que se repete em sua cabeça desde que se sentiu ferida mais uma vez. Você se lembra que tem recursos para dar conta de si mesma sem que a ajuda / presença / aprovação do outro seja algo fundamental. E por outro lado, que maravilha!, se lembra também que já consegue estabelecer relações com pessoas que honram sua vulnerabilidade e não vão te machucar – não propositalmente. E porque essas relações são muito importantes para você, ou sua ameaça não te fariam sofrer tanto, você, pessoa madura do presente, decide acolher sua criança amedrontada.

Você se abaixa no nível dos olhos da sua criança interior e diz a ela, num tom de voz baixo mas firme, de modo a passar ternura e confiança: “eu sei o que você está sentindo, e dói muito. Te peço que se lembre dessas palavras: relações são importantes, e você é importante. Em igual medida. Você é suficiente. Você é capaz de amar e ser amada de maneira extraordinária. Permita-se amar. Permita-se se amar. Conheça muito bem a si mesma: saiba o que te agrada, o que te importa, o que busca. Permita que o outro te conheça, e faça isso com gentileza, respeitando a si mesma, abrindo-se pouco a pouco. Viver é feito de exposição e resguardo, expansão e recolhimento, contato e distância. Deixe que esse movimento seja mais fluido e natural, e cada vez mais sutil. Você vai aprender, te garanto. Eu te amo com cada virtude e limitação, incondicionalmente.

Você abraça sua criança interior, num abraço daqueles apertados e demorados em que se consegue sentir a troca de energia entre os corações, dá um beijinho em sua bochecha e diz: agora vai brincar, que a vida te espera e ela é linda demais!

É o que eu desejo que você faça: vá viver a vida, levemente, usufruindo de toda a beleza que te espera! ❤️

Você está onde deveria estar

Você está onde deveria estar

Nos dias de hoje todos vivemos correndo. Parecemos formigas indo e vindo do formigueiro, saindo para coletar o sustento, voltando para guardá-lo em local seguro. Não há tempo a perder, e qualquer obstáculo no caminho nos desestrutura a ponto de quase não sabermos mais onde estamos, de onde viemos e para onde vamos. Interações, só as bem rápidas, de forma que não nos distraiam do nosso objetivo. Fazer, fazer, fazer. E rápido.

Para quê mesmo?

Esse estado acelerado nunca foi o mais confortável para mim. Pelo contrário, chego a ficar sem ar só de conviver com pessoas muito aceleradas, e meu corpo logo denuncia quando eu mesma sigo um ritmo que não condiz com minha lentidão habitual. Dores no pescoço, respiração descompassada, tremores.

Dia desses me percebi correndo mais uma vez contra o relógio. Tinha um compromisso de trabalho dali a poucos minutos e estava a anos-luz de estar com tudo pronto até mesmo para sair de casa. A sequência não deve ter sido muito diferente daquela observada diariamente em diversas casas mundo afora: (mais…)

Você está pronto para abandonar seus escudos?

O trabalho de um escritor consiste em gerar impacto no leitor. Fazer diferença na vida de quem cruza com suas palavras. Senão agora, depois, lançando sementes que, em terreno fértil, vão brotar e se transformar ~ transformando aquele que as acolheu.

É por acreditar nesse efeito esperado que costumo monitorar o acesso ao que publico no blog. Nada obsessivo nem com grandes expectativas [não escrevo para gerar tráfego], mas observando e refletindo sobre essa troca. De forma que pude verificar que o post Compreendendo as semelhanças e acolhendo as diferenças gerou poucas visitas e teve pouca repercussão, apesar de abordar um tema importante [ou talvez até por isso mesmo!].

Para além de buscar identificar características do texto que possam ter gerado pouco interesse no leitor [como o tamanho, a linguagem ou o momento do ano em que abordo o assunto ~ véspera de carnaval], talvez o mais importante seja observar o meu processo de escrita daquele texto. E é isso que quero compartilhar com você por acreditar que possa, este sim, gerar reflexões importantes tanto aqui como aí.

Eu queria muito escrever sobre o assunto das semelhanças e diferenças que nos perpassam, porque uma coisa que muito me incomoda é a facilidade que temos [eu inclusive] para julgar o que é diferente. (mais…)

Compreendendo as semelhanças e acolhendo as diferenças 

A vida em sociedade é responsável por um dos mais belos paradoxos (na minha opinião) acerca dos seres humanos. O paradoxo de que somos todos iguais e, ao mesmo tempo, somos todos diferentes.

A biologia já garante essa diferença na igualdade, uma vez que nós humanos somos todos dotados de carga genética muitíssimo parecida, o que nos permite sermos classificados todos como Homo sapiens. Ainda assim as mínimas diferenças genéticas levam a diferenças tais entre nós que chega a ser possível distinguirmo-nos uns dos outros, e até mesmo gêmeos idênticos entre si.

Aquilo que aprendemos ao longo da vida também contribui para nos diferenciarmos, embora os processos envolvidos na aprendizagem sigam leis que valem para todos. É a chamada história ontogenética, ou história de vida.

Até aí somos semelhantes não só entre humanos, mas também entre animais não-humanos, que também se comportam a partir da biologia e dos aprendizados ao longo da vida. A nossa complexidade, no entanto, aumenta quando se é inserido na vida em sociedade. (mais…)

Quais são as escolhas que te fazem viver com sentido?

Me perguntaram, dia desses, o que eu deixo de fazer para escrever. Imediatamente respondi que não deixava de fazer nada, pois nada era passível de ser deixado para lá. Desfiei mentalmente meu rosário de queixas sobre minha falta de tempo e o quanto estou exausta e tudo sobra para mim e etc, mimimi, etc, mimimi… Foi então que parei para ouvir essa pergunta verdadeiramente, sem defesas, e fui analisar meu dia. Vou te contar o que identifiquei e acabei descobrindo e vai muito além da escrita na minha vida (que talvez não seja novidade para mim nem para você, mas acendeu uma luzinha aqui).

Eu sei que deixar de assistir a filmes ou séries com meu marido é complicado, pois é o momento que temos para nós dois. Deixar de preparar nossas refeições (algo que também me toma tempo) implica comer alimentos de qualidade duvidosa e não é isso que quero para a minha família. E deixar de cuidar do meu filho não é algo possível agora, que ele é um bebê, e nem é algo condizente com o que considero ser uma boa maternagem.

Perceba que até aqui descrevi escolhas que são pautadas por valores meus, valores que orientam relações e hábitos que considero importantes e dos quais não quero abrir mão. No entanto me peguei checando as redes sociais pela milésima vez no dia, antes de colocar o cronômetro para rodar e começar a escrever (uma das estratégias de organização e produtividade que utilizo e descrevo aqui). Ou seja: estou deixando de escrever – que eu amo, é importante para mim e geral valor para outras pessoas – para checar redes sociais e acompanhar conversas que, em sua maioria, me acrescentam muito pouco! (mais…)

Leveza no cotidiano

É a segunda borboleta que vejo hoje. Esta também num lugar inusitado. Nada de floresta, jardim ou campo florido. Esta, numa cafeteria. A outra (grande, azul, linda) em meio aos carros no trânsito congestionado da metrópole. Eu, que gosto tanto que metáforas, sou presenteada com elas sem que as esteja procurando. Sou grata!

As borboletas de hoje me dizem da leveza possível na aspereza do dia a dia ou em lugares e situações aparentemente inapropriadas ou pouco propícias para isso.

A leveza no cotidiano é algo que venho buscando ativamente há algum tempo (anos), conseguindo às vezes. Em outras vezes vejo minha leveza levantar voo e me deixar entre o peso das tarefas, frustrações e problemas. (mais…)

Como ser forte o tempo todo

Ei, pare um pouco. Sente-se nessa cadeira onde estive por tanto tempo e me olhe nos olhos. Vou te dizer algumas coisas, quero que me ouça com atenção. Pode ser que doa, certamente não é o que você quer ouvir, mas vai ser melhor.

Você não é tão forte assim.
Você não precisa ser tão forte assim.
Você não precisa ser forte o tempo todo. Pode chorar. Suas lágrimas não vão fazer de você uma pessoa fracassada, nem menor, nem errada. Lágrimas têm o poder de nos humanizar.

Não, você não está louca: há momentos mais difíceis mesmo. Aquele esforço continuado, dia após dia, é como gota de água pingando na vasilha.
Uma hora enche. E transborda.
Permita-se transbordar. (mais…)

Sobre tempo, morte e vida

“Podes me indicar alguém que dê valor ao seu tempo, valorize o seu dia, entenda que se morre diariamente? Nisso, pois, falhamos: pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte.

Então, caro Lucílio, procura fazer aquilo que me escreves: aproveita todas as horas; serás menos dependente do amanhã se te lançares ao presente. Enquanto adiamos, a vida se vai. (mais…)

Carta ao medo

Medo, acredito que não preciso me apresentar a você, não é? Você me conhece e acompanha há tempos.

Sei que nossa relação não é constante. Desde criança sinto você às vezes mais perto, outras vezes mais longe de mim.

Já deixei de fazer muitas coisas porque você estava presente demais, sufocante até. Embora sufoque, sua ação é sutil, você sabe se disfarçar bem. Eu não sabia, mas esses anos de busca por mim mesma têm me mostrado que você se disfarça de rigor, perfeccionismo, bons comportamentos, educação, polidez, equilíbrio, escolhas pelo caminho mais seguro.

Na verdade foram poucas as vezes em que você foi descarado, se apresentando com seu jeito típico: coração acelerado, pernas bambas, vontade de chorar, gritar, fechar os olhos e tampar os ouvidos até que tudo passe.

Mas você deve se lembrar daquelas vezes em que, apesar de você, agi de maneira ousada e fui em busca do que acreditava ser o melhor para mim. Foram grandes ações, e algumas pessoas até me chamam de corajosa por conta delas. (mais…)