Então você chegou, finalmente! Te esperei por anos, fantasiei sua vinda, sofri nos momentos em que percebi que não seria daquela vez e que teria de aguardar condições mais favoráveis para o nosso encontro. Minha maior tristeza era pensar que você poderia não vir nunca. Isso gerava em mim uma solidão intensa, profunda, existencial. Como se nada do que tivesse vivenciado ou construído fizesse algum sentido. Para que tudo, afinal, se nos derradeiros dias eu constatasse que você não teria passado de um desejo muito claro e puro?

Mas por uma daquelas mágicas do destino tudo se encaixou e você atendeu ao meu chamado de menina, de mulher e veio fazer parte da minha vida. Produziu em mim enormes transformações, me fazendo mais atenta ao agora, aos cheiros, aos sabores, às mais leves sensações. Libertou meus sonhos mais loucos, me fez encarar medos antigos e ancestrais. Me fez parar, me desligar da loucura cotidiana para viver única e exclusivamente a preparação subjetiva para a sua chegada.

E agora você está aqui. Seu cheiro me inebria e me faz querer viver nada mais que o contato com sua pele, ver nada mais que seus olhos fixos nos meus, ouvir unicamente sua voz e sua respiração.

Os de fora chamam-me doida, escrava de você. Insistem que eu tenha outras prioridades, outras atividades. Me forçam a olhar para os lados, a sair, a te dividir com outras pessoas. Mas não quero nada disso.

Quero você, nada mais.

E sei que por um tempo você também quererá somente a mim. E é isso que vou te dar, pois é o que nos preparará para seguir para o mundo mais tarde, certos de que vivemos plenamente o maior amor de todos e de que ele é a garantia suprema diante de um mundo de buracos e incertezas.

Prometo não te sufocar, mas, mais do que isso, prometo que suas dúvidas nunca durarão mais que uma fração de segundos.

Gratidão por você existir em minha vida, meu filho!

Imagem: arquivo pessoal

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