A metáfora da bicicleta para as quedas da vida

Recentemente falei sobre o equilíbrio entre o esforço necessário para sair da zona de conforto e a gentileza de respeitar os próprios limites e recuperar energia para seguir em frente. Penso que esse equilíbrio nos ajuda a prosseguir rumo a uma vida com sentido.

A noção de equilíbrio é interessante quando se trata de viver. Tendemos a achar que se equilibrar é se manter sempre no centro, imóvel, numa paz permanente. Mas quando vamos tentar viver em equilíbrio nos vemos o tempo todo caindo para um lado ou para o outro, o que gera uma frustração muitas vezes difícil de suportar, e uma vontade de largar tudo para lá e ficar no antigo lugar do sofrimento conhecido.

Eu comparo o viver com sentido com fazer um trajeto de bicicleta quando se está aprendendo a pedalar. Lembra quando você aprendeu?

A ajuda inicial das rodinhas ou de algum adulto que ia segurando a bicicleta enquanto você pedalava e ia descobrindo a velocidade mínima necessária para mante-la de pé, a atenção ao posicionamento correto do corpo, que te ajudaria a permanecer no centro, a maravilha de perceber-se em movimento e as quedas frequentes.

As quedas são aqueles momentos em que saímos do equilíbrio. Algumas são mais graves, te deixam no chão por um bom tempo até se recuperar do susto e das feridas. Outras são leves, e requerem breves momentos de recomposição até subir na bicicleta de novo e tentar o equilíbrio por mais alguns instantes.

Eu vejo a vida assim também. Andamos na linha (a nossa linha) por uns tempos, fazendo o que nos faz bem, cuidando do corpo, das emoções, das relações. Até que alguma coisa acontece e caímos.

Uma resposta grosseira a quem amamos quando havíamos feito o propósito de ser mais gentis. O dia até mais tarde na internet, bem além do horário de dormir que nos faz bem. As semanas (ou meses) sem fazer atividade física. Os sucessivos “sim” a pedidos que sabemos que significarão mais sobrecarga do que ganhos. Etc., etc., etc. Há tantas maneiras de sair do nosso caminho! Tantas coisas que nos mantêm fora do nosso centro sem nem mesmo as percebermos claramente!

Mas assim como após a queda de bicicleta, após as quedas da vida o que nos resta a fazer é verificar se está tudo bem conosco e com nossos recursos, cuidar das possíveis feridas, compreender onde erramos e como evitar aquele erro e então voltar a agir, mesmo que ainda reste um pouco de dor.

Porque no seguir da vida essas dores vão se curando e sendo suplantadas pelas coisas boas que vamos produzindo, as novas relações que vamos estabelecendo, a alegria de perceber que crescemos mais um pouco. Até… a próxima queda!

Cair e levantar, cair e levantar, cair e levantar. É cansativo, mas a alternativa a isso é permanecer parado, estagnado, numa vida morna e pequena. O que você prefere? Que atitude boa para você mesmo você vai retomar hoje?

3 comments on “Cair e levantar”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *