Nem só de solidão vive o autoamor. O amor por você mesma é sim construído nos momentos a sós, na escrita do diário, na meditação, na caminhada em silêncio, no cuidado autodirigido (e tantas outras atividades tendo a si mesma como companhia). Mas também os momentos de conexão com o outro te levam a rever o conceito de si mesma.

Somos seres sociais. A inserção num grupo nos garante a sobrevivência enquanto crianças e nos constrói enquanto sujeitos. É no grupo que aprendemos a nos diferenciar e a nos identificar, e para isso é preciso um movimento constante de olhar para o outro e para nós mesmos.

É no grupo, então, que aprendemos quem somos. E são as pessoas do grupo quem primeiro nos ensinam a qualificar nossas características físicas ou psicológicas como boas ou ruins.

A questão é que podemos estar inseridos em grupos cujos indivíduos não aprenderam bem a valorizar os aspectos que nos compõem, e assim nos vemos diante de características nossas que acabam sendo consideradas ruins, erradas, inadequadas. E isso pode levar a uma baixa autoestima, a um autoconceito ruim, a pouco amor por nós mesmas.

Então você pode se perguntar: se venho de uma família que não me valorizou, estou destinada a não me amar para sempre? Felizmente não! O aprendizado dos primeiros anos de vida é muito importante para a relação que estabelecemos com a gente mesma. Mas podemos aprender a nos relacionarmos de outras maneiras, incluindo novos conceitos, novas interações, até que essa nova maneira de nos vermos seja mais forte do que a anterior.

Não se trata então de abandonarmos os grupos anteriores (muitas vezes isso nem é possível), mas sim de acolhermos seus ensinamentos e nos abrirmos para novos grupos.

No nosso caso, mulheres, é muito rico se esse novo grupo for composto por outras mulheres. Não que uma mulher não possa ter amigos homens ou não deva se relacionar afetivamente com homens. Mas num grupo de mulheres é possível uma conexão muito íntima, partilhas que permitem que nos identifiquemos e nos diferenciemos, promovendo uma atualização na imagem que temos de nós mesmas.

Num grupo de mulheres dispostas a cuidar e serem cuidadas, dispostas a serem vulneráveis ao se abrirem e fortes ao acolherem umas às outras, o amor trocado transforma-se facilmente em autoamor.

Assim, se posso te dar uma sugestão, digo: encontre um grupo de mulheres para estabelecer essas trocas e conexões. Abra-se sinceramente, acolha e receba acolhimento. Observe a si mesma nesse grupo e mantenha-se nele se os sentimentos gerados forem elevados: de amor, gratidão, união, apoio mútuo.

Você tem um grupo de trocas assim?

No dia 18/11 vou coordenar a Oficina de Autoamor. Um encontro presencial em Belo Horizonte entre mulheres que decidiram se amar. Reflexões, vivências e trocas numa manhã de sábado. Participantes ganham um caderno de bolso da Papoliê. Mais informações e inscrições aqui. Vagas limitadíssimas!

[ATUALIZAÇÃO] A Oficina de Autoamor aconteceu e foi linda! Se você tem interesse em participar numa nova edição, me conte em vivian.marchezini@vivacomsentido.com.br e te aviso quando for ocorrer!

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