Eu adoro tomar chá! Faz parte do meu dia-a-dia, ainda mais desde que diminuí muito o consumo de leite e de café. O chá aquece, conforta, participa muito bem de momentos de contemplação e de troca. Na casa da minha avó sempre havia chá de folhas frescas: pitanga, hortelã, erva doce, capim limão… Sabores deliciosos e cheios de prana [energia vital]! Já aqui em casa, na falta de um canteirinho para plantar essas ervas acabo tomando o velho e prático chá de saquinho.

Mas ontem à noite minha avó insistiu que eu trouxesse para casa algumas folhas de hortelã e fizesse um chá quente para regular minha temperatura corporal. Eu, claro, aceitei. Fiz o chá e me sentei para escrever sobre outro assunto completamente diferente, mas fui inundada por uma sensação tão incrível e um estalo: “precisamos de amizades do tipo chá-de-folhas-frescas!” Vou me explicar.

O ritmo em que a maioria de nós vivemos, sempre acelerado, “na correria”, plugados em aparelhos eletrônicos o tempo todo, tem nos levado a estabelecer e manter relações muito superficiais. Temos centenas de amigos. Estamos conectados predominantemente por redes sociais eletrônicas. Sabemos alguns detalhes das vidas uns dos outros – especialmente os detalhes felizes, que são os que publicizamos nas redes. Acompanhamos momentos alheios por meio de fotografias que podem ser vistas num piscar de olhos e em seguida esquecidas. É tudo fugaz, uma amostra do que é uma relação de verdade, assim como são os chás de saquinho.

Eu tenho sentido muita falta de amizades mais corporificadas, mais presentes, mais vivas que algumas letras numa tela luminosa e eventuais fotografias ou vídeos. Quero ver o sorriso se formar no rosto bem aqui na minha frente, e não num emoji. Quero ter a chance [e o tempo] de falar e ouvir da vida, trocar bobagens e crises existenciais, abraçar forte, gargalhar junto, ficar em silêncio junto. Quero as nuances de sabor e a troca de energia vital que só a frequente presença física pode oferecer. Quero conversas que agucem meus sentidos e minha imaginação como aquele chá de hortelã fez ontem à noite.

Me pergunto se essa é uma demanda unicamente minha. Todos parecem tão felizes com suas fotos entre amigos nas redes sociais… Tenho minhas questões sobre o que contribui pessoalmente para amizades mais superficiais [quem sabe um dia eu fale sobre isso aqui, embora eu prefira falar pessoalmente a respeito], mas vejo também muito claramente contingências mais amplas, de ordem cultural. É mais um aspecto de uma revolução necessária, que quebre a glamourização da pressa e do excesso de ocupações e valorize mais o ser e o vivenciar, e menos o ter e o aparentar. Uma revolução slow, também nas amizades.

Me conta: você compartilha desse questionamento e desse desejo? O que você tem feito para mudar essa realidade?

Imagem: Pexels

4 comments on “Precisamos de amizades do tipo chá-de-folhas-frescas!”

  1. Sempre me faço esse questionamento! O que tenho feito é ficar menos plugada e aproveitar muito mais os momentos presenciais, por mais curtos que sejam. Quando o contato tem que ser virtual de qualquer forma, recorro a mensagens de áudio (a voz tem muito efeito, né?) e recados privados e pessoais (“Lembrei de vc!” ou “Como vc está?”).
    Muitos clientes têm refletido sobre isso também e até se sentido solitários em decorrência dessas relações superficiais…

  2. Putzz… anseio muito por isso mas não sei se tenho feito muito pra mudar. Neste período tenho me esforçado mais pra ser presente, visitar pessoas queridas… mas sinto falta de mais… muito mais.

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