Sobre gentileza

Gentileza é o tipo de atitude fundamental nas relações, mas que anda em falta. Infelizmente. É só observar na maneira como tratamos as outras pessoas, os animais, a cidade em que vivemos, nosso próprio corpo, nossas próprias dificuldades e batalhas.

Estamos sempre agindo com agressividade, impaciência, julgamento. Somos imediatistas sem estarmos no presente. Não consideramos os impactos de nossas ações para além de nossos umbigos.

E o resultado é a desconexão. Relações frágeis, degradação, desrespeito, falta de autoamor.

Ser gentil, no entanto, custa pouco e rende muito. Demanda de nós baixar um pouco as armas e escudos e oferecer ao outro (e à gente mesma) um outro olhar, outra escuta, outra postura.

Ser gentil é ver o outro e a mim mesma como alguém ou algo importante, mas não numa escala de hierarquia. Importante porque todo ser importa. E no caso de lugares, dar importância por terem uma função na vida de alguém.

Agir com gentileza envolve ter paciência com o momento da pessoa, com o tempo e o ritmo dela. Envolve acolher a diferença como algo que é próprio da diversidade humana, da diversidade das coisas. E veja, não é incrível que mesmo com tanta diversidade sejamos ainda assim tão semelhantes e parte de um todo indissolúvel?

Ser gentil envolve usar palavras que expressem o presente, e escolher não usar aquelas que trazem uma carga de passado ruim, de desapontamentos, frustrações.

E aqui está algo que é chave para compreender a gentileza: é uma escolha. Diante do outro e do que ele te traz, você pode escolher reagir (lutando, fugindo ou fingindo de morto) ou agir de maneira mais elevada, pela via da gentileza.

Usando um tom de voz amoroso e firme, oferecendo um olhar atento e afetuoso, uma escuta genuinamente interessada e sem julgamento, fazendo gestos delicados (nem contidos demais, nem bruscos).

E o bonito é que, diante da gentileza, as defesas do outro se abrandam e a pessoa se permite colocar-se aberta, inteira e vulnerável. Pois é seguro ser quem se é diante de alguém gentil.

E ainda mais bonito é perceber que ao ser gentil com o outro a gente cultiva também uma paz com a gente mesma e vai aprendendo a ser gentil com nossos próprios processos, com nossa própria jornada.

Que atitude gentil você vai adotar em suas relações?

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O cuidado doado e recebido no puerpério (e para além dele)

Amar e ser amado são os grandes anseios dos seres humanos (e não humanos também, eu ousaria dizer). Esse amor, doado ou recebido, pode ser expresso de diferentes maneiras. Uma delas é o cuidado.

Cuidar com ações, com palavras, com um olhar atento, com uma escuta ativa, com um toque afetuoso, com a espera pelo tempo do outro, pela capacidade do outro. Receber de igual maneira esses cuidados quando se necessita, quando se sente mais frágil, mais exposto.

A maternidade é uma condição de cuidado. (Bem, pelo menos é como eu a enxergo.) É a escolha por cuidar do outro desde que se tem consciência da sua existência, mesmo antes de nascer. Esse não precisa ser um cuidado excessivo, sufocante (nem é bom que o seja), mas como dito antes, até a espera pelo tempo do outro e pela capacidade do outro é cuidado.

Imagino que por atentar à importância dessa forma de amor e às demandas próprias de um recém nascido à família, é comum na tradição do kundalini yoga que se sirva almoço à família durante os primeiros quarenta dias de vida do bebê. No meu resguardo eu recebi almoço todos os dias, e posso dizer que poucas vezes na vida me senti tão cuidada.

Receber o almoço durante os quarenta dias do resguardo foi de uma bênção sem tamanho. O resguardo é um período em que a mãe está fora do tempo e do espaço, completamente imersa na adaptação a essa relação tão nova, e a essa realidade tão intensa.

A mãe está imersa na busca por compreender aquele ser, por acertar na amamentação (que não tem nada de instintiva), por lidar com as dores do que ficou como consequência do parto. Imersa nos pensamentos e sentimentos de maravilhamento e medo, paz e cansaço. Toda a energia está voltada para essa relação e o cuidado com o bebê. Não há energia para o autocuidado e menos ainda para o cuidado de outros para além da nova díade.

Ao contrário, é nesse momento que o cuidado vindo do outro se torna essencial. O cuidado na forma de alimento, de afago, de água para beber, de lugar confortável e aquecido para que se fique com o bebê, de palavras de carinho e encorajamento, de cuidado ao bebê por uns instantes para que a mãe possa tomar banho, ir ao banheiro, comer.

Para além da questão prática de não precisar providenciar almoço nesse período tão intenso, está a questão afetiva. Saber-se cuidada e amparada por uma comunidade de pessoas que partilham dos mesmos valores que você e que providencia esse cuidado em meio a vibrações muito elevadas é algo para se guardar para a vida e inspira a fazer o mesmo por outras mulheres.

Não é preciso fazer parte de uma tradição específica para se praticar esse tipo de cuidado. Basta que algumas pessoas se organizem para fazer acontecer. Os ganhos (para quem é cuidado mas também para quem cuida) são inestimáveis.

Que cuidado você vai oferecer hoje?

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Não estou em clima de Carnaval, e tudo bem

Nos últimos anos, festas como a do Carnaval têm me levado a pensar numa característica da sociedade contemporânea: a felicidade compulsória e eufórica. Nesta época, mas não só nela, nos vemos obrigados a experimentar uma alegria imensa e constante. Ou estamos eufóricos ou nos questionamos sobre o que há de errado conosco (enquanto buscamos alguma substância que nos faça logo entrar no clima).

Eu não vou ficar aqui falando mal do carnaval, porque não é esse o objetivo do texto e nem é o que eu penso. Eu gosto de carnaval. O som dos tambores mexe comigo de forma muito profunda, e já curti carnavais memoráveis. Mas também já me frustrei demais por não estar alegre durante o carnaval ou por não poder pular o carnaval da forma (eufórica) como eu gostaria e como me diziam o tempo todo que deveria ser um carnaval.

E é essa obrigatoriedade de estar alegre que questiono aqui.

Vou te dizer o que aprendi, que talvez você não tenha sacado ainda: não há nada de errado em não estar alegre. Nem mesmo no carnaval.

A vida é dinâmica, e nossos sentimentos variam com frequência, dependendo de muitas outras questões para além do calendário. O mês de fevereiro não necessariamente produzirá felicidade se outros aspectos da vida não estiverem minimamente bem ou se você não tem uma história de significação desses dias de folia como sendo algo bom.

Ou ainda, você pode até estar bem e ter uma boa história com o carnaval, mas não estar conectada com a euforia. Você pode estar em outro momento. E tudo bem.

Inclusive, felicidade não é vivenciada somente com alegria. O estado de felicidade envolve muitas outras emoções, e pode ser percebido até mesmo durante momentos desagradáveis. O estado percebido de felicidade ou bem estar é aquele que está para além das situações pontuais. Por exemplo: seu chefe te deu uma bronca hoje, seu carro furou o pneu na semana passada e seu filho está gripado há dias, mas você sente que no geral é feliz com sua vida.

Então não é porque você não está eufórico porque sua cidade finalmente tem os blocos de carnaval que você sempre desejou que tivesse (alguém falou comigo?) que você não esteja feliz com a sua vida. E não, você não necessariamente está deprimido, amargurado, recalcado ou velho – ouve-se e pensa-se de tudo para justificar a falta de euforia carnavalesca.

Entender que “tudo bem não estar no clima do carnaval” economiza tanto desgaste, tanta frustração, que deveria ser uma prática se levantar pela manhã e se questionar: qual é o clima do meu dia?

E tudo bem também acordar e decidir que hoje quer ir naquele bloquinho ou ouvir enredo de escola de samba.

Tá tudo bem.

Mais importante que estar sorridente para a pose da foto que você postaria no Instagram é estar de bem com o seu momento.

Como você está neste carnaval?

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Cartas de amor: ex-paciente (1)

Querida D., como está?

Há quanto tempo não nos falamos, não é? Alguns anos se passaram e a roda da vida já virou várias e várias vezes. Que bom que foi assim!

Há alguns anos eu procuro por notícias suas. Sempre me rondou o medo de que você não estivesse mais viva. Já dei um Google no seu nome, te procurei nas redes sociais, até pensei em ir até o endereço em que você morava antes. Não o fiz por timidez e por receio de que seus familiares me achassem meio doida. Não é muito comum um psicoterapeuta sair à caça de notícias de ex-pacientes, ainda mais pessoalmente. Ou é?

Mas hoje, mexendo em anotações antigas, encontrei seu nome novamente. Resolvi te procurar nas redes sociais outra vez, meio descrente de que encontraria algo. Na minha imaginação você ainda era aquela pessoa arredia, animalzinho ferido que se isola de tudo por medo de se machucar mais. No entanto você estava lá, e sorria.

Sei que não devemos confiar plenamente nas postagens das redes sociais. A felicidade que se publica nem sempre é coerente com a realidade. Há muito exagero e maquiagem. Mas a sua felicidade, estampada nas fotos e nos comentários, me pareceu genuína.

Então você não só está viva, como está feliz.

Pude ver que sua vida mudou bastante. Entendi o que fato de nunca termos nos esbarrado nesta cidade onde todos se encontram e se conhecem se devia à sua mudança. Você voltou para o lugar onde seu coração se sentia acolhido. Imagino a batalha para realizar isso, pois me lembro que era algo com que seus familiares não concordavam.

Você está realizando um antigo projeto profissional sobre o qual falava com brilho nos olhos, mas para o qual se via sem forças. Você refez sua vida afetiva, e em seu olhar (e no dele) pude ver que finalmente é amada de verdade.

Talvez você ainda tenha alguns fantasmas te atormentando, afinal, quem não tem? Mas parece que agora você está mais forte e com mais recursos para enfrentá-los e para viver o que importa.

Quero dizer que aprendi muito com você. Aprendi sobre marcas deixadas por feridas na infância. Aprendi sobre desesperança. Aprendi sobre minha profissão, e sobre meus limites sendo profissional. Aprendi sobre a responsabilidade em ser o esteio para alguém e a aceitação da escolha dessa pessoa por seguir sem o esteio.

Aprendi sobre ser fundamental e também sobre ser dispensável.

Vou te dizer: é fácil aceitar ser dispensável quando o outro está bem. A sensação é de meta atingida. Mas e quando não está? Haja entrega para confiar que vai estar tudo bem e que meu papel termina ali.

E entrega não era assim minha postura mais automática na vida, sabe?

Tantas vezes precisei desse aprendizado depois de você!

Então hoje eu queria muito te dar um abraço forte e te agradecer. Pelo que me ensinou durante nossos encontros, no intervalo entre eles e depois que pararam de acontecer. Quero te agradecer por estar viva, por ter confiado em si mesma e no que seu coração dizia. Por ter apostado nas mudanças, por ter saído daqui.

Quero te agradecer pela alegria que senti ao te ver, mesmo que virtualmente. Desejo, de verdade, continuar sendo dispensável em sua vida.

Um beijo, V.

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Mensalmente tenho publicado cartas de amor. Essas cartas podem ser a um sentimento, a um evento, ao meu filho, ao meu marido, a um ex-amor, a um(a) antigo(a) paciente, a um(a) paciente atual, a você que me lê, … a qualquer pessoa ou coisa que me afete. Foi a maneira que encontrei de voltar a praticar essa modalidade de escrita e de comunicação que tanto fez parte da minha vida na adolescência e ajudou a estreitar laços. Escrever cartas na internet não é o mesmo que escrever à mão e enviar pelos correios. Mas é o que é possível agora.

O que você aprendeu com as pessoas que dispensaram sua presença?

O sagrado e o real da maternidade

Há algo de muito sagrado na maternidade. Mas nós mães não somos santas. E não sei sobre as outras mães, mas eu não quero ser santa. Ou melhor dizendo: eu não quero ser só santa.

A sacralidade da maternidade está nesse mistério enorme de gerar uma vida dentro de si. Ter seu corpo todo voltado para a criação dessa pessoa, tão frágil e tão forte ao mesmo tempo. Para além do biológico (e talvez com a participação dele), a conexão psicológica que vai se formando à medida que as semanas vão se passando e que se intensifica depois de ter o filho nos braços. É sagrado porque nos transcende, porque o filho sou eu e é além de mim. Muito além.

Se nosso objetivo nessa Terra é experimentar uma vida material e nos conectarmos com o todo, poucas circunstâncias na vida nos colocam tanto na realidade ao mesmo tempo em que geram tanta união e expansão. (mais…)

Pronto?

Mais uma prova. Clara. Claríssima.
De quantas provas você precisa para parar de vez de fantasiar e de acreditar num futuro impossível?
A árvore dos dias está seca. Morta. Cortada em sua base, raízes feridas. Nenhuma folha sequer, nem mesmo um poético tronco ressequido contrastando com o céu azul.
Nada – dinheiro nenhum no mundo inteiro, prêmios milionários, propostas indecentes – nada fará o tempo voltar.
Nada fará com que a história que não aconteceu se transforme em possibilidade, em realidade.
Pare de perder tempo!
Contente-se com o que houve. Já.
Leia diariamente o oráculo. “Não existe amor insubstituível”.
Abra-se verdadeiramente para o agora.
É agora que você tem.
Esta é a sua vida, não aquela.
Chega de ladainha. Paciência tem limites.
Ah!

(Vívian Marchezini – 23/08/2011)

Publiquei esse texto no antigo blog, quase há mil anos.
Escrevi para mim mesma, que não conseguia aceitar o fim de um relacionamento que durou tudo o que tinha para durar (e mais um pouco). Estava arrasada, decepcionada, frustrada. E com muita raiva de mim mesma por me manter naquela ilusão por tanto tempo.
Então saiu esse texto raivoso assim.
Publico aqui hoje porque vejo que cabe em algumas situações que tenho acompanhado. Mas não quero passar a raiva dele adiante (não foi nada bom sentir aquilo).
O que quero passar é a determinação de por um fim a uma situação que não faz bem. A possibilidade de acordar de um sonho confuso depois que a gente se dá conta de que não é realidade.
Eu tenho certeza que não é fácil. Se fosse, não haveria tanta gente abraçando panela quente até se queimar por achar que ela é a salvação para suas dores (como eu mesma fiz por tanto tempo).
Mas eu sei que é possível, e que os tapas na cara que a realidade nos dá podem servir para nos impulsionar a buscar aquilo que a gente merece viver de verdade.
Então, se for o seu caso, receba esse texto com amor, sabendo que ele é fruto da minha dor. Ou seja, é um pedaço do meu coração ferido que compartilho com o seu.
Saiba que meu coração não dói mais, e que eu desejo que o seu se cure em breve também. <3

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Por que você não se casou… ainda, Tracy McMillan

Comprei o livro “Por que você não se casou… ainda” há alguns anos quando, descrente da possibilidade de viver um grande amor ainda nesta encarnação, entrei numa livraria à procura de ajuda. Sim, eu sempre acho que livros vão me ajudar a solucionar meus problemas, o que é um pensamento bem Era de Peixes, mas tudo bem. Eles me ajudam muito mesmo! rs

Então fui passear na sessão de autoajuda, que pode ter obras bastante equivocadas, mas outras bem interessantes se estivermos abertos a essa possibilidade. Estava ali rodeada por títulos como Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus; Porque homens preferem garotas inteligentes (ou qualquer coisa parecida com isso) e tantos outros que dão dicas de como se comportar de forma a ser mais interessante aos olhos masculinos. Nunca gostei desse tipo de livro, mas confesso que estava a um passo de ceder e comprar. “Devem servir para alguma coisa”, pensei.

Foi quando olhei para aquela capa azul turquesa com o intrigante título. Aquela era a pergunta que eu me fazia todos os dias. (mais…)

Partilhar para inspirar

Este é o centésimo primeiro post publicado neste blog. Eu passei a tarde inteira escrevendo e apagando um texto que falasse sobre esse marco e o que significa para mim este espaço. Desisti daquele rascunho e resolvi escrever com o coração (é sempre ele que me salva).

O que eu gostaria que você soubesse é que o que escrevo e publico aqui é parte desse todo complexo que sou eu. É parte do que vivo, estudo, sinto e penso. É a parte que consigo por em palavras e expor, enfrentando fantasmas pessoais e histórias (mentirosas) que me fizeram acreditar ao longo da vida.

E faço isso para que você se inspire a: (mais…)

Carta ao grande amor

Então você chegou, finalmente! Te esperei por anos, fantasiei sua vinda, sofri nos momentos em que percebi que não seria daquela vez e que teria de aguardar condições mais favoráveis para o nosso encontro. Minha maior tristeza era pensar que você poderia não vir nunca. Isso gerava em mim uma solidão intensa, profunda, existencial. Como se nada do que tivesse vivenciado ou construído fizesse algum sentido. Para que tudo, afinal, se nos derradeiros dias eu constatasse que você não teria passado de um desejo muito claro e puro?

Mas por uma daquelas mágicas do destino tudo se encaixou e você atendeu ao meu chamado de menina, de mulher e veio fazer parte da minha vida. Produziu em mim enormes transformações, me fazendo mais atenta ao agora, aos cheiros, aos sabores, às mais leves sensações. Libertou meus sonhos mais loucos, me fez encarar medos antigos e ancestrais. Me fez parar, me desligar da loucura cotidiana para viver única e exclusivamente a preparação subjetiva para a sua chegada.

E agora você está aqui. (mais…)

O dia em que conheci o kundalini yoga (e me encontrei lá)

De todas as ferramentas de autoconhecimento e transformação a que tive acesso nos últimos anos, o kundalini yoga foi a mais significativa e efetiva para mim. O dia em que conheci o kundalini yoga me marcou profundamente. Foi como se minha alma tivesse finalmente encontrado seu caminho. Era setembro de 2010 e por acaso (?) recebi de um amigo a divulgação do Yoga Para Todos. Esse evento era comemorativo ao Dia Nacional do Yoga e aconteceria no Parque Ecológico da Pampulha. O parque havia sido inaugurado há pouco tempo, eu estava doida para conhecer lá e muito necessitada de alguma paz.

Eu já vinha tentando praticar yoga em casa, a partir das poses publicadas numa revista. Me sentia bem praticando, pelo alongamento promovido e pela concentração que requeriam. Me lembro bem da pose da árvore, que só conseguia manter se não pensasse em absolutamente mais nada além daquele ponto no horizonte para onde precisava olhar. Em meio a dias de pensamento muito acelerado, não pensar em nada por alguns segundos era como desligar um aparelho barulhento e finalmente ouvir o silêncio. (mais…)